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Um Dedo Borrado de Tinta, Histórias de Quem Não Pôde Aprender a Ler

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Casteleiro, no distrito da Guarda, é uma das freguesias nacionais com maior taxa de analfabetismo. Este livro retrata a vida e o quotidiano de habitantes desta aldeia que não tiveram oportunidade de aprender a ler e a escrever. É o caso de Horácio: sabe como se chama cada uma das letras do alfabeto, até é capaz de as escrever uma a uma, mas, na sua cabeça, elas estão como que desligadas; quando recebe uma carta tem de «ir à Beatriz», funcionária do posto dos correios e juntadora de letras.

Na sua ronda, o carteiro Rui nunca se pode esquecer da almofada de tinta, para os que só conseguem «assinar» com o indicador direito. Em Portugal, onde, em 2021, persistiam 3,1% de analfabetos, estas histórias são quase arqueologia social, testemunhos de um mundo prestes a desaparecer.

87 pages, Kindle Edition

First published February 1, 2024

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About the author

Catarina Gomes

6 books168 followers
Catarina Gomes é autora de quatro livros de não-ficção e do romance «Terrinhas» (Gradiva, 2022), ao qual foi atribuído o Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís.
«Coisas de Loucos» (Edições Tinta da China, 2020) tem como fio condutor uma caixa de objectos pessoais de antigos doentes deixada no hospital psiquiátrico Miguel Bombarda. Em «Furriel não é nome de pai» (Edições Tinta da China, 2018) quebrou um tabu, contando a história dos filhos que os militares tiveram com mulheres africanas e que deixaram para trás. Em «Pai, tiveste medo?» (Matéria-Prima Edições, 2014) aborda a forma como a experiência da Guerra Colonial chegou à geração de filhos de ex-combatentes. As três obras foram incluídas no Plano Nacional de Leitura. Tem contos publicados na revista Granta (Sono/Sonho, 2021) e no livro «Contágios» (editora Visgarolho, 2022). No seu último livro, «Um dedo borrado de tinta» (2024), editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, conta a história de pessoas que nunca puderam aprender a ler.
Jornalista do Público durante quase 20 anos, as suas reportagens receberam alguns dos prémios mais importantes na área, como o Prémio Gazeta (multimédia). Foi duas vezes finalista do Prémio de Jornalismo Gabriel García Márquez e recebeu o Prémio Internacional de Jornalismo Rei de Espanha.
www.catarina-gomes.com

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Displaying 1 - 30 of 50 reviews
Profile Image for Fátima Linhares.
1,024 reviews359 followers
February 27, 2024
Olívia não pensa muito na vida que podia ter tido se soubesse ler e escrever, o que gostava era de ter tido segredos. Ainda hoje. Não saber ler é a vida não ser só nossa, guardada em nós, não a darmos a conhecer se não tivermos vontade. Não conseguir ler é ter de partilhar, mesmo que não se queira. Resta à pessoa, ao menos, escolher quem nos lê a vida.

Este livro é a prova de que o conhecimento é muito importante, não só o de coisas práticas, mas também de coisas mais abstratas. Somos, pelo menos eu acho que sou, livres por sabermos juntar letras e dar-lhes sentido.
Profile Image for Rosie.
474 reviews59 followers
April 10, 2025
"Não saber ler é a vida não ser só nossa, guardada em nós, não a darmos a conhecer se não tivermos vontade. Não conseguir ler é ter de partilhar, mesmo que não se queira. Resta à pessoa, ao menos, escolher quem nos lê a vida." Pág. 82

Uma escrita com um grande sentido ético e de uma sensibilidade que cai bem nestas lides tão intrusivas e constrangedoras.

Histórias familiares e seu contexto histórico; escolhido um microcosmo num país que parece longínquo, mas que surpreendentemente, não o é.

