O Castelo das Águias, romance fantástico de Ana Lúcia Merege, é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual. Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo. Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias. Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las, desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.
4,5 de 5. Não consigo me lembrar com precisão, mas tenho quase certeza de que tive uma conversa com a Ana Lúcia Merege sobre avisar quando eu estivesse lendo um texto dela porque ela tinha lido um conto meu. O livro estava aqui em casa há um tempão e eu decidi saciar a vontade de conhecer mais do trabalho dela (a única outra história que eu lera - e gostara muito, por sinal - foi na antologia Mitografias). É difícil descrever o que eu achei sem cair no óbvio. Dizer que a Ana escreve lindamente bem seria um eufemismo, mas ela consegue ter uma prosa rebuscada e ao mesmo tempo de fácil leitura, e uma pegada narrativa forte - que é uma maneira embromada de dizer que ela te conquista logo nas primeiras páginas. Mas, para além disso, eu gostei muito da história e de todos os seus elementos. Embora não conseguisse guardar o nome de todos os personagens na cabeça, senti conexão com todos eles, de modo que eles pareciam pessoas reais. Também gostei muito da protagonista e da maneira como ela narra. Gostei do fato de ela ser uma professora e gostei do fato de que ela resolve as coisas por meio da inteligência. Também conta o fato de que eu amo histórias que falam sobre escolas de magia, então ler O Castelo das Águias foi como voltar para um lugar reconfortante e agradável, e isso não é demérito nenhum, muito pelo contrário. Foi a história certa para o momento que eu estava passando e só me fez querer ler mais coisas dela. Oportunidades não faltarão.
Após se mudar para uma escola de magia, Anna se torna a nova mestra de sagas. Além de se adaptar a nova vida, também divide sua atenção entre um interesse romântico e uma certa conspiração envolvendo as águias. Com um estilo de leitura bem leve em uma linguagem acessível, o ponto alto do livro está na ambientação que bebe muito nas fontes mitológicas. Com referências ao mundo real e a fantasia, Athelgard passa a sensação se ser um localizado na divisa entre os dois.
Ana cria uma história envolvente e complexa, de magia e romance, digna de ser conhecida mundialmente, pois nada deixa a desejar em relação aos Best Sellers famosos. Sua escrita é fluida e agradável. Ela tem um cuidado com cada palavra ou frase, e narra com maestria. Eu já deveria ter lido esse há muito tempo e certamente não vou demorar a ler as sequências.
Uma leitura deliciosa que transporta para um mundo mágico totalmente diferente, muito bem construído e vai te deixando cada vez mais envolvido pela atmosfera, pelo tom da obra... orgulho dessa brasileira
A escrita da Ana sempre foi boa, e mesmo esse livro é interessante e flui bem... mas os trabalhos recentes dela são TÃO MELHORES. Então é isso. O Castelo das Águias foi legalzinho, mas a protagonista narradora era tão sonsa que me dava vontade de bater, e os vilões foram bem rasos. O interesse amoroso é uma gracinha, e eles SÃO fofos juntos, mas o efeito total é: lembrete de pegar as obras mais recentes da autora kkkk
Uma das qualidades de um bom livro é saber criar um mundo cativante, apresentando-o de uma forma atrativa ao leitor. A arte de contar histórias envolve encantar o leitor, envolvendo os seus cinco sentidos para fazê-lo sentir o ambiente ao seu redor. Essa é a proposta de Ana Lúcia Merege, não apenas uma autora, mas uma contadora de histórias que nos introduz seu mundo de Athelgard pelos olhos de Anna de Bryke.
Posso dizer de cara que o que mais me surpreendeu na leitura de O Castelo das Águias foi a construção de mundo. O leitor consegue sentir a veia RPGística da autora com um cenário tradicional de fantasia, apesar de ela colocar o toque dela aqui ou ali. Athelgard é um mundo enorme e nesse primeiro volume conhecemos apenas a pontinha do iceberg que nos aguarda em outras histórias. O mérito da autora está em nos apresentar o seu universo literário, mas sempre deixando margem para incluir inúmeras outras coisas. Quando eu estava acompanhando a história eu me encantava com as descrições dos lugares, dos hábitos e dos costumes e quando eu terminei a história, decidi olhar o mapa. Quando me dei conta de que tudo aquilo que eu tinha visto na história se passava em alguns poucos lugares, e que havia ainda muito mais por vir fiquei absolutamente abismado com o tanto de informação que a autora passou e o quão pouco isso representa dentro de todos os lugares do mundo.
