A guerra na Ucrânia expôs o desinteresse da política europeia pela integração dos refugiados do Médio Oriente e de África, deixando à vista um sistema de dois pesos e duas medidas que discrimina e mata.
Para esses refugiados, a travessia do Mediterrâneo é apenas o princípio da jornada mais dolorosa da sua longa marcha. Isto para os que sobrevivem, porque há aqueles que ficam pelo caminho - alguns estão enterrados em solo europeu, sem que as famílias se consigam despedir deles, outros jazem em parte incerta, com os seus corpos por encontrar.
Este livro é o resultado de uma investigação de oito anos levada a cabo por André Carvalho Ramos, jornalista da TVI e da CNN Portugal, em várias rotas migratórias e numa dezena de países, de Portugal à Palestina, da Grécia à Ucrânia, passando pela Alemanha, Polónia ou Roménia.
Um testemunho completo e desconcertante, onde se escuta a voz de quem mais sofre, e se pressente que uma Europa-fortaleza jamais conseguirá travar as migrações - apenas as tornará mais perigosas e mortíferas.
André Carvalho Ramos é jornalista e recebeu mais de uma dezena de prémios e distinções nacionais e internacionais. Conquistou um Golden Nymph Award, entregue pelo Príncipe Alberto II do Mónaco, e o prémio de melhor cobertura jornalística no Festival de Televisão de Veneza. Acompanhou as diferentes vagas migratórias na Europa e esteve em cenários de conflito, como a Ucrânia e a Palestina. Especializou‑se em política europeia e refugiados e, inspirado neste livro, realizou o documentário A Última Fronteira, finalista do Prémio Gabo, uma das distinções internacionais de jornalismo mais relevantes a nível mundial, instituído pela fundação do escritor e Nobel da Literatura Gabriel García Márquez.
A escrita do jornalista André Ramos é rigorosa com a realidade dos milhares de migrantes que procuram chegar ao “sonho” europeu que acaba tantas vezes por ser a continuidade de um pesadelo. Este livro é uma cruzada pela vida dos refugiados, uma escrita que revela a sensibilidade do autor e o seu compromisso que tão bem assumiu para com o jornalismo: informar a opinião pública com base na denúncia das situações em torno da atual gestão dos fluxos migratórios na Europa. Num mundo onde cada vez mais se assiste à desinformação é urgente a frontalidade com que trata o tema. Um livro ligado à realidade. Citando o autor para tantos migrantes “Todos os caminhos parecem terminar em arame farpado. “
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A revolta do autor debruça-se sobre a diferença de tratamento no acolhimento dos refugiados da Ucrânia em relação a refugiados da Síria, por exemplo. A Europa fechou os olhos ao que se estava a passar na travessia dos refugiados que não tinham via legal para o fazer. E teve mão criminosa na morte de milhares de seres humanos que tentavam fugir da guerra desajudados. O autor pretende estabelecer a diferença entre refugiado e imigrante. Para alguém leigo que tenha interesse neste assunto é um bom livro para ler.
Sabem quando, mesmo vendo as notícias não temos noção do que realmente se passa nas fronteiras da UE? pois foi o que senti com este livro. É o relato de um jornalista em vários cenários de crise de migrantes. com pessoas a pedir assilo e Refúgio numa Europa que, pesava eu, era mais humanitária que o resto do mundo ... Mas onde quem comanda é sem margem de manobra racista, xenófobo, e acima tudo é uma realidade encoberta por quem chefia! É brutal! Custou me imenso ler algumas partes porque se sente a dor das pessoas e o desânimo perante uma situação gerida a duas velocidades dependendo de onde surgem as pessoas deslocadas. Revolta porque os Governantes não querem de forma alguma gerir corretamente a situação. E não se pode só culpar os países que originalmente recebem os migrantes, como Itália ou Grécia, pois compreendo também a pressão que fluxo de seres humanos exerce sobre economias frágeis. Temos de apontar o dedo aos países do norte da Europa e mesmo aos sucessivos governos de Portugal! Todos nós temos culpa em cada criança, jovem, mulher ou homem que perde a vida no Mediterrâneo ou em outras fronteiras da Europa fechada a sete chaves por políticas xenófobas!