Vincent é um repórter independente realizando a cobertura da guerra mundial entre Reatech e Gexin no leste asiático. Durante uma entrevista com o general Hallek em Taipei, ele registra o evento que põe fim à guerra e altera para sempre o curso da história. Ele não sabia, porém, o quão caro aquilo o custaria. Mihail é uma história de ficção científica que transita por temas clássicos da literatura cyberpunk – inteligências artificiais, implantes cibernéticos, engenharia genética, capitalismo tardio –, para propôr reflexões filosóficas profundas acerca da dialética e fenomenologia da realidade.
Acompanho o canal do Baka há algum tempo e posso dizer que ele é meu criador de conteúdo favorito. Portanto, tinha muitas expectativas para essa obra e posso garantir que foram supridas. Para um iniciante, Baka consegue desenvolver bem suas ideias por meio da escrita. "Mihail" pode ser um bom começo para quem está conhecendo o gênero cyberpunk agora. É sempre uma boa surpresa encontrar uma obra cyberpunk escrita por um brasileiro; acho que traz um tom de identificação para mim como leitora. Espero que este seja o primeiro de muitos projetos do Baka, com certeza tem muito potencial.
Sobre a história do livro em si, me prendeu bastante; tanto é que demorei demais para acabar, não queria terminar o livro. Vincent, ou Mihail, é um personagem muito interessante que desde o início nos confronta com seus questionamentos sobre a vida. Posso dizer que evoluí junto com o personagem, que, assim como o leitor, começa a história sem saber para onde está indo. A história de Vincent caminha de uma forma que nos faz enxergar que não existe um "protagonista"; tudo acontece apesar de você. Cada pessoa tem uma vida, e tudo depende da perspectiva. A forma como você vê e interpreta algo não é necessariamente verdade ou mentira; é apenas um reflexo de você mesmo e de como suas vivências influenciam na sua compreensão. "A natureza é que tudo move. Iludido pelo ego, o tolo abriga a percepção que diz 'fui eu quem fez isso'. Veda Vyasa, Bhagavadgita." O desfecho de Vincent é um reflexo da frase inicial do livro. Eu realmente não esperava que o final fosse por um caminho tão contemplativo da existência, trazendo conceitos realmente empolgantes que me fazem ter vontade de ler o livro mais de uma vez para absorver o máximo de detalhes. "Mihail" é um retrato de um futuro distópico não tão distante assim. Baka aborda temas políticos, filosóficos e religiosos de uma forma que facilita o entendimento do leitor sobre a problemática apresentada, que muitas vezes se assemelha à nossa própria realidade. O senso de identificação está por toda a trama. Nota 10!
(Uma observação: li o capítulo "O Barbante e Seus Nós" ouvindo "Piano Phase" de Steve Reich. Foi sensacional, recomendo!)
Muito mais cheio de sensibilidade e esperança do que eu pensava. O Baka escreveu com uma paixão e uma dor que eu não estava esperando. Um livro duro, pessimista, doce e com uma personagem principal pela qual senti grande empatia. Admito que chorei em algumas passagens, porque senti uma empatia muito grande com algumas situações e pontos de vista. Se você curte os vídeos mais filosóficos do Baka Gaijin, vai se sentir em casa com o livro dele. Dei 4 estrelas, porque queria mais respostas - ou seja, mais 50 páginas e teria sido incrível, mas estou sendo rabugenta - no mais, espero que seja 1 de muitos, ele tem muito talento.
Acompanho o trabalho do Baka no YouTube e curto bastante suas reflexões sobre a vida moderna além dos vídeos sensacionais em Tóquio - que tive o prazer de visitar em 2023. Estou surpreso com a qualidade do seu “primeiro” trabalho como escritor, pois sabemos que ele já publicou anteriormente. Além de muito bem escrita, a história possui muito pontos sobre religião, filosofias e críticas relevante das sociedade atual e do nosso futuro próximo. Recomendo!