Há toda uma riqueza nas descrições. Ficamos sabendo das tradições locais, somos apresentados a algumas festividades e até como cada cultura entende a do próximo (alteridade). Por exemplo, a maneira como os elfos enxergam os humanos ou até as hierarquias dentro da sociedade élfica. Ou como a cultura do norte entende os elfos que não é a mesma que a cultura do oeste. São pequenas sutilezas que apenas o leitor mais atento vai perceber. Apesar de a trama ser bem simples e direta, nada em O Castelo das Águias é simples. Existe mais sendo dito nas entrelinhas. Não significa que ao final da história nós saberemos tudo sobre Athelgard, mas certamente chegaremos ao segundo volume da série com mais informações. Embora isso não tire a possibilidade da autora nos maravilhar com alguma surpresa escondida.
Ao mesmo tempo em que a construção de mundo é o ponto mais alto de O Castelo das Águias, ele também é sua vulnerabilidade. É como uma espada de Dâmocles capaz de oferecer força, mas também pontos fracos. São muitas informações colocadas para o leitor em um curto espaço de tempo. Apesar de a autora ter conseguido usar algumas estratégias muito eficientes para superar o info dumping, ele está ali. Aliás, fica a dica para autores que desejam encontrar tais estratégias em suas histórias. Vou citar duas que achei muito bacanas: quando Anna chega ao Castelo das Águias, um dos professores apresenta a escola para a personagem, tecendo alguns comentários a respeito; outro ponto interessante é quando Anna está dando aulas e ensinando um pouco da mitologia do mundo para os alunos. São duas maneiras simples, porém eficientes. E não cansam tanto o leitor que entende que aquilo faz parte da história. A primeira estratégia além de apresentar o castelo para a protagonista, mostra ao leitor como o lugar de onde Anna veio é muito diferente em relação ao clima cosmopolita do castelo; já a segunda se trata da maneira como Anna consegue se relacionar com seus alunos e até como a sua forma de ensinar é diferente do padrão dos demais. Apesar disso tudo, ainda senti que muito da narrativa acabou precisando ceder espaço à construção de mundo. E isso era algo inevitável: a autora precisava fazer essa construção, ou seja, estabelecer essas fundações para que em outros volumes ela não precisasse fazer isso.
Nem sempre é necessário criar uma narrativa destruidora de universos para se criar uma história competente. Em O Castelo das Águias, a autora nos coloca no meio de uma disputa de duas cidades pela posse de águias guerreiras, animais usados no combate no universo de Athelgard. E é isso. Não temos a deformação de universos, o aparecimento de uma singularidade, uma magia proibida, nada disso. A trama não podia ser mais direta. E mesmo assim a história é muito boa. Não é o escopo de uma narrativa que a torna inesquecível, mas a forma como ela é contada. Por isso que eu vou sempre me referir à Ana Lúcia não só como uma autora, para mim ela é uma contadora de histórias (uma storyteller). Porque ela vai nos encantando com suas histórias e pouco a pouco vamos sendo enredados em sua narrativa até o ponto em que já estamos tão presos que não somos capazes de parar até terminar. Uma sensação semelhante a essa eu senti quando li Os Portões do Inferno, escrito pelo André Gordirro. Uma história absolutamente simples de enfrentar um ser maligno, mas conduzido com tanta eficiência que nos esquecemos disso.
Vale também colocar o emprego de uma barda como protagonista. Pronto... vou fazer uma blasfêmia para aqueles que gostam do livro... mas, fala sério. Que Kvothe, que nada. Sou mais Anna de Bryke. Sim, o público-alvo da Ana Lúcia é diferente do público do Rothfuss. Sim, com certeza. O espaço dado ao personagem é infinitamente maior? Com certeza. Mas, acho que em pouco mais de 180 páginas, a autora conseguiu construir uma personagem credível, com suas forças e fraquezas, dilemas e inseguranças, capazes de fornecer alguém sólido o suficiente para carregar a narrativa nas costas. Não temos uma personagem incrivelmente poderosa, filha de um semideus, nem nada do gênero: Anna é uma mestra de sagas que procura resolver os problemas com sua inteligência e perspicácia. Em diversos momentos ela se encontrou em perigo e não descobriu que era capaz de se tornar um dragão, ou era capaz de disparar raios elementares das mãos. Ela precisou do apoio de seus aliados, feitos ao longo da história para poder se sair de uma enrascada. Ou até mesmo contar com um pouco de sorte.
