'Solo de clarineta' é uma obra múltipla - reflexões de um escritor sobre sua ficção e a arte literária, testemunho de um período da história brasileira e mundial, e retrato de uma família que parece tirado de um romance. O leitor mergulha no caldo da matéria-prima de onde brotou a obra do autor de 'O tempo e o vento' nos dois volumes que revelam a trajetória da família Verissimo, desde Erico garoto, passando pela decadência econômica da família, pela luta da mãe para manter os filhos com o trabalho de modista, pelas leituras de um menino à sombra de uma ameixeira-do-japão, até a consagração de Erico Verissimo como um dos escritores mais importantes da literatura brasileira. Neste segundo, que se abre com as bodas de Clarissa, registra as andanças do escritor pelos Estados Unidos e pela Europa. Inacabada, essa segunda parte foi organizada postumamente por Flávio Loureiro Chaves e publicada em 1976.
Erico Verissimo (December 17, 1905 - November 28, 1975) is an important Brazilian writer, who was born in Rio Grande do Sul. His father, Sebastião Veríssimo da Fonseca, heir of a rich family in Cruz Alta, Rio Grande do Sul, met financial ruin during his son's youth. Veríssimo worked in a pharmacy before obtaining a job at Editora Globo, a book publisher, where he translated and released works of writers like Aldous Huxley. During the Second World War, he went to the United States. This period of his life was recorded in some of his books, including: Gato Preto em Campo de Neve ("Black Cat in a Snow Field"), A Volta do Gato Preto ("The Return of the Black Cat"), and História da Literatura Brasileira ("History of Brazilian Literature"), which contains some of his lectures at UCLA. His epic O Tempo e o Vento ("The Time and the Wind'") became one of the great masterpieces of the Brazilian novel, alongside Os Sertões by Euclides da Cunha, and Grande Sertão: Veredas by Guimarães Rosa. Four of Veríssimo's works, Time and the Wind, Night, Mexico, and His Excellency, the Ambassador, were translated into the English language by Linton Lomas Barrett. He was the father of another famous writer of Rio Grande do Sul, Luis Fernando Veríssimo.
Título: Solo de clarineta vol. 2 Autor: Erico Veríssimo Editora: Cia das Letras Páginas: 296 Minha classificação: ⭐️⭐️⭐️
_____________________________________ As memórias de Erico Veríssimo contidas nos dois volumes de Solo de Clarineta são um primor. Elas traçam o retrato do escritor gaúcho desde as mais tenras lembranças da sua infância. Nessas descrições, além das impressões colhidas por Erico, pude entender boa parte do seu universo literário, que originaram personagens marcantes, sobretudo as contidas na garbosa trilogia O Tempo e O Vento. O primeiro volume trata mais dessas recordações vividas em Cruz Alta até os primeiros anos de fama de Erico e o casamento de sua filha Clarissa com o norte-americano Dave Jaffe. Li quase que de uma sentada, justamente por trazer praticamente a formação do escritor. Já o volume 2 enfoca o nascimento dos netos, filhos de Clarissa, as constantes viagens do casal Veríssimo aos Estados Unidos, a alguns países latino-americanos, o surgimento dos problemas cardíacos que haveriam de levar o escritor à morte em 1975, bem como a detalhadíssima (e maçante, confesso) viagem a Europa. Além de traçar um retrato pessoal é revelador de vários lugares (fiquei bastante embevecido com as andanças por cidadelas portuguesas), Erico não exita em impor sua opinião política contrária à regimes totalitários, como o Salazarismo presente na Península Ibérica. Isso porque Erico era um escritor extremamente engajado na liberdade e como intelectual e homem de letras o fez belamente. Erico não chegou a concluir suas memórias, que foram postumamente organizadas por Flávio Loureiro Chaves que as publicou no ano seguinte à morte de Erico, 1976.
Um 2º volume brilhante, como qualquer livro do autor. A enorme lucidez do escritor versa sobretudo na viagem a Portuga feita com a esposa e o filho em 1959. As análises de Veríssimo ao que o país era na altura são geniais, não descurando as questões sociais. Este volume foi terminado postumamente, a partir de notas do autor.
A segunda parte da autobiografia de Veríssimo é uma obra inacabada.
Neste volume, Veríssimo já rememora fatos mais recentes em sua vida, como o casamento da filha e as viagens pela Europa e América do Norte.
Como parte de suas divagações, é possível perceber o fascínio que o autor gaúcho tinha pelas outras culturas e seu desespero em trazer novas técnicas literárias para o universo brasileiro - as mesmas pelas quais depois seria vilipendiado por muitos críticos e escritores devido ao seus "estrangeirismos".
Uma das partes mais interessantes é sua interpretação de sua grande saga "O Tempo e o Vento". Muitas análises já foram escritas sobre tal, e Veríssimo vai mais além ao afirmar que os primeiros livros - ainda com herois e heroínas - foram perdendo sua estima ao se defrontar com suas últimas propostas que ele encontrava dificuldade em transpor para o papel.
Ainda me lembro do choque que tive na primeira vez que abri um livro de Érico Veríssimo. Como algo tão bom já havia sido escrito e eu ainda não lera?
O primeiro volume de Solo de Clarineta, uma espécie de autobiografia que também traz apontamentos de seus outros romances - incluindo Clarissa - é uma incursão na vida pregressa do autor em que ele comenta sua infância, suas influências literárias e por fim a ideia de que a literatura brasileira poderia ser mais.
São mais de trezentas páginas de memórias e discussão política, mas tudo na prosa característica do autor. Recomendo a todos aqueles que adoram seu estilo minucioso, ainda que seco.
A qualidade da impressão pode parecer fraca a primeira vista, mas a minha já tem quase trinta anos e continua com a lombada dura e as folhas preservadas.