Se pudesse, Lucius aterrissaria em 1964 para ajudar Anabelle a realizar o grande sonho do seu falecido pai! De quebra, ajudaria a moça a enfrentar alguns problemas muito difíceis, entre eles resistir à violência do seu tio Lino. Claro que conhecer de perto os lindos olhos verdes que ele viu no retrato não seria nenhum sacrifício... Sem conseguir explicar o que está acontecendo, Lucius inicia uma intensa troca de correspondência com a antiga moradora da casa para onde se mudou. Uma relação que começa com desconfiança, passa pelo carinho e evolui para uma irresistível paixão – e para um pedido de socorro...
A história de Lucius e Anabelle, à primeira vista, pode parecer só mais uma história de romance. Só que 50 anos separam esses dois jovens, e isso não impede que o amor aconteça. Lucius tem 20 anos e vive em 2014. Ele nunca foi o cara popular, nunca fez sucesso com as mulheres, sempre foi o cara que passa despercebido. Isso não é exatamente um problema para ele, que aprendeu a viver muito bem com sua condição. Mas ele acabou de ingressar na faculdade e muita coisa está para mudar em sua vida, mesmo que ele não saiba. Agora Lucius se muda para um casarão antigo com o maior jeitão de casa mal assombrada, até porque é a única casa que seu limitado dinheiro pode pagar. Vasculhando alguns livros antigos que já estavam na casa, Lucius encontra por acaso uma fotografia muito antiga de uma bela menina segurando uma caixa no mínimo misteriosa. Logo ele percebe que a fotografia foi tirada naquela mesma residência e então, movido pela curiosidade, ele vai em busca do local onde estaria esta caixa. O que ele encontra?! Um sonho, um curioso projeto de montanha russa e uma carta que vai mudar toda sua vida.
“ (...) eu não consigo parar de escrever. Você é o único contato que tive com meu interior, com o meu melhor.”
Ficou curioso por essa história?! Então sugiro que leia o quanto antes. Digo isso porque sei que muito provavelmente você não irá se arrepender, principalmente se você for fã do gênero. Me apaixonei demais por essa história. Por mais que eu já tivesse visto uma infinidade de elogios acerca desta obra, confesso que comecei a leitura com pouquíssimas expectativas. Mas acontece que desde a primeira folha eu já fiquei completamente maravilhada e não consegui mais me desvencilhar dessa obra fascinante. O autor Felipe Colbert fez um ótimo trabalho. Sua escrita é hipnotizante, muito bem elaborada e completamente fluida. Os personagens que ele criou são cativantes e te faz querer conhecê-los cada vez mais. Felipe conseguiu, com suas palavras bem colocadas, construir um universo que te abraça e te dá uma sensação de intimidade com tudo que está inserido nele. A começar pelo cenário... A história, assim como seu autor, é nacionalíssima e se passa em Campos do Jordão que, como a maioria sabe, é uma cidadezinha no interior de São Paulo e que é toda no estilo europeu. A famosa "Suíça Brasileira". Quer lugar melhor pra um romance acontecer?! Depois vêm os personagens... Lucius que com seu jeito todo desacertado é aquele mocinho perfeitamente imperfeito. Ele não é super bonito e longe de ser convencido, mas ele é muito inteligente e ao mesmo tempo sensível, e aviso logo, é difícil não simpatizar com ele logo de primeira. Com Anabelle não é diferente e, confesso, gostei demais dessa menina! Ela tem só 18 anos e, apesar de ser um pouco ingênua em algumas situações, ela é um equilíbrio perfeito entre a meiguice e a atitude. Ela é fofa demais, sonhadora também, mas é forte e sempre disposta a lutar. E o amor deles.... Ah... Não tem palavras que eu use que possa descrevê-lo. O autor consegue transmitir através do relacionamento dos protagonistas a mais pura essência do amor, que é amar sem esperar receber nada em troca.
"(...) Tinha algo a ver com pensar que a Via Láctea é pequena demais para acharmos que estamos tão longe assim um do outro, e que uma simples reta imaginária me ligava a ela, não importava onde ela estivesse."
