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O Livro do Joaquim

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A edição de O Livro do Joaquim em 2007 não passou despercebida aos leitores de Daniel Faria, que souberam desde cedo libertar as ondas destes fragmentos com olhar atento e generoso, amando-os e propagando-os mesmo quando a sua ausência nas livrarias se verificou durante alguns anos. A reedição pela Assírio & Alvim vem finalmente corrigir essa contrariedade, confirmando a clara vontade da editora em prosseguir a divulgação da obra do poeta, que iniciou com a publicação de Poesia (1.ª ed., 2012). Com a manutenção do fac-símile do manuscrito, deslocado em relação à edição anterior para uma posição de maior visibilidade no conjunto, seguido da sua leitura crítica, repetimos a ideia de inclusão do leitor nestes lugares que o poeta desejou também para os outros. [Francisco Saraiva Fino, na nota de edição]

96 pages, Paperback

First published January 1, 2007

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About the author

Daniel Faria

23 books41 followers
DANIEL AUGUSTO DA CUNHA FARIA nasceu em Baltar, Paredes, a 10 de Abril de 1971. Licenciado em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa, Porto, e em Estudos Portugueses na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Colaborou nas revistas Atrium, Humanística, Via Spiritus e Limiar. A partir de 1990, e durante vários anos, esteve ligado à paróquia de Santa Marinha de Fornos, Marco de Canaveses. Aí demonstrou o seu enorme potencial de sensibilidade criativa encenando, com poucos recursos, As Artimanhas de Scapan e o Auto da Barca do Inferno. De entre os seus escritos dispersos incluem-se Oxálida(1992), A casa dos ceifeiros (1993), Explicação das árvores e de outros animais(1998) e Homens que são como lugares mal situados (1998), tendo ainda publicado o ensaio “A vida e conversão de Frei Agostinho: entre a aprendizagem e o ensino da Cruz (1999). Recebeu vários prémios literários relativos a inéditos de poesia e conto. Faleceu a 9 de Junho de 1999 quando estava prestes a concluir o noviciado no Mosteiro Beneditino de Singeverga.

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Displaying 1 - 16 of 16 reviews
Profile Image for Paula Mota.
1,677 reviews571 followers
August 21, 2022
A revolta é em mim uma cidadania.
Não fui eu que me habituei à dor,
foi a dor que se tornou habitual.


Não esperava ter uma reacção tão morna a Daniel Faria, mas de facto não me impressionou.
Esteticamente, é um livro muito bonito, do tamanho de um bloco de notas, iniciando-se logo com um fac-símile do manuscrito original do “Livro do Joaquim”.
Os meus textos preferidos têm a ver com a recusa da obediência, o que me parece irónico num homem prestes a concluir o seu noviciado quando morreu.

Ando a tirar a carta de condução (violência das violências); sinto-me um animal a ser amestrado. Ele diz: vire mais o volante; e eu viro. Ele diz: mais para a nossa mão; e eu vou. Ele diz: não falta nada? E eu meto a mudança.
Assim também tem sido a minha vida: E é por isso que quero que acabe esta viagem. Porque de um animal tão doente e tão inútil, quem quererá ou poderá ser companheiro?
Profile Image for la poesie a fleur de peau.
508 reviews62 followers
October 2, 2020
"Na amizade, muitas vezes, a distância é o lugar mais próximo e de maior proximidade, isto é, onde a presença do outro de tão inteira já não pode ser medida. Sendo um lugar cheio de saudade, esse é também um lugar feliz, porque aí sem cessar se regressa e avista.
É como o movimento de quem caminha num espaço algo e estreito: é preciso separar os braços e desunir as mãos, para que possa alcançar-se o equilíbrio."

Daniel Faria
13 de Novembro de 1993
Profile Image for Rafael.
9 reviews
June 21, 2021
Apesar da dimensão relativamente pequena da sua obra literária, Daniel Faria é um nome incontornável da poesia portuguesa. O bispo D. Carlos Azevedo dizia mesmo que se tratava do "último poeta místico do século XX". Esta nota é especialmente importante, pois "O Livro do Joaquim" abre uma janela para a interioridade de Daniel; como se de uma visita ao seu quarto se tratasse, ao seu espaço mais íntimo, Daniel Faria conduz-nos pela mão precisamente saindo para fora de si mesmo, abrindo o seu mundo, expondo-se e dizendo-se na simplicidade de poucas linhas manuscritas num pequeno e sóbrio caderno dedicado a um amigo.