Num relato muito transparente e comovente descobrimos então, que há duas três gerações atrás, encontramos um Portugal onde a pobreza, a ruralidade e o analfabetismo é confrangedor.
Um livro que perpassa por ser sistematicamente um desvio à conversa, um fazer-se de desentendido, porque ninguém quer (gosta) de falar sobre o que não sabem, mas antes salientar o tanto que sabem e fazem.

"Não aprendi a ler só aprendi a fazer." Pág. 45

Denota-se nesta gente simples um embaraço, uma sensação de incompletude por não dominar as letras, e por outro lado um brio em relação à capacidade de sobrevivência, ao asseio, ao labor que é feito de mãos e que de alguma forma faz suprir essa falha.

Ficamos a conhecer um provérbio desse tempo: "Pelo sangue entra a letra", que infelizmente ilustra bem a disciplina, o castigo físico e psicológico que as crianças vivenciavam nas escolas. Indescritível sinceramente.

O ensino era um privilégio só para alguns, poucos (obviamente mais meninos que meninas) e erroneamente outro provérbio "O saber não dá pão" que demonstra bem o quão o saber era desvalorizado.

Um livro que é uma jóia. Não se irão arrepender.

"A curiosidade sobre o passado dos nossos chega muitas vezes com o timing às avessas, quando já não os temos, ou se calhar é a própria curiosidade que brota e medra na irrefutabilidade da ausência. Sei que qualquer uma das assinaturas das minhas avós são fruto de um esforço, representam, apesar de tudo, uma conquista. Não sabiam ler, mas ao menos ninguém escreveria em seu nome «Não assina por não saber» nem lhes diria para molharem o dedo numa almofada de tinta." Pág. 81
Profile Image for Marta Silva.
338 reviews111 followers
June 9, 2024
“Detenho-me, por momentos, no indicador da mão com que segura a tenaz, a direita, e reparo como continua azul. Nesse momento, ocorre-me que o símbolo de todo este passado, desta falta, bem podia ser um dedo borrado de tinta.”

Oriundos de uma pequena freguesia do distrito da Guarda, foi lá que a autora encontrou os protagonistas deste livro.
Homens e mulheres de idade avançada, são eles que dão o seu testemunho sobre o que é ser analfabeto em Portugal.
Histórias, todas elas semelhantes, que a mim me fizeram recordar os meus avós e todos aqueles idosos que, mesmo sabendo fazer todas as letras, nunca chegaram a conhecer a magia das palavras.

Sem dúvida, a recomendar!
Profile Image for Ana.
103 reviews25 followers
May 18, 2024

Sobre Olívia, uma idosa que aprendeu a escrever o nome aos 80 anos, no lar onde se encontrava:

Com a tal professora que se foi embora, aprendeu que o seu número é o 35. O 35 não lhe mudou a vida por aí além, mas passou a poder entrar numa sapataria e virar a sola do sapato para ver se é do seu tamanho

Sobre aquilo que mais determinava a escolaridade/ou não de uma criança lê-se:

Neste tempo, para conseguir ir à escola, o primeiro obstáculo a ultrapassar era mesmo atingir a idade escolar, ou seja, não ter, até lá, morrido de doença ou de acidente.

A autora viaja até à freguesia de Casteleiro, no distrito da Guarda que, de acordo com os censos, é o local do país com maior incidência de analfabetismo. Aí conduz uma série de entrevistas a pessoas que não puderam aprender a ler. São percursos de vida muito duros que parecem saídos de um outro mundo vistos à luz do Portugal de hoje.

Um livro pequenino mas importante.
Profile Image for Margarida Galante.
507 reviews43 followers
April 14, 2024
Sabia que tinha que ler este pequeno livro. A Catarina Gomes escreve de uma forma que me encanta, com grande humanidade e sensibilidade, sendo este livro mais um exemplo do seu excelente trabalho.