Embora o enredo de cara pareça um pouco clichê, não é bem assim. No começo eu associei quase que imediatamente a história com o filme "A casa no Lago", aquele da Sandra Bullock com o Keanu Reeves. Mas garanto que são poucas as semelhanças. O restante do livro é completamente diferente e original e, para mim, passou longe do clichê. Temos assuntos importantes tratados nessas páginas, como por exemplo o bullying, relacionamento abusivo e violência doméstica. Nada, absolutamente nada, nesse livro me desagradou. Para aqueles que gostam de uma explicação lógica para tudo talvez a história não seja completamente satisfatória pois se trata de uma ficção e um de seus principais elementos é algo que foge totalmente aos padrões científicos que conhecemos. A narrativa é toda em primeira pessoa, ora pelo ponto de vista de Lucius, ora pelo de Anabelle, e isso torna a leitura bastante fácil e dinâmica. Devorei o livro em três dias, e com certeza teria feito em menos tempo se não fosse minha rotina de trabalho. Poderia ficar aqui tecendo infinitos elogios à esta obra excelente. Amei não só o livro como também amei o fato dele ser nacional. Acho importante valorizar a literatura brasileira e fico extremamente feliz quando encontro livros nacionais tão bons quanto esse. Por essas e outras recomendo muito a leitura.
Estou sem palavras, mas vamos lá... Assim que descobri esse livro sabia que precisava lê-lo, e fico muito feliz por o ter escolhido como a última leitura do ano. Foi tocante, envolvente, surpreendente, bem mais do que imaginava que seria. Foi uma das histórias mais incríveis, geniais, pesadas, profundas, lindas e sensíveis que já li na minha vida! Só queria que o final tivesse se prolongado um pouquinho mais, eles mereciam!
Belleville é um livro nacional com uma proposta interessante: pretende falar sobre um dos meus temas favoritos literários, que é a viagem no tempo, misturado em uma história de amor e com uma montanha russa caseira peculiar. Inicialmente, somos apresentados aos dois protagonistas da história: Lucius, em 2014, um jovem de 20 anos que se muda de sua cidade natal para Campos de Jordão, para começar a faculdade de Matemática. Cinquenta anos antes, em 1964, conhecemos Annabelle, uma jovem que acabou de completar 18 anos, e vive sozinha no mesmo casarão que Lucius alugou no presente, depois de perder os dois pais. Por uma coincidência do destino e um toque de magia, os dois começam a trocar correspondências, o que parecia impossível até acontecer, e se aproximam, especialmente por estarem, de maneiras particulares, enfrentando sérios obstáculos em suas vidas, precisando de apoio um do outro.
Aos poucos, o sonho idealizado pelo pai de Annabelle, que pretendia construir uma montanha russa caseira para a filha, vira quase uma obsessão para Lucius, e vemos as coisas tomando forma por aí... Do outro lado, Annabelle conhece o irmão do seu pai, e começa a entrar em atritos com o homem, que decide mudar para sua casa.
Sem querer soltar muitos spoilers, essa é a pretensão inicial da obra. Confesso que as primeiras páginas não me cativaram tanto, mas eventualmente fiquei interessada se a montanha russa tão mencionada sairia do papel e, especialmente, qual seria o destino de Annabelle, que foi a personagem que mais me cativou. Por outro lado, tive sérios problemas com a narrativa de Lucius. Inicialmente, por ele se apresentar de uma maneira muito pretensiosa: é um cara inteligente, que se considera muito maduro pra sua idade, mas não tem sorte no amor porque as garotas não parecem se interessar em "caras como ele", todo diferentão e deslocado. Essa narrativa não cola mais pra mim, especialmente se vem de um personagem masculino, e sinceramente? O comportamento do Lucius muitas vezes é o principal responsável por colocá-lo em situações desconfortáveis e, especialmente, por afasta-lo de maneira reiterada de outras pessoas, porque parte do princípio de que "ninguém vai se interessar por mim, coitado". Enfim, dá pra ver que eu fiquei profundamente descontente com a construção desse personagem, né? Especialmente com o desenvolvimento da história, não fui conquistada por seu suposto carisma, e mantenho meu questionamento sobre algumas de suas decisões.
