Neste novo livro, Pedro Strecht, médico de psiquiatria da infância e adolescência, debruça-se sobre a ânsia de perfeição dos pais de hoje e a pressão que exercem sobre os filhos para estes atingirem a excelência a todos os níveis. Ao querermos ser pais perfeitos, projetamos esse desejo nos nossos filhos e acabamos por exigir deles não apenas o melhor, mas o topo dos topos: há que exibir aos outros a imagem de uma vida perfeita e irrepreensível. No entanto, esquecemo-nos de que simplesmente não é possível — e nem sequer desejável — estarmos constantemente no topo, o que abre o caminho à sensação de culpa e de fracasso.
O resultado é uma tensão insustentável e permanente pautada pela insegurança que nos desgasta a nós e aos nossos filhos. Como tal, aquilo que deveria ser uma experiência mágica — a relação entre pais e filhos — transforma-se numa mera troca de exigências, em que nem mesmo o melhor parece chegar. Assim, longe de adultos e crianças que «têm tudo para serem felizes», temos uma sociedade à beira do burnout e cada vez mais ansiosa e/ou deprimida, consequência de uma vida que se deseja sempre perfeita, de desempenho inabalável e continuado, em que se tornam raras as experiências emocionais realmente importantes e que o bem-estar económico não revela nem compra.
Tomando como ponto de partida o conceito de «suficientemente bom» do pedopsiquiatra britânico Donald Winnicott, Pedro Strecht reflete naquilo em que consiste verdadeiramente a felicidade dos nossos filhos. É, pois, urgente alterarmos as nossas prioridades e retirarmos o foco do que reside somente no plano material, dando primazia à qualidade da educação, ao tempo em família, à alegria na relação e na vida social e ainda a valores como a honestidade, a solidariedade, a compaixão para com o outro, sobretudo se mais frágil e desprotegido. E tudo isso não têm por que implicar sermos pais perfeitos - podemos «apenas» ser pais suficientemente bons.
Pedro Strecht, médico de Psiquiatria da Infância e da Adolescência, trabalhou no Departamento de Pedopsiquiatria do Hospital de D. Estefânia em Lisboa, foi professor do Ensino Secundário Oficial e Particular e Supervisor da Comissão Regional de Lisboa do Projeto de Apoio à Família e à Criança. Fez breves estágios na Tavistock Clinic, Brent Adolescent Centre, em Londres, e na Mulberry Bush School, uma comunidade terapêutica que acolhe e trata crianças vítimas de privações emocionais múltiplas. Para além da actividade privada, é médico do Centro de Estudos Dr. João Santos "Casa da Praia" e da Cooperativa "A Torre". Colabora na revista "Pais e Filhos". Trabalhou e colaborou com Teresa Ferreira e Daniel Sampaio, entre outros. Começou a publicar em 1993. Dos seus vários livros destacamos Crescer Vazio, Preciso de Ti - Perturbações Psicossociais em Crianças e Adolescentes, Recados do Tempo do Menino Jesus - Histórias de Natal para Crianças, Interiores - Uma Ajuda aos Pais sobre a Vida Emocional dos Filhos e Quero-te Muito - Crónicas para pais sobre filhos.
Gostei do tema e da narrativa. Muitos dos comportamentos expostos no livro, quer de pais quer de jovens, parecem saídos de um filme de terror - e carecem de ser difundidos. É uma chamada de atenção importante, embora suspeite que muitos pais que deviam ler este livro não o vão fazer. O autor corre o risco de pregar aos já convertidos. O estilo de escrita pareceu-me um pouco desorganizado, parece que estamos a ouvir o autor debitar sempre as mesmas mensagens em todos os capítulos, assemelhando-se a um discurso não muito bem preparado. Mas o conteúdo está lá e é top, sendo fácil de ler e acompanhar as ideias.
Gostei muito do livro e do modo como fala da cultura do elitismo escolar que hoje exlste muito mas embora certos tópicos sejam claramente problemas de classes sócio económicas mais elevadas também é possível extrapolar para a classe média