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A Biblioteca - Uma Segunda Casa
Quem lê quer ler. Mas como fazê-lo, sem poder de compra ou a possibilidade de contacto directo com o livro? Em Portugal, 303 Bibliotecas Municipais, integradas numa rede nacional criada em 1987, procuram cumprir o desígnio estatal de promoção da leitura junto de todos, das crianças aos idosos, de forma aberta e inclusiva. Este livro retrata 21 destas bibliotecas, no continente e nas ilhas, reproduz de forma vívida a experiência de observação do seu funcionamento quotidiano e os testemunhos de bibliotecários, técnicos e leitores. São projetos muito diversificados, em constante movimento e crescimento, mas são sobretudo espaços feitos para nós e que existem como extensões de nós. Há quem Ihes chame de segundas casas.
116 pages, Paperback
Published February 20, 2024
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Community Reviews
Displaying 1 - 13 of 13 reviews
December 8, 2025
3,5*
Zélia decide mostrar-me um dos depósitos, no qual se encontra uma enorme estrutura metalizada com três diferentes andares e seis longas estantes que percorrem a sala de ponta a ponta. “Só aqui estão 3,5 km de prateleiras, depois temos outro depósito com mais 3,5 e ainda outro, lá em baixo, com 3,3.
- Biblioteca Pública de Évora
O que concluo deste ensaio de Manuel Carvalho Coutinho é que, tenham mais ou menos recursos, partilhem o seu espaço com outras valências ou não, funcionem num edifício histórico recuperado ou construído de raiz para o efeito, o que falta essencialmente nas bibliotecas municipais (e provavelmente nacionais, públicas e escolares) é leitores, essa espécie em vias de extinção.
Quando era miúda, infelizmente não tinha bibliotecas públicas nas imediações e foi só na faculdade que entrei numa, e em grande estilo, diria, pois tratava-se da Biblioteca Nacional, um local imponente mas confortável, cujo tempo de espera entre requisição e entrega seria um excelente exercício de paciência para a Geração Now. Empréstimos, no entanto, foi uma prática que só viria a conhecer uma década mais tarde, quando a biblioteca do meu subúrbio (inaugurada somente em 2005) me salvou financeira e logisticamente de duas crianças que exigiam histórias ao deitar na razão de um livro por noite.
Manuel Carvalho Coutinho também conta a sua experiência pessoal com uma destas bibliotecas retratadas neste “A Biblioteca”, a que não resisto fazer dois comentários a nível pessoal. Por um lado, a fobia a escadas, que me fez ir verificar a idade do autor (apenas 35 e não o dobro como suspeitei) e por outro, a ausência de protagonismo das bibliotecas da Beira Interior. Se a Beira Litoral está representada com três, na região de Castelo Branco, Viseu e Guarda, parece não haver uma única, o que não é obviamente verdade.
Falando em Portugal profundo, um dos meus segmentos preferidos foi o dedicado à biblioteca de Vila Flor, cuja desertificação espelha outros pontos do país que me são familiares, sendo o que mais me chocou foi o caso de Ponta Delgada, cujo moderno edifício foi projectado por alguém que decerto nunca saiu do seu ateliê.
A biblioteca Municipal Ernesto do Canto tem livros catalogados que ninguém pode tocar, nem sequer os profissionais que aqui trabalham, não por serem grandes preciosidades sob reserva, mas por estarem inalcançáveis, em estantes exageradamente altas, como se a ornamentar uma sala. As mesas fixas ao chão impedem que se adapte a Sala de Leitura para apresentações de livros. (…) As paredes nuas e brancas desta sala [Infanto-Juvenil], aliás, estão um pouco por toda a Biblioteca, como se lhe faltasse vontade de assumir uma identidade própria que a liberte do que a limita.
[Obrigada, Martinha!]