Casteleiro, no distrito da Guarda, é uma das freguesias nacionais com maior taxa de analfabetismo. Tal como muitas outras aldeias no interior do país, tem uma população envelhecida, que vem de um tempo de pobreza extrema. Ir à escola e aprender não ajudavam a alimentar a família e as crianças trabalhavam desde cedo, no campo, a tratar dos animais, a cuidar dos irmãos mais novos. Daí virá o provérbio que, como a autora, eu não conhecia, "O saber não dá pão".

Catarina Gomes entrevistou vários habitantes da aldeia e estes contam-lhe partes das suas histórias de vida. O Sr. Horácio, a D. Isabel, a D. Conceição, o Sr. José e a D. Maria, a D. Emília ou a D. Olívia, a quem a vida não permitiu que fossem à escola, que tiveram uma infância roubada pelas circunstâncias em que nasceram. Histórias de um país que felizmente já não existe e cuja memória se vai esbatendo com o desaparecimento dos mais velhos.

"(...) nem pensa muito na vida que podia ter tido se soubesse ler e escrever, o que gostava era de ter tido segredos. Ainda hoje. Não saber ler é a vida não ser só nossa, guardada em nós, não a darmos a conhecer se não tivermos vontade. Não conseguir ler é ter de partilhar mesmo que não se queira."
Profile Image for Ana Rodrigues.
199 reviews13 followers
March 28, 2024
Assim que vi este título associado ao nome de quem o escreveu não hesitei em comprá-lo. Soube que iria valer a pena. E valeu.

Nestas páginas encontrei as histórias de pessoas a quem não foi dada a oportunidade de ler e escrever. Independentemente da razão, nenhum deles aprendeu a juntar as letras, nenhum deles passa sem ir à “decifradora” Beatriz, é ela quem lhes lê qualquer carta que recebam, nenhum deles tem a vida só deles, todos a têm que dar a conhecer com ou sem vontade. Nenhum deles passa sem borrar o dedo de tinta, porque só assim o carteiro Rui lhes entrega a correspondência que carece de assinatura.

Estas pessoas fazem parte de uma pequena percentagem de analfabetos em Portugal. Estas pessoas merecem que se fale e se escreva sobre eles. E a Catarina Gomes honrou-os neste livro.
Um livro feito de realidades duras, não muito distantes no tempo, mas escrito com nobreza, onde cada um deles foi a personagem principal da sua história.

Estes testemunhos não se podem perder.
Profile Image for Joana da Silva.
507 reviews787 followers
November 18, 2024
A Catarina Gomes foi a melhor descoberta de 2024 para mim. Que escrita deliciosa e que forma tão humana e bonita de retratar vidas que nem sempre foram as mais fáceis.
Profile Image for Marta Clemente.
779 reviews20 followers
May 5, 2024
Gosto muito da escrita da Catarina Gomes! Quer os seu romance "Terrinhas", quer os seu livros de não ficção que já li são excelentes leituras!
Este "Um dedo borrado de tinta" não é exceção.
Este livrinho foi editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos na sua coleção Retratos da Fundação que "traz aos leitores um olhar próximo sobre a realidade do país. Portugal contado e vivido, narrado por quem o viu - e vê - de perto."
A autora foi ao Casteleiro, aldeia de Portugal onde, segundo os censo de 2011, havia na altura a maior taxa de analfabetismo do país, e conversou com as suas gentes. Da forma exímia a que nos habituou, relata-nos essas conversas de tempos bem mais miseráveis, em que os direitos das crianças eram uma utopia bem distante!
Muito bom!
Profile Image for Rita Ramalho.
69 reviews5 followers
March 22, 2025
A Catarina Gomes é uma boa contadora de histórias e o universo das pessoas analfabetas, de como entendem um mundo cheio de letras e números, criou-me sempre curiosidade. Vale muito a pena ler este livro e entender o privilégio que temos ao conseguir fazê-lo.
Profile Image for Mariana.
124 reviews7 followers
April 4, 2024
"Um dedo borrado de tinta" é uma bonita e comovente homenagem às mulheres e aos homens que não puderam aprender a ler. Catarina Gomes entrevista algumas destas pessoas em Casteleiro, freguesia que em 2011 registava a maior taxa de analfabetismo do país, e explora a sua vida e a sua infância, apoiando-se em testemunhos e em estudos académicos sobre as condições da escolaridade durante o Estado Novo.

