Literatura infantil brasileira — conceito que não me dizia nada. E eis que @na.cama.com.os.livros e @silveria.miranda, no Clube do Livro Livrólicos Anónimos, traem a coleção Pererê da @tintadachina para o spotlight. A princípio não me senti muito atraída, mas depois de olhar para as capas da coleção por alguns minutos, vários foram ocupando espaço na minha gula de leitora (ou compradora, vá).
De entre os vários, esta “Bisa Bia, Bisa Bel” foi um dos dois que escolhi para ler, e escolhi sem nenhuma informação sobre o mesmo. Apesar de estar no grupo de leituras partilhadas desde o início do mês, evitei ler as partilhas e, assim, o que o livro me trouxe, quando o terminei, foi completamente impoluto (coisa rara por estes dias).
Então, “Bisa Bia, Bisa Bel” é um livro genial.
Podia terminar aqui o que tenho a dizer, porque genial resume o que penso sobre o dito, mas elaboro um pouco mais:
Um registo infantil/pré-púbere descontraído e divertido, capaz de criar identificação fácil (com os meus quase 40 anos foi-me natural ligar-me a Isabel), que oferece reflexão social e feminista. Fá-lo sem crítica aberta, oferecendo lenha para a fogueira de reflexão, capacidade que se encontra em desenvolvimento acelerado na faixa etária que será alvo do livro. Percebo linhas de raciocínio que levantam questões inevitáveis, descobertas que Isabel faz e que qualquer criança transportará para a sua família.
E a família, o relevo dos que vieram antes, o papel do próprio nessa cadeia que continua pelos que virão depois… Confesso que esta vertente, esta ligação contínua que é o fio condutor da história, foi o que mais me agradou. Somos parte, o que somos cria o que vem, mas não o determina, e isso é tão verdade, tão real e, de tão real, não se vê. Gostei muito de o perceber tão lindo neste texto.
“Bisa Bia, Bisa Bel” é um lindo texto. Um livro que agradeço ter comprado, que espero ter por perto, à mão das meninas que estou a criar, e que adoraria discutir com elas. Que este dura pelo tempo, além do que já durou