É um texto que desafia e cativa. É desafiante, na medida em que é difícil de catalogar e inserir numa categoria. Daniel Faria parece rasgar essas barreiras e mover-se com absoluta liberdade pelas diversas formas literárias, abraçando uma e deixando outra com assumida naturalidade. E cativa, pois agarra o leitor pela excelência literária e pela profunda autenticidade do poeta, que fala da sua vida com uma transparência cristalina.

Falando da sua vida, não é uma autobiografia; contendo pequenas narrações de estilo confessional datadas e situadas no tempo e espaço, não é um diário; mergulhando na profundeza da condição humana, não é uma obra filosófica. É, contudo, inegavelmente, uma obra espiritual, sem ser de espiritualidade. A questão de Deus, ou pelo menos o pano de fundo cristão e as dimensões inerentes a esta condição de crente são inseparáveis do autor e, portanto, surgem passivamente nesta obra. Não deve isto afastar os não-crentes, nem apaziguar os crentes. Pelo contrário, deve a todos inquietar. Talvez Daniel Faria seja um mestre - ou numa categoria em que talvez se reconhecesse mais, um peregrino - da inquietude: não aquela que fecha o Homem em si mesmo e o aprisiona no relativismo, mas aquela que impele na busca do sentido da vida humana, da verdade e da beleza, essa "beleza frágil cujo único sentido é empenhar-se na salvação dos homens e do mundo" (Cf. O Livro do Joaquim, p. 69).

Segundo o editor desta edição pela Assírio e Alvim, Francisco Saraiva Fino, esta obra destinava-se à leitura de um só amigo. Talvez isso justifique a familiaridade com que Daniel apresenta o texto e a falta de explicações e de contextos que podem surpreender o leitor. Neste sentido, o fac-símile que abre esta mesma edição vem enriquecê-la, permitindo quase repetir a experiência de uma leitura pessoal do manuscrito em primeira mão, como se fosse destinado unicamente a cada um dos leitores em particular, enquadrando assim a obra na intenção original do autor.

É um livro que vale o tempo dedicado à sua leitura: na pequenez de um reduzido número de páginas, revela a grandeza do autor e do seu olhar apurado que ajuda a abrir novos horizontes de reflexão sobre a condição humana. Em pequenos ditos ou versos, quase semelhantes a aforismos, vislumbramos uma profunda sabedoria que não deve ser entendida como um mero depósito de informação. Pelo contrário, trata-se de uma sabedoria vital, isto é, sabedoria de vida e para a vida. Penso que a de Daniel Faria é uma sabedoria a par daquela que a tradição bíblica nos legou, particularmente nos escritos da reflexão sapiencial (escritos esses que Daniel conhece bem, como atesta uma parte da sua obra poética). Tal como para os sábios de Israel, nenhum assunto é menor para Daniel Faria; o episódio mais comum do quotidiano é lugar e espaço para falar e pensar uma grande diversidade de temas - a vocação religiosa, a vida e a morte, o sofrimento e as paixões humanas, a poesia e a amizade são alguns desses lugares por onde Daniel Faria caminha procurando, mais do que propor respostas, escutar a realidade da vida tal como ela se apresenta. Dado o leque cultural amplo do autor, não é de estranhar que Daniel cite, evoque ou se confronte em diálogo com figuras que vão desde Santo Agostinho a Dylan Thomas ou Salieri.

Creio, portanto, que esta é uma obra que surpreende. É um investimento seguro. Talvez a densidade e a consistência do pensamento próprio de Daniel Faria estejam só agora a ser descobertas. De qualquer modo, este é um livro cuja leitura não deixará ninguém indiferente e que acredito que será fascinante para qualquer leitor, mesmo que nunca tenha aberto outro livro de Daniel Faria.
Profile Image for Lee.
171 reviews
December 23, 2014
"Não recuses nenhum dos teus limites, só
eles dizem a grandeza do que tens."
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
788 reviews145 followers
April 27, 2022
“O Livro de Joaquim” de Daniel Faria, Assírio & Alvim, Lisboa, 2019 (li de 28/12/2020 a 02/01/2021)

Uma primeira nota sobre o quanto é belo este livro enquanto objecto. E pequeno. Estas são as medidas do mesmo: 110 x 167 x 13 mm. Mesmo pequeno. Cabe numa mão.

Além disso, esta edição da Assírio & Alvim começa com a edição fac-simile do manuscrito de Daniel Faria. Como refere Francisco Saraiva Fino, na nota de edição: “Com a manutenção do fac-símile do manuscrito, deslocado em relação à edição anterior para uma posição de maior visibilidade no conjunto, seguido da sua leitura crítica, repetimos a ideia de inclusão do leitor nestes lugares que o poeta desejou também para os outros.”

