Um mendigo que espia, da vitrine de uma confeitaria, os deleites de uma mosca nos doces. O menino que se depara com uma nova existência a partir da morte da mãe. Os amores, sonhados ou vividos, correspondidos ou sofridos. A miséria e a dor de cada um de nós que, na verdade, é a provação de estar vivo e viver todos os infernos que existem na busca de salvação ou de mais danação. No inferno é sempre assim e outras histórias longe do céu traz onze contos em que a beleza da linguagem se contrapõe ao martírio dos personagens.
No Inferno é Sempre Assim - E outras histórias longe do céu - Daniela Langer
Avaliando meus prediletos ("Morrente", "Em Todas as Portas", "Primo Lucas", "No Fundo das Metáforas", "No Inferno É Sempre Assim" e "Arqueologia das Práticas"), percebo que quase todos são da segunda parte do livro, que dá título à coletânea e reúne os contos menos líricos (mais Capitu que Iracema, como diria o Tezza). Leio pouco conto. Esse e "A Queda da Própria Altura", do Sérgio Tavares, me instigam a ler mais esse ano.