Numa época em que a mortalidade infantil era elevada, a pobreza um mal comum que se estendia à maioria das famílias (a necessidade da ajuda imediata dos filhos sobrepunha-se à sua educação, vista como um benefício incerto e distante) e em que na escola se aprendiam as letras pelo medo – através dos castigos físicos e psicológicos que deixavam marcas traumáticas –, o analfabetismo tornou-se uma lacuna gritante na vida de muitos e, infelizmente, raramente foi reparada. A taxa de analfabetismo tem vindo a diminuir não porque se tenha facultado o ensino às pessoas que não o puderam frequentar mais cedo, mas porque estas pessoas estão a desaparecer. Comovi-me ao ler os testemunhos dos entrevistados – pessoas altamente capazes e resilientes, que não tiveram as condições necessárias para frequentar o ensino. A história de vida destas pessoas é bastante diversa, com o denominador comum de que a pobreza e a falta de condições os impediu de iniciar ou continuar os estudos. Algo que nunca me tinha ocorrido é que o analfabetismo é variado e possui diferentes graus; certas pessoas reconhecem letras soltas e até conseguem assinar o seu nome de memória, mas isso não significa que sejam capazes de ler. O que mais me revoltou foi o tratamento diferente que era dado aos alunos de famílias pobres, que eram muitas vezes postos de parte na sala de aula, acabando os professores por não lhes ensinar nada.

O meu avô era analfabeto e foi talvez por isso que o título deste livro me chamou a atenção. Tal como a autora, infelizmente só me apercebi do significado desta falta e e só lhe ganhei curiosidade quando já era tarde e não era mais possível perguntar diretamente ao meu avô. A leitura deste livro ajudou-me a apaziguar um pouco as questões que me foram surgindo.

Depois desta leitura, sinto que valorizo ainda mais a conquista do direito à educação. E vou recordar aqueles que vieram antes de nós e não tiveram a mesma sorte.

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"Eu, que escolhi como profissão escrever, provenho de três gerações de mulheres que não sabiam ler, mas sei que estas são apenas as que conheço, aquelas em que ficou escrito que não escreviam. Quanto mais tempo para trás no espaço familiar, menos letras."
Profile Image for Helena | Lés-a-Ler.
93 reviews11 followers
August 4, 2024
Um dedo borrado de tinta: Histórias de quem não pôde aprender a ler retrata a vida e o quotidiano de habitantes de Casteleiro, no distrito da Guarda, que não tiveram oportunidade de aprender a ler e a escrever.
Casteleiro é, hoje, uma das freguesias nacionais com maior taxa de analfabetismo, num país em que, em 2021, persistiam 3,1% de analfabetos.
São histórias de pessoas, como Horá, que até sabe como se chama cada uma das letras do alfabeto, sendo até capaz de as escrever uma a uma, mas que não as consegue interligar. São histórias de pessoas que, quando recebem uma carta, têm de ir em busca de alguém que a consiga ler. São histórias de pessoas que, quando o carteiro lhes vem trazer a reforma, não sabem assinar e precisam do auxílio da almofada de tinta para poderem “assinar” com o indicador direito.
E são histórias que me são próximas e que, por isso, me vão levar a uma reflexão mais do que a uma review.
Cruzei-me com este livro algures no Goodreads e soube imediatamente que tinha de o ler. É um tema que me é querido e é uma ideia que quero há muito explorar, embora continue a adiar.
Demorei muitos anos a perceber porque é que, sempre que íamos a um restaurante e entregavam a ementa à minha avó, ela se tinha esquecido sempre dos óculos. Como é que alguém que precisa de óculos se pode esquecer tantas vezes deles?
Já perdi a conta à quantidade de vezes em que o meu avô disse que o dia mais triste da vida dele até hoje foi o dia em que teve de sair da escola, que até chorou.
E comecei também a perceber a razão para, do outro lado da família, estas coisas nunca terem sido um tema. Para eles nunca foi uma questão, uma possibilidade. O trabalho era no campo e em casa, a ser mãe para os irmãos.
E, ainda assim, ou talvez por causa disso, estas parecem-me as histórias de vida mais interessantes para explorar. O tempo é escasso e eu ando a adiar sentar-me com os meus avós e questioná-los sobre isto. Um pouco por medo do que eles podem ter para me dizer, um pouco por medo de não ser capaz de fazer o que quero com isso.
Talvez cada pessoa devesse ter um livro da sua vida para os seus descendentes poderem consultar. Mas como não é assim, talvez eu devesse pegar numa caneta e registar as histórias que em breve não poderão mais ser contadas, antes que estas fiquem perdidas para sempre.

