Ao retratar um relacionamento marcado sobretudo pela violência psicológica, Jeovanna Vieira apresenta uma das estreias mais empolgantes da ficção brasileira.
Virgínia é uma carioca convicta radicada em São Paulo, que trabalha como advogada de dia e desfruta da cidade à noite. Certa vez, no Aparelha Luzia, encontra Henrí, um ator argentino que ela conhecia de vista, com quem tem uma conexão imediata. Mas é apenas questão de tempo até que aquele relacionamento tão intenso ganhe contornos nocivos, acentuados por diferenças culturais, de gênero e de raça. E, enquanto os flashbacks mostram a história dos dois, uma celebração no Bosque da Saúde vira o palco de uma série de eventos que colocará o namoro deles inteiro em perspectiva. Narrado com capítulos curtos em um ritmo vertiginoso, Jeovanna Vieira constrói uma obra de estreia aterradora, que explora a complexidade humana em todas as suas formas: nossas fragilidades e nossos defeitos, a capacidade que temos de infligir dor em nome do amor e, sobretudo, o poder de sermos resgatados, mesmo quando nos falta coragem.
"Um romance que assombra pela descrição do horror do real. Um livro clínico aceso às discussões contemporâneas, que vão desde questões de raça a violências de um relacionamento abusivo. Jeovanna Vieira escreveu uma narrativa que flerta com a dramaturgia. Um livro de pausas, li querendo desler, desviver, ao mesmo tempo que fui seguindo página a página de modo compulsivo. Virgínia mordida é uma urgência, um alerta, um ebó." -- Luciany Aparecida
"Relacionamento tóxico e violento é antigo demais para ser um acaso. Virgínia sabe e não se furta em amar quem a fisga. Mas há uma missão e ela é ancestral: 'firmar a minha geração e criar nódoa na memória dos galhos'. Romance galopante, sem rodeios. Nu, cru, imperdível." -- Andréa del Fuego
nossa, que leitura intensa. amei a escrita da autora (por mais q a forma como ela escreve diálogos tenha me irritado mt, pq eu não vi propósito) e não consegui largar o livro enquanto não terminei. os capítulos curtos, somados com a escrita nua e crua dela, faz com q a leitura seja muito fluida e vc não pare d ler até q as coisas se resolvam — se eͪ q elas vão se resolver
peguei esse livro pra ler achando q seria um drama e q seria “gostoso” ler o livro… eu não poderia estar mais errado. esse livro tá muito mais próximo de um livro de terror psicológico do q d um drama. odiei cada segundo da leitura, tamanha violência. apesar d achar o livro MUITO bom e recomendar pra todo mundo, eu não quero nunca mais passar PERTO dele, pq só se lembrar d algumas cenas específicas, meu estômago já embrulha
apesar d tudo isso, o livro também tem suas belezas. as partes em q ela fala sobre a família enchem meu coração d amor. cresci numa família q, apesar d preta, não tinha consciência racial e repetia discursos racistas a torto e à direito, então a forma como ela lida com a família dela mexeu d+ cmg!!! muito lindo & inspirador
"fui indo embora aos poucos. mala pequena, alguns livros. tão levinho que eu acho que nem doeu."
"Virgínia mordida" é a história de libertação de uma mulher de um relacionamento abusivo, e de como ter uma rede de apoio (amigas e família) é fundamental nesses momentos.
Esse é um livro de capítulos curtos, escrita direta e cenas desconfortáveis (para dizer o mínimo). A violência vai escalando conforme a narrativa avança, e acompanhamos um enredo espiralar e ausente de marcações de diálogo, reflexo da confusão mental da protagonista. Li rápido, movido pela angustia de querer saber se a protagonista sairia dessa situação e quais marcas isso deixaria nela.