Uma segunda nota sobre o modo de classificação do livro. Poesia? Diário? Ou uma longa carta feita de pequenos aforismos? Pessoalmente vou colocar este volume nas minhas estantes de diários. Parece-me uma boa hipótese: um diário de notas, em torno de uma amizade, escritas num caderno que será uma oferta a Joaquim.

São apenas 20 páginas de uma beleza estonteante que reforçam mais uma vez a poderosa voz poética de Daniel Faria. Um espaço de reflexividade e de potência transformadora da beleza da amizade.

Pedaços:

“Até hoje vivi mais das possibilidades do que das certezas, das esperanças mais do que das decisões. E agora que decidir é irremediável e o tempo para mim se fez lugar de angústia mais que redenção, invejo Moisés que tendo vivido o tempo da promessa, morreu antes de chegar à terra prometida” (pp.65)

***

“Sei bem, embora, que tudo em mim é demasiado vulnerável para que, assim vivida, a minha vida seja mais do que derrota sem qualquer mérito, humilhação vil, indigna de indulgência, indiferença ou indignação.

Sei ainda que o ódio é o que mais falso existe do verdadeiro.” (pp.66)

***

“Na amizade muitas vezes, a distância é o lugar mais próximo e de maior proximidade, isto é, onde a presença do outro de tão inteira já não pode ser medida. Sendo um lugar cheio de saudade, esse é também um lugar feliz, porque aí sem cessar se regressa e avista.

É como o movimento de quem caminha num espaço alto e estreito : é preciso separar os braços e desunir as mãos, para que possa alcançar-se o equilíbrio.” (pp.67)

***

“Porque aprendi a conhecer-te, vejo que agora me desprezas. Não tivesse eu aprendido, e nem hoje isso me importava.” (pp. 72)
Profile Image for MT.
201 reviews
July 20, 2021
“Na amizade, muitas vezes, a distância é o lugar mais próximo e de maior proximidade, isto é, onde a presença do outro de tão inteira já não pode ser medida. Sendo um lugar cheio de saudade, esse é também um lugar feliz, porque aí sem cessar se regressa e avista.
É como o movimento de quem caminha num espaço alto e estreito: é preciso separar os braços e desunir as mãos, para que possa alcançar-se o equilíbrio.”

Marco, 13 de Novembro de 1993



“Não recuses nenhum dos teus limites, só eles dizem a grandeza do que tens.”

Porto, 27 de Novembro de 1993
102 reviews17 followers
December 10, 2021
Porto, 27 de Fevereiro de 1994
O meu melhor amigo (talvez um dia diga o que é para mim um melhor amigo) vai-se embora. Agora, como nunca me acontecera, sinto-me mártir. Quero dizer, tão feliz e tão triste, como só aos mártires foi dado ser.
---
Baltar, 27 de Agosto de 1993
Até hoje vivi mais das possibilidades do que das certezas, das esperanças mais do que das decisões. E agora que decidir é irremediável e o tempo para mim se fez lugar de angústia mais do que redenção, invejo Moisés que tendo vivido o tempo da promessa, morreu antes de chegar à terra prometida
Profile Image for Fátima Matos Correia.
5 reviews
November 10, 2023
“Não tardará e direi: Pela primeira vez na vida me sinto ressuscitado: a morte devolveu-me a vida, a partida do meu melhor amigo devolveu-me o meu melhor amigo, o sofrimento devolveu-me a escrita, o vazio devolveu-me O sempre presente.
Acredito que direi.”

28 de Fevereiro de 1993
Profile Image for Maria.
35 reviews2 followers
Read
March 15, 2020
«Estar imóvel

]e em movimento.
Profile Image for Conceição Menezes.
24 reviews12 followers
June 19, 2020
nao cumpras todas as promessas
é um modo muito mais triste de morrer.

os rios nao decidem as suas pontes
nem os moinhos decidem o vento
os ramos nao decidem os seus ninhos.
Profile Image for Ramos Greatest.
38 reviews4 followers
May 19, 2023
O que dizer? é poesia.
Fiquei fã do autor e agora posso dizer: "não quero outra coisa (senão poesia)!".
10 reviews
February 7, 2024
“O que mais invejo nos caçadores é o inexplicável das mãos vazias ao fim de uma jornada. Não consigo sequer calcular essa alegria, de ter sido vencido pela vida”

“A revolta em mim é uma cidadania./ Não fui eu que me habituei à dor,/ foi a dor que se tornou habitual.”
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Daniel Campinho.
14 reviews
June 29, 2025
Daqueles livros em que o contexto e a vida do autor dão o máximo significado à poesia. Mesmo assim ótimo conteúdo em geral
Displaying 1 - 16 of 16 reviews

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