“Olívia nem pensa muito na vida que podia ter tido se soubesse ler e escrever, o que gostava era de ter tido segredos. Ainda hoje. Não saber ler é a vida não ser só nossa, guardada em nós, não a darmos a conhecer se não tivermos vontade. Não conseguir ler é ter de partilhar, mesmo que não se queira. Resta à pessoa, ao menos, escolher quem nos lê a vida.”
Profile Image for Leonor Andrade.
151 reviews1 follower
November 20, 2025
Amei! Mesmo impressionante e comovente ler a história destas pessoas que não sabem ler mas que são incríveis. Lê-se tão bem, adorei os factos encontrados em estudos que vão aparecendo ao longo do livro.
115 reviews1 follower
March 6, 2024
Conta, de uma forma comovente, a história daqueles que não aprenderam a ler.
33 reviews
March 21, 2024
Está tão bem escrito, este livro. Conta de forma muito carinhosa as vidas sem letras daqueles que não tiveram sequer opção de escolha relativamente à aprendizagem da leitura e da escrita.
Profile Image for Jéssica Pedro.
376 reviews13 followers
March 22, 2025
Os meus avós não sabem ler. Cresci a ver isso como uma normalidade, a pensar que nenhum avô ou avó sabia ler. Quando entrei na escola, no centro de Lisboa, percebi que já não era assim tão normal. A minha avó, vinda de um Pombal rural, e o meu avô, vindo de uma Alcântara pobre: a avó proibida pelos pais de frequentar a escola, o avô desinteressado e sem ninguém a lutar por ele.
Quando tinha 8 anos, o meu avô pediu que o ensinasse a ler, maravilhado com o facto de eu o saber, para ele, tão bem. E eu tentei, com a paciência que os seus filhos nunca tiveram, filhos que nunca compreenderam o porquê dos seus pais não saberem algo que para eles era tão básico como respirar.
Não o consegui ensinar, mas o meu avô orgulha-se, ainda hoje, de saber assinar e vai treinando a sua assinatura. A minha avó já não o sabe fazer, mas já soube, e tenho a assinatura dela tatuada no meu pulso.
Os meus avós poderiam fazer parte deste bonito livro da Catarina. Há algo que esta mulher maravilhosa escreva que não seja carregado de empatia e compaixão?
Obrigada, Catarina, por dares voz e palco a estas pessoas, por mostrares que são inteligentes, não da maneira que a sociedade valoriza, mas da maneira que importa.
Profile Image for Diana.
522 reviews74 followers
September 26, 2025
Cada vez mais gosto de ler estes relatos de vidas reais, e a Catarina conta-os tão bem!
“Um dedo borrado de tinta” vem-nos falar sobre aqueles que não tiverem oportunidade de ler e escrever e mostrar-nos que somos uns sortudos hoje em dia por irmos à escola. Ainda assim, nos dias de hoje, existem crianças que apesar de irem à escola, a mesma não tem os recursos humanos suficientes para ajudar essas crianças a ultrapassar as suas dificuldades e terminarem um 1.º ciclo a saber ler e escrever.
Este livro fez-me ainda pensar nas minhas avós que não sabiam ler nem escrever, e que tal como a passagem abaixo diz e bem, hoje é tarde para saber a história por detrás disso.