Zélia decide mostrar-me um dos depósitos, no qual se encontra uma enorme estrutura metalizada com três diferentes andares e seis longas estantes que percorrem a sala de ponta a ponta. “Só aqui estão 3,5 km de prateleiras, depois temos outro depósito com mais 3,5 e ainda outro, lá em baixo, com 3,3.
- Biblioteca Pública de Évora
O que concluo deste ensaio de Manuel Carvalho Coutinho é que, tenham mais ou menos recursos, partilhem o seu espaço com outras valências ou não, funcionem num edifício histórico recuperado ou construído de raiz para o efeito, o que falta essencialmente nas bibliotecas municipais (e provavelmente nacionais, públicas e escolares) é leitores, essa espécie em vias de extinção.
Quando era miúda, infelizmente não tinha bibliotecas públicas nas imediações e foi só na faculdade que entrei numa, e em grande estilo, diria, pois tratava-se da Biblioteca Nacional, um local imponente mas confortável, cujo tempo de espera entre requisição e entrega seria um excelente exercício de paciência para a Geração Now. Empréstimos, no entanto, foi uma prática que só viria a conhecer uma década mais tarde, quando a biblioteca do meu subúrbio (inaugurada somente em 2005) me salvou financeira e logisticamente de duas crianças que exigiam histórias ao deitar na razão de um livro por noite.
Manuel Carvalho Coutinho também conta a sua experiência pessoal com uma destas bibliotecas retratadas neste “A Biblioteca”, a que não resisto fazer dois comentários a nível pessoal. Por um lado, a fobia a escadas, que me fez ir verificar a idade do autor (apenas 35 e não o dobro como suspeitei) e por outro, a ausência de protagonismo das bibliotecas da Beira Interior. Se a Beira Litoral está representada com três, na região de Castelo Branco, Viseu e Guarda, parece não haver uma única, o que não é obviamente verdade.
Falando em Portugal profundo, um dos meus segmentos preferidos foi o dedicado à biblioteca de Vila Flor, cuja desertificação espelha outros pontos do país que me são familiares, sendo o que mais me chocou foi o caso de Ponta Delgada, cujo moderno edifício foi projectado por alguém que decerto nunca saiu do seu ateliê.
A biblioteca Municipal Ernesto do Canto tem livros catalogados que ninguém pode tocar, nem sequer os profissionais que aqui trabalham, não por serem grandes preciosidades sob reserva, mas por estarem inalcançáveis, em estantes exageradamente altas, como se a ornamentar uma sala. As mesas fixas ao chão impedem que se adapte a Sala de Leitura para apresentações de livros. (…) As paredes nuas e brancas desta sala [Infanto-Juvenil], aliás, estão um pouco por toda a Biblioteca, como se lhe faltasse vontade de assumir uma identidade própria que a liberte do que a limita.
[Obrigada, Martinha!]
June 22, 2024
3.5 ⭐️
“Acredito ser capaz de contar a história de todas as Bibliotecas que visitei, pois essa convicção resultou neste livro. Mas a melhor forma de realmente as conhecer será ouvindo-as. Proponho-me então ouvir as Bibliotecas… Em pouco tempo me convenço que cada uma tem um som único, nem sempre fácil de alcançar.”
Uma viagem que cativa o leitor, contudo estava na expectativa de encontrar uma relação mais próxima e pessoal entre este e a Biblioteca.
Neste livro, o autor descreve os espaços físicos de cada uma delas, as suas iniciativas e as dificuldades daqueles que tentam assegurar um serviço público que, em alguns casos, passa despercebido à maioria da população.
“Acredito ser capaz de contar a história de todas as Bibliotecas que visitei, pois essa convicção resultou neste livro. Mas a melhor forma de realmente as conhecer será ouvindo-as. Proponho-me então ouvir as Bibliotecas… Em pouco tempo me convenço que cada uma tem um som único, nem sempre fácil de alcançar.”
Uma viagem que cativa o leitor, contudo estava na expectativa de encontrar uma relação mais próxima e pessoal entre este e a Biblioteca.
