Numa série de cartas dirigidas à incógnita marquesa de B**, F.-A. Paradis e Moncrif (o espirituoso favorito da sociedade parisiense) faz uma defesa apaixonada dos amáveis felinos, munindo-se para isso de uma extrema erudição.
Este divertido compêndio de anedotas, retratos, fábulas e mitos em torno dos gatos mostra que o nosso fascínio por estes animais tão dóceis quanto esquivos é uma constante ao longo da história da civilização e que não há, por isso, razão para a desconfiança que sobre eles recaía desde a Idade Média. Ou haverá?
Viva o gationalismo! Os gatos não miam, eles cantam. O século de ouro só chegará quando todos os exércitos forem comandados por gatos e quando colocarmos os gatos nos testamentos! Eles são o cúmulo de todos os talentos e graças! Quem não gosta de gatos é parvo. Chamar uma lady de gata é o nível máximo da sedução.
Além disso, há algo transcendental em ler sobre a Deusa Ísis e sobre gatos pretos enquanto a Ísis ronca ao meu lado e a Pantera dorme no meu colo.
História de Gatos é uma sátira inteligente, mas claramente filha do seu tempo. Moncrif usa os gatos como desculpa para gozar com a erudição vazia, a vaidade intelectual e o exagero académico e isso percebe-se bem. O problema não é a intenção, é a execução: o humor é repetitivo, o ritmo arrasta e a piada nem sempre envelheceu bem.
Há momentos genuinamente engraçados e uma ironia afiada, mas também muitos trechos que hoje soam mais cansados do que brilhantes.
Não é um livro para quem procura narrativa ou emoção; é um exercício literário, curioso, histórico, mas distante. Gostei da ideia. Achei a leitura interessante. Não me conquistou totalmente.
Um livro sobre gatos que afinal fala mais de humanos e nem sempre de forma gentil.