📚 “A curiosidade sobre o passado dos nossos chega muitas vezes com o timing às avessas, quando já não os temos, ou se calhar é a própria curiosidade que brota e medra na irrefutabilidade da ausência.”
Profile Image for Isabel M.Teixeira.
83 reviews11 followers
April 16, 2024
É o terceiro livro que leio da Catarina Gomes e apesar de serem todos sobre temas diferentes, o facto é que todos têm aspectos em comum. O que mais destaco é a capacidade de nos envolverem de tal forma que parece que estamos "lá" a presenciar tudo o que nos está a ser contado.
Que livro incrível!
Profile Image for Diana Ferreira.
51 reviews5 followers
November 9, 2024
Que maravilha! Quero ler tudo o que Catarina Gomes escreve. A sua não-ficção é sempre de um cuidado e sensibilidade; é sempre, e acima de tudo, uma homenagem às pessoas sobre quem escreve.

"(...) Nem pensa muito na vida que podia ter tido se soubesse ler e escrever, o que gostava era de ter tido segredos. Ainda hoje. Não saber ler é a vida não ser só nossa, guardada em nós, não a darmos a conhecer se não tivermos vontade. Não conseguir ler é ter de partilhar, mesmo que não se queira. Resta à pessoa, ao menos, escolher quem nos lê a vida."
Profile Image for Leonor Salema.
100 reviews2 followers
January 9, 2025
Um livro de não-ficção sob o formato de várias entrevistas realizadas a residentes analfabetos numa aldeia de Guarda, foi muito interessante colocar-me no ponto de vista de alguém que não sabe escrever ou ler e pensar que não há muitos anos atrás a escolaridade não era um direito assegurado. Adorei a escrita da Catarina, muito curiosa para ler mais coisas dela!
Profile Image for Célia Rodrigues.
109 reviews
August 25, 2024
Um livro pequenino em tamanho, mas enorme nas emoções que provoca! Uma viagem à minha infância, na aldeia, rodeada de pessoas que não tiveram oportunidade de aprender a ler nem escrever. Que saudades das histórias que contavam....
Profile Image for Kathy Lopes.
204 reviews11 followers
December 29, 2024
Gostei desta leitura, fez-me recordar os meus avós. Em poucas páginas, relembra-nos a sorte que temos em poder ir à escola, saber ler e escrever.
Profile Image for Catarina.
240 reviews8 followers
February 13, 2025
Mais um excelente livro da FFMS! Permite-nos conhecer realidades diferentes, o formato é muito cativante e fácil de ler, como uma super reportagem mas com uma atenção literária.

Empolgada para pegar no Coisas de Loucos da Catarina Gomes
Profile Image for Cristina Delgado.
255 reviews72 followers
June 28, 2024
Título brilhante para um tema escrito com o mesmo brilhantismo porque abordado com muita sensibilidade. Catarina Gomes é assim que escreve. Leiam, se não o fizeram já "Coisas de Loucos" porque se reconhece no tratamento do tema aí tratado, o mesmo cuidado com o intuito de não ferir susceptibilidades.

Nesta obra, e porque se trata de entrevistas a pessoas de muita idade e com um caminho de vida duro a quem o não saber ler impactou sobremaneira, o cuidado e o respeito mostrava-se necessário.

Gosto particularmente quando a autora se coloca na narrativa, explicando as dificuldades sentidas na abordadem ao fazer as entrevistas sem, mesmo assim, se colocar num lugar de destaque. A personalidade e a vontade dos entrevistados são respeitados e a informação brota porque se sentem bem.

Um périplo por tempos em que não saber ler era uma coisa aceitável à qual nem todos tinham acesso. Gostei muitíssimo e recomendo!