Neste livro, o autor descreve os espaços físicos de cada uma delas, as suas iniciativas e as dificuldades daqueles que tentam assegurar um serviço público que, em alguns casos, passa despercebido à maioria da população.
April 16, 2024
3,5*
"Algo mudou, entretanto, na Biblioteca: encerraram o serviço de Leitura de Periódicos, antigamente localizado à esquerda e direita do balcão de atendimento.
(...)
Mas, e os jornais e revistas, para onde foram? Maria da Piedade explica «Para além das publicações regionais, já não temos mais nada em papel. O utilizador pode usar a aplicação PressReader e através do nosso WiFi tem acesso a milhares de jornais.» Pergunto se tal funciona, e se o público mais velho sabe como utilizar. Respondeu logo que ainda há dias ensinaram uma senhora mais velha e que ela lá conseguiu, três quartos de hora depois. Não fico muito convencido e decido questionar os utilizadores sobre as suas perspetivas.
(...)
Em todas as bibliotecas que visitei encontrei sempre leitores na zona de periódicos, por norma um público regular, reformado e mais velho. É um importante serviço, mas talvez o mais importante das zonas de periódicos não seja propriamente o jornal, mas o que este espaço oferece: uma razão para este tipo de público sair de casa e ver pessoas, visitar a biblioteca e ser recebido pelos responsáveis que logo perguntam «como está» e «como vai». As zonas de periódicos são também espaços sociáveis onde os leitores metem conversa uns com os outros e comentam acontecimentos recentes.
Um dia talvez deixem de existir jornais e revistas em papel e, aí sim, não será preciso haver uma zona de Periódicos. Mas ainda estamos longe desse dia e não há razões que me convençam que a solução mais acertada seja dispor apenas do formato digital. A infoexclusão não afeta todos, é certo, mas basta que afete alguns para ser uma preocupação."
Páginas 75 e 76
"Algo mudou, entretanto, na Biblioteca: encerraram o serviço de Leitura de Periódicos, antigamente localizado à esquerda e direita do balcão de atendimento.
(...)
Mas, e os jornais e revistas, para onde foram? Maria da Piedade explica «Para além das publicações regionais, já não temos mais nada em papel. O utilizador pode usar a aplicação PressReader e através do nosso WiFi tem acesso a milhares de jornais.» Pergunto se tal funciona, e se o público mais velho sabe como utilizar. Respondeu logo que ainda há dias ensinaram uma senhora mais velha e que ela lá conseguiu, três quartos de hora depois. Não fico muito convencido e decido questionar os utilizadores sobre as suas perspetivas.
(...)
Em todas as bibliotecas que visitei encontrei sempre leitores na zona de periódicos, por norma um público regular, reformado e mais velho. É um importante serviço, mas talvez o mais importante das zonas de periódicos não seja propriamente o jornal, mas o que este espaço oferece: uma razão para este tipo de público sair de casa e ver pessoas, visitar a biblioteca e ser recebido pelos responsáveis que logo perguntam «como está» e «como vai». As zonas de periódicos são também espaços sociáveis onde os leitores metem conversa uns com os outros e comentam acontecimentos recentes.
Um dia talvez deixem de existir jornais e revistas em papel e, aí sim, não será preciso haver uma zona de Periódicos. Mas ainda estamos longe desse dia e não há razões que me convençam que a solução mais acertada seja dispor apenas do formato digital. A infoexclusão não afeta todos, é certo, mas basta que afete alguns para ser uma preocupação."
Páginas 75 e 76
March 14, 2024
A Fundação Francisco Manuel dos Santos tem tido ao longo dos anos um papel de destaque na análise do nosso país. Este pequeno livro enquadra-se nesse trabalho.
O autor visitou bibliotecas públicas de norte a sul de Portugal e incluiu também as ilhas. Neste panorama breve são perceptíveis as diferenças de condições físicas, de pessoal e equipamentos, transparecendo, no entanto, uma vontade comum: fazer mais e melhor no serviço público. Um livro interessante a merecer a leitura, análise e (nalguns casos) reposicionamento das entidades que as administram.
