Em 1940, depois de visitarem a Exposição do Mundo Português, dois minhotos trocavam impressões, quando um disse ao outro: «Agora já tu sabes o que é ser português!...» É provável que isto não se tenha passado assim, que nunca ninguém se tenha deixado despojar tão completamente da sua identidade, mas Augusto de Castro, o escritor e jornalista que contou a historia, achou-a verosímil. Naquele momento, o nacionalismo era o consenso mais evidente na sociedade portuguesa. Atribui-se normalmente este fenómeno à propaganda salazarista. Neste livro, pelo contrário, procura-se reconstituir o longo e complexo processo ideológico que conduziu àquele episódio: como a literatura e a cultura de massa construíram, desde finais do século XIX, a base simbólica do que viria a ser o salazarismo. O resultado foi uma representação do país donde desapareceu a realidade social mas onde muitos portugueses se reviram. Foi esse O Estranho Caso do Nacionalismo Português.
LUÍS TRINDADE nasceu em Lisboa, em 1971. Licenciado em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1996), Mestre em História dos séculos XIX e XX (2001) e Doutor em História Cultural e das Mentalidades Contemporânea (2005), pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde leccionou Teoria da História e História Cultural Contemporânea. Actualmente, é Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, investigador e membro da direção do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20/UC), além de investigador do Instituto de História Contemporânea (IHC-NOVA/FCSH) e do Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md). Foi investigador de pós-doutoramento na École des Hautes Études en Sciences Sociales (2006-2007) e Senior Lecturer in Portuguese Modern Studies no Birkbeck College (University of London). Tem investigado e publicado sobre a formação do nacionalismo português e a recepção do marxismo junto dos intelectuais portugueses, bem como sobre as histórias do cinema, da imprensa e da publicidade em Portugal no século XX. A sua investigação, neste momento, debruça-se sobre as décadas de 1970 e 1980, em particular sobre a formação de culturas políticas radicais no âmbito da revolução de 1974-75 e a emergência de novas indústrias culturais na década de 80. Publicou O Espírito do Diabo. Discursos e Posições Intelectuais no Semanário ´O Diabo´, 1934-1940, Porto, Campo das Letras, 2004, e O Terceiro Português - Fotobiografia de António Silva», Lisboa, Círculo de Leitores, 2002, O Vasco - Fotobiografia de Vasco Santana, Lisboa, Círculo de Leitores.