"Não saber ler é a vida não ser só nossa, guardada em nós, não a darmos a conhecer se não tivermos vontade. Não conseguir ler é ter de partilhar, mesmo que não se queira. Resta à pessoa, ao menos, escolher quem nos lê a vida." pag 82 - referência feita aos leitores amáveis que lêem cartas/documentos a todos os que não sabem ler.
Profile Image for Bárbara Costa.
242 reviews55 followers
December 30, 2025
Um dedo borrado de tinta é uma pequena cápsula do tempo que preserva uma realidade histórica dura cada vez mais esquecida.
Não há dúvida de que a alfabetização é crucial para o progresso pessoal. Assim, com a sua sensibilidade característica, Catarina Gomes procura conhecer e perceber melhor como é a vida de alguém que não aprendeu a ler nem escrever, mas vive rodeado de letras sem lhes conseguir extrair sentido. Vão também sendo exploradas várias causas desta iliteracia, como o trabalho infantil, castigos físicos nas escolas com consequências duradouras, ou a mortalidade assustadoramente alta de crianças que nunca chegaram a ter idade de ir à escola.
Os testemunhos, agora octo ou nonagenários, recontam as suas memórias esbatidas de infância, sem nunca serem inferiorizados pela autora, que procura mostrá-los de forma delicada e humana. Ficam assim preservadas e celebradas as suas vitórias, apesar de todas as dificuldades do passado, deixando o leitor a refletir sobre o direito à instrução básica que, felizmente, hoje já é dado como garantido.
Profile Image for Belem.
165 reviews3 followers
December 5, 2025
Um olhar delicado e cuidado sobre o analfabetismo que ainda subsiste em Portugal. Não na perspetiva das estatísticas e das tendências (que também são incluídas, de forma clara e concisa), mas nas histórias reais, nas emoções, na dimensão humana e social de não ser capaz de ler e de escrever.

As razões (económicas, mas também políticas e culturais) são as que conhecemos. Mas estes testemunhos (e as suaves reflexões da autora) obrigam-nos a ir para lá da superfície dos dados, das causas e das consequências.

A minha avó (nascida em 1927) não sabia ler nem escrever. Chegou a ir à escola por pouco tempo, abandonou na segunda classe. Em adulta, sabia escrever o nome (mas evitava, constrangida), conhecia os números o suficiente para lidar com assuntos de dinheiro do dia a dia. E vivia rodeada de filhos, netos e marido, todos capazes de ler e escrever, que assumiam em geral essas tarefas. Ao meu avô valeu-lhe fazer a 4ª classe em adulto, para compensar o que não tinha aprendido na idade certa. Julgo que só voltou à escola porque precisou (para tirar a carta?). E isso mudou completamente a sua vida a partir daí. Ainda bem que o fez. Tenho dúvidas se teria hoje as habilitações literárias que tenho caso o meu avô tivesse permanecido analfabeto em adulto. Sempre insistiu para os filhos estudarem, mas nenhum deles se aplicou o suficiente para completar o nono ano. O orgulho veio com os netos: todos estudaram o suficiente; quase todos completaram um curso universitário. Talvez não tenhamos noção o quanto lhe devemos isso, a ele, ao seu esforço e à sua visão. Apesar de termos sido crianças noutra época - pós-25 de abril.

Voltando ao livro: excelente ideia, excelente escrita. Vale bem a pena ler.

"O tratamento e atenção que recebiam dependia, quase sempre, do estrato social a que pertenciam"
"Em vez de fatalismo, do "era assim a vida", o seu relato transforma-se em narrativa de destino não cumprido."
"Agora é que lhe acho um erro. Éramos pobres, mas ao menos tinham-nos dado as letras."
"Não saber ler é a vida não ser só nossa, guardada em nós, não a darmos a conhecer se não tivermos vontade. Não conseguir ler é ter de partilhar, mesmo que não se queira."
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