O autor visitou bibliotecas públicas de norte a sul de Portugal e incluiu também as ilhas. Neste panorama breve são perceptíveis as diferenças de condições físicas, de pessoal e equipamentos, transparecendo, no entanto, uma vontade comum: fazer mais e melhor no serviço público. Um livro interessante a merecer a leitura, análise e (nalguns casos) reposicionamento das entidades que as administram.
May 19, 2024
Importante leitura para ter uma visão geral sobre as bibliotecas do nosso país.
July 5, 2025
foi muito bom poder conhecer melhor várias bibliotecas de Portugal e as suas realidades 🤓 aprendi muito!
e adorei o facto de o livro começar logo com uma biblioteca especial para mim 🫶
e adorei o facto de o livro começar logo com uma biblioteca especial para mim 🫶
September 5, 2026
Um livro que, para quem gosta de livros e de ler, nos dá vontade de correr este périplo de algumas Bibliotecas Municipais, verificando se o tal local, "mais perfeito", para ler existe como o imaginamos, quando descrito.
Levou-me a querer visitar os sítios onde algumas destas Bibliotecas existem.
Levou-me a querer visitar os sítios onde algumas destas Bibliotecas existem.
June 24, 2025
Adorei tanto "A Biblioteca, uma segunda casa" que me apeteceu visitar todas as bibliotecas mencionadas! E confesso: na Biblioteca Municipal de Coimbra, o encanto foi tal que imaginei como seria bom trabalhar ali todos os dias.
April 14, 2024
Este livro foi um presente inesperado, o que o tornou ainda melhor.
Pensava que ia ser para ler devagarinho, talvez em intervalos de outras leituras, mas não o consegui largar. Senti-o como um diário de viagem feito por alguém que gosta de livros para quem gosta de livros (e bibliotecas). À medida que ia lendo, fiz planos para visitar cada uma destas bibliotecas. Talvez consiga completar a viagem, apesar de 6 delas serem nas ilhas.
Tenho alguma pena que não tenham sido representadas mais bibliotecas do interior do país.
Pensava que ia ser para ler devagarinho, talvez em intervalos de outras leituras, mas não o consegui largar. Senti-o como um diário de viagem feito por alguém que gosta de livros para quem gosta de livros (e bibliotecas). À medida que ia lendo, fiz planos para visitar cada uma destas bibliotecas. Talvez consiga completar a viagem, apesar de 6 delas serem nas ilhas.
Tenho alguma pena que não tenham sido representadas mais bibliotecas do interior do país.
September 6, 2024
Um diário de viagens por bibliotecas municipais portuguesas. As pequenas vinhetas apresentadas sobre cada um dos locais são interessantes, exalando um claro apreço por livros, por bibliotecas e por aqueles que as fazem - trabalhadores e utilizadores. É uma leitura fácil, agradável e interessante mas no fim fica uma sensação de que mais bibliotecas podiam ter sido visitadas e partilhadas, principalmente no interior do país.
October 8, 2024
Deixar as bibliotecas da AML totalmente de fora deste trabalho deixam este livro bastante coxo.
October 5, 2024
A bela (ou não, depende do ponto de vista) realidade das nossas Bibliotecas Municipais demonstrada de um modo tão simples e com uma escrita cativante. Senti que estava lá, no local, com o autor, com os bibliotecários e com os utilizadores. Fiquei com vontade de conhecer todas (as que ainda não conheci)!
August 12, 2024
Leitura obrigatória para quem gosta da área das bibliotecas.
Começa com uma ligeira introdução, de como surgiram as bibliotecas públicas, e depois o autor foca-se em 21 bibliotecas.
Começa com uma ligeira introdução, de como surgiram as bibliotecas públicas, e depois o autor foca-se em 21 bibliotecas.
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