Por outro lado, simpatizei com Annabelle e seu gato de estimação, Tião. No entanto, ao decorrer da história sinto que sua personalidade, ao invés de se desenvolver, foi minguando, obviamente em razão das diversas situações a que era submetida - não quero dar spoilers, mas sinto que muito foi colocado na história sem grandes propósitos além de chocar e deixar enraivecidos os leitores, e isso me chateia.
O relacionamento dos dois evolui bem rápido, o que eu achei meio estranho inicialmente, mas considerando que ambos são pessoas que estão, de certa forma, isoladas do resto do mundo, é uma clara situação em que ambos só queriam um ombro amigo para desabafar, o que justifica o apego rápido.
A conclusão da história é satisfatória, mas achei um tanto quanto apressada, porque realmente queria saber mais sobre o que aconteceria com os dois personagens, e só nos resta migalhas quanto ao futuro dos dois.
Enfim, Belleville é um livro que entrega uma proposta interessante, mas pelo menos ao meu ver, enfrenta algumas falhas ao decorrer de seu trajeto, e não consegue mostrar totalmente a que veio. Infelizmente, no momento em que eu li, fiquei um pouco decepcionada sim, especialmente porque esperava mais da escrita e dos personagens, mas cabe dizer que eu me tornei um pouco mais exigente (ou chata?) com as leituras nos últimos anos.
Obs: nesse mesmo sentido, gostaria de fazer um questionamento: observei que, no decorrer do livro, quando personagens não brancos são apresentados na história (ponto positivo: eles existem), a cor da sua pele é evidenciada, enquanto o mesmo não ocorre com personagens brancos. Dá pra discutir um pouco sobre isso e relacionar ao fato de que, na literatura, muitas vezes a gente se acostumar a padronizar o branco como "o normal", e isso é uma visão antiquada e que reduz muito as possibilidades narrativas.
Obs 2: também tem umas observações bem desnecessárias que o Lucius faz sobre algumas mulheres que conhece, e que eu particularmente não achei legal, especialmente porque né, já cansei de ler isso e já estamos em 2019 - isso não era legal há cinco anos e continua não sendo.
Uma capa linda e uma ótima premissa, mas acaba por aí. Poderia ser ótimo, mas foi uma decepção na realidade. A expectativa estava alta demais e não correspondeu. Coisas que fazem o livro perder a graça: 1. A escrita do autor é monótona demais, em alguns momentos eu fiquei com sono e assim que desistia de ler, o sono desaparecia. O enredo tinha tudo para ser mágico, mas enrolou demais em coisas que não precisava e acelerou em coisas que poderia desenvolver mais. Como quando surge o vilão da história ou o final, que parece que foi escrito 20 minutos antes do prazo do autor com a editora acabar. Dá para perceber que o #felipecolbert entende da Língua Portuguesa, mas faltou aquele toque que faz um livro ser mais que apenas muitas palavras escritas junto. 2. A relação de Lucius com os rapazes na universidade, tanto os trogloditas quanto o próprio protagonista se comportam como crianças na escola. Lembrando que Lucius tem 20 anos e já deveria saber se defender. As cenas parecem tiradas daqueles filmes de Sessão da tarde com tema de High School. 3. Annabelle chamar Lucius de meu amado sem saber praticamente nada da vida dele, apenas que ele toca o projeto de Belleville. Ele se diz perdidamente apaixonado sem saber muita coisa dela também. Não dá nem para classificar como #instalove.
Imagine duas personagens principais e um antagonista. Imaginem agora que uma destas personagens vai sofrer muito e quem vai causar isto é o antagonista. Imaginou a protagonista sofrendo? Triplica, quadruplica este muito que ela vai sofrer. Precisa ser muito forte pra fazer a sua personagem principal sofrer que nem uma condenada, porque é isso que Anabelle parece, uma condenada.
envolvente , apaixonante, uma história mágica, encantadora. Amei as cartas! Torci a cada página por Lucius e Anabelle.
“Não importava o que eu fizesse, nem o modo como eu tentasse lidar com as coisas, o pensamento lógico havia me abandonado de vez. Que efeito era esse que Anabelle me causava? Poderia ser qualquer coisa, misturada com um pouco de insensatez.”