É um bom livro de estreia. Forte, impactante. Um trabalho de investigação sobre as formas de abuso e como alguém se vê numa situação assim. Achei bem construído, embora quisesse ter tido um pouco mais de acesso à mente da protagonista. Mas até isso é intencional. Se ela tivesse mais tempo para elaborar suas questões, não estaria passando por isso. O abuso também sequestra esse espaço pessoal de reflexão.
Entender o título, ao final, é de partir o coração.
Recomendo, mas com cuidado para quem considera esses temas sensíveis. Há cenas bem descritivas aqui.
pela temática que o livro aborda eu poderia jurar que ele me cativaria do início ao fim mas esse livro não funcionou pra mim de jeito nenhum. achei meio fraco, essa é a verdade. mas queria que alguém lesse pra falar comigo sobre.
virgínia mordida é um livro que fala muito sobre relacionamentos, sejam românticos ou platônicos, sobre a importância dessas conexões mas tudo por uma lente nada romantizada, sempre com as falhas que encontramos nestes relacionamentos.
a estrutura do livro —seus capítulos curtos— torna a leitura muito rápida, mas sem perder a profundidade da história. e seus diálogos integrados ao texto tornam a obra dinâmica, sem tornar o livro confuso.
nossa protagonista é tem uma jornada muito expressiva, com seu ponto final apresentando uma versão bem diferente da imagem que é criada. isso é muito proposital, e é necessário a leitura para entender.
henrí, ao mesmo tempo que encanta, também se prova ser da pior raça do ser humano. me trouxe muita agonia ler todos os acontecimentos do livro, muita raiva pela protagonista se manter nesta prisão, mas muito encantamento com a cena dele com a criança que chorava, me senti por um momento como a própria personagem.
adorei conhecer as amigas de virgínia e da representatividade que elas carregam. uma tem nanismo e outra é lésbica. e as três são mulheres que vivem vidas reais. sinto que eu teria uma boa conversa com as três em um bar, falando sobre diversos assuntos.
são paulo, de certa forma, também se torna um personagem dentro do livro. a maior parte da história se passa na capital paulistana mas também temos a bahia, rio de janeiro e belo horizonte como cenários desta história.
gostei muito de como o relacionamento de virgínia e henrí terminou, estava torcendo um final abrupto, um corte seco, sem olhar para trás mas penso que a forma que foi trabalhada trouxe uma camada de realidade para a história.
Uma leitura muito didática sobre o que é o abuso em um relacionamento. Com capítulos curtos e uma história ágil, ele transborda de temas espinhosos que devem ser discutidos e analisados em relacionamentos amorosos.
Uma vez, eu ouvi que precisamos de mais livros em que os personagens são pretos, mas a história não é sobre ser preto - e eu acredito que "Virgínia Mordida" caia nessa definição. Obviamente, não dá para uma história com personagens pretos não ser trespassada pelo racismo estrutural ou por questões sociais gravíssimas, e no livro de Jeovanna Vieira vemos isso, mas há também outras dimensões.
É uma história contemporânea, urbana, de mulheres - e no começo da narrativa parece quase forçado demais o posicionamento da personagem principal, Virgínia, como bem sucedida, uma família bem estabelecida, que a bisavó (ou tataravó?) era uma parteira renomada, e a mãe é engenheira - não estamos na periferia do Rio de Janeiro (de onde é a família) ou de São Paulo (onde Virgínia vai morar e conhece o namorado, Henrí).
Depois, quando já nos posicionamos bem com os personagens - Virgínia, o ex-marido, as amigas, o namorado novo, a família, etc - a trama flui melhor, e a mordida do título acaba por doer também em nós.
A trama é sobre abuso, e quais são os mecanismos que permitem que ele ocorra - e que não há formação, educação ou amizades bem intencionadas que possam salvar alguém.
*Eu agradeço a editora Companhia das Letras pela cópia em troca da publicação de uma resenha.
Não sei dizer exatamente se o que me desagradou foi a quantidade de capítulos, as pausas dramáticas, as sucessão de referências, a futilidade das descrições dos lugares, bebidas, das caricaturas de todos os personagens, os diálogos cheios de gírias e palavrões e frases de efeito saídas diretamente do tuíter ou o fato de a Virgínia ser tudo isso e ser muito chata, senti pena dela, é claro, mas achei ela uma chata, que raiva, vontade de dar uns tapa.
virgínia mordida traz à tona com crua violência o relacionamento abusivo. a vida, a existência, o corpo da mulher preta / em especial, sob a ótica do homem branco estrangeiro. as raízes de uma família, conectando brasil e áfrica, são paulo e rio de janeiro, cada galho ao tronco — a importância de um tronco forte para se amparar. a dicotomia de querer e não querer/conseguir integrar mundos tão distintos. o desespero violento de querer tanto ficar mas precisar tanto ir embora. a importância de uma boa rede apoio. uma voz narrativa potente, estilo de escrita certeiro e consciente (talvez tão internalizado que diferenciar diálogos pode ser desafiador no começo, mas justificado; a experiência de alguém em situação de abuso pode internalizar muita coisa), um texto carregado de identidade.
estou empolgado para ler os próximos romances da autora.
a autora trabalhou de uma forma muito interessante, com o relacionamento abusivo em primeiro plano, mas cercado por outras temáticas que trazem profundidade ao livro. achei muito bonita a forma que ela construiu a família e os afetetos da protagonista. mesmo assim, algo no tom da escrita e na construção da narrativa me incomodou durante a leitura.
"não é perigoso que os adultos se permitam viver essa dose de fantasia, empregando os sempres, os nuncas, os jamais em qualquer frase, como se acreditassem no seu significado?"
Um retrato perfeito da solidão da mulher negra em relacionamentos abusivos.
O nome do livro é um tanto curioso do que pode vir na história, além do contexto da capa belíssima. Sem muito devaneio, vamos sendo apresentados para capítulos curtos que devoramos em um fôlego, uma escrita ousada, sincera, crua e muito real: quem viveu um relacionamento abusivo vai querer abraçar a Vírginia (ou gritar para ela correr o mais longe dali). As amigas possuem suas próprias vidas, mas nunca deixaram de ser seu farol quando alguma coisa saía errado, um verdadeiro laço.
Virgínia se separa de um casamento de anos, em que já não sentia mais a mesma coisa. Depois da vida de solteira, se envolveu com um homem já conhecido como problemático. Num certo momento, ela se vê como sua mãe: tenta proteger ele das situações em que eles está errado. É didática, é carinhosa, ele é violento, soberbo, manipulador e bom... A gente vai ficando louca junto com a Virgínia em tamanha presepada que ela se encontra.
De viagens até almoços, a relação fica desgastante, ao ponto dele pedir um BEBÊ para ela. Um absurdo, apenas para fazer ela "provar" que o ama. Essa situação desenterra gatilhos antigos, que envolvem até mesmo sua mãe, que passou por algo semelhante de precisar provar alguma coisa, quando amor não se prova nada: vive.
Uma história completamente viciante que abrange todos os problemas enfrentados por uma mulher negra, vivenciando todos os passos de quebra de ciclos: a negação, destruição, raiva, aceitação... Um livro extremamente necessário, principalmente, para sobreviventes. Aquelas que foram mordidas, machucadas sentimentalmente, agredidas verbalmente, fisicamente. Um lembrete de nunca esquecer sua rede de apoio: a família e/ou seus amigos.
Quero ler mais da Jeovanna, por favor, escreva mais!
Achei que ia tomar um caminho muito bom de mostrar coisas e pessoas ao invés de transformá-las em conceitos, mas infelizmente é isso que vai acontecendo ao longo do livro. Uma mulher negra empoderada que é emocionalmente enganada por um homem branco, estrangeiro, e imaturo pode render um bom livro, como qualquer história pode, mas quando cada capítulo é arrematado numa frase que oferece seu significado, como opera, por exemplo, Rupi Kaur em seus maus poemas, a coisa perde muito em possibilidade e, consequentemente, em interesse.
a escrita é muito envolvente mas não vi Henrí como um personagem bem desenvolvido. as vezes a cronologia ficava confusa nas idas e vindas. em alguns momentos achei bem chato, mas segui porque realmente os capítulos curtos deixam tudo fluido.
Man This happened one, two, three times, too much These dumb-ass niggas
Niggas ain't shit, come up in your crib All up in your fridge, can't pay rent Look at what you did, listen to your friends When they say niggas ain't shit
Este livro já rodava entre os meus interesses de leitura há um tempo. Lembro de ter visto a capa (belíssima!), lido a sinopse e feito uma nota mental para retornar à obra, que também me atraiu pelo título.
Terminei um livro recentemente e fui atrás de outro. Lembrei da capa, que tanto me atraiu, e lá fui ler Virgínia Mordida.
Antes de tudo, quero fazer um adendo importante (portanto, spoilers daqui para frente): a temática principal do livro (violência física e psicológica de mulheres) é importante que seja debatida. Como mulher, senti compaixão por Virgínia e entendi a sua dor. É triste e revoltante que muitas mulheres vivam essa realidade.
Dito isso, preciso partir para uma análise mais específica e técnica da obra. Nesse quesito, saí profundamente decepcionada.
Em relação à escrita, encontrei recursos que me desagradaram. Alguns capítulos possuem uma mistura de prosa e poesia, algo como palavras isoladas em versos para criar impacto.
Achei esse recurso um tanto rasteiro e também pueril. O tema é importante. Por que ser desenvolvido assim?
Me incomoda, sinceramente, que livros sobre a violência de mulheres sejam abordados dessa forma didática, como um café que é adoçado até o limite para que a leitora não sinta a amargura do que está lendo.
Outra questão: a leitura é rápida por causa da divisão infinita de capítulos. Juro, um livro de quase 200 páginas com, sei lá, 30 capítulos? Não sei o número exato, mas são curtos, quase episódicos.
Isso faz com que o livro, com uma temática difícil e dolorosa, seja consumido como um fast food literário. A narrativa torna-se rápida demais; os personagens, por causa dessa rapidez, não conseguem encontrar e desenvolver uma complexidade, um espaço para respirar.
Pode-se até apreciar esse ritmo galopante, mas eu fico com um pé atrás: se um livro é lido em duas sentadas (com uma temática tão violenta como essa), é um bom sinal?
Saí bem decepcionada. Queria muito ter gostado, ainda mais por ser uma publicação da Companhia.
"me disse pra levantar de qualquer roda se um samba saísse atravessado. devia fazer isso para ninguém tomar nota do meu nome e me apontar como compositora de um samba mal arranjado".
Demorei a engatar na dinâmica Henrí-Virgínia. Não gostei muito de como o personagem foi construído, conservei uma certa estranheza por muitas páginas. Da metade para o fim a coisa toda desenrola mais. Gostei do final, o qual reforça as amigas como a sustentação presente desde o início e como ferramenta de sublimação de violência em arte.
Terminando o ano com esse livro fantástico que cruzei sem querer vendo duas amigas lerem por aqui (oi Nat oi Laura). Um tema muito pesado, numa narrativa que te prende até o final. Feliz de terminar o ano com uma leitura tão boa.
Em menos de 200 páginas, a autora entregou uma narrativa visceral, profunda, dolorida e extremamente envolvente. Jeovanna Vieira nos leva ao fundo do poço com Virgínia, enquanto observamos o desenrolar de um relacionamento que destrói uma mulher bem-sucedida, inteligente e amada por muitos. Ela escancara, de forma angustiante, os danos da violência psicológica, ao mesmo tempo que demonstra a potência do apoio familiar e da amizade feminina.
Arrebatador, necessário e de tirar o fôlego. Do tipo que não permite pausas, pois pede pra ser devorado. Porque assim, evita que sejamos. Que estejamos sempre atentas. Amém.