Só achei que a narrativa poderia ter ficado melhor se tivesse sido escrita em terceira pessoa. Achei que a narrativa em primeira pessoa acabou limitando um pouco as possibilidades de apresentar outros pontos de vista. Senti que a autora quis aprofundar um pouco mais os personagens, mas este acabou precisando ficar um pouco de lado para poder se focar nas aventuras da protagonista. Como a narrativa pertencia a ela, o leitor era conduzido por aquilo que ela via e depreendia. Há muito mais a ser explorado nas demais histórias, mas senti que isso pesou um pouco tanto na escrita final (tá... admito... sou chato com narrativas em primeira pessoa...insuportável mesmo) quanto no desenvolvimento dos personagens. Entretanto, senti que alguns personagens receberam bastante atenção e parecem ter muito mais a oferecer posteriormente como o Kieran e até mesmo o Doron.
Enfim, para quem está procurando uma boa história de fantasia, o livro de Ana Lúcia Merege é um prato cheio com ação, romance e muita aventura. Uma construção de mundo impecável que só tende a melhorar em futuras edições tornam a narrativa riquíssima em detalhes. Temos também uma personagem extremamente credível e que precisa lidar com suas limitações para solucionar os problemas com inteligência. Nas próximas edições quero poder conhecer mais dos outros personagens e tenho certeza que continuarei a ser encantado pela pena da autora.
O Castelo das Águias (Athelgard #1) - Ana Lúcia Merege | 188 pgs, Kindle Edition, Draco 2012 | Fantasia, Romance | Lido de 08/4/22 a 10/04/22 | NITROLEITURAS
SUMÁRIO
O Castelo das Águias, romance fantástico de Ana Lúcia Merege, é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual. Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo.
Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo.
Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias.
Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las, desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.
RESENHA
O livro trata da jornada da Mestra Anna de Bryke, a nova Mestra das Sagas na Escola de Artes Mágicas de Vrindavahn, onde conhece Kieran, um belo professor que cuida das Águias Guerreiras, um dos pontos centrais da trama.
As Águias Guerreiras são animais que os magos, por meio de encantamentos, são transformadas em armas de guerra.
A trama flui rapidamente, com uma escrita cristalina e gostosa de ler. O mundo é muito bem delineado e gostei das tramas de romance e de intriga política, além da ideia genial de trabalhar temas de proteção aos animais em uma trama de fantasia medieval.
O livro tem um subtexto humanista muito interessante, abordando uma jornada de amadurecimento feminina com personagens cativantes.
A prosa é uma atração a parte. Frases bem cuidadas, linguagem ágil, agradável e cristalina. É o tipo de escrita característico de uma escritora que lê muito, dá para perceber um apreço pelo fluir da prosa, pelo modo como as frases são construídas, com o objetivo de mergulhar o leitor na narrativa. Gostei demais!
O único defeito é ser curto demais, mas a vantagem de ler agora, tantos anos depois, é que posso passar direto para os próximos dois livros da trilogia!
É uma história muito interessante, principalmente quando se falando sobre o mundo que a autora criou. Aliás o wordlbuilding desse livro é realmente a melhor parte, porém confesso que a quantidade de info-dumping que aconteceu tornou a leitura uma pouco árdua, pois era difícil de acompanhar todos os detalhes. Sinto que esse é o tipo de livro que vou ter que ler mais de uma vez para entender totalmente. A história em si é bem tranquila, tendo esse primeiro livro como uma introdução bem profunda do que está por vir. Senti falta de um pouco de desenvolvimento na trama, principalmente comparado a quão enigmático o mundo de Athelgard é. Ainda não sei como se sinto com a protagonista. Confesso que senti falta da presença dela nos eventos, mesmo sendo narrado em primeira pessoa. Outros personagens ganharam muito mais destaque do que ela mesma, e houve momentos em que ela simplesmente desapareceu da história. Eu ainda pretendo ler os outros dois livros da saga, e espero que o desenvolvimento de enredo e personagens sejam melhores.
Sejamos francos, a fantasia é um gênero que tende ao exagero. Às vezes parece que todo livro dessa estripe tem que lutar contra o impulso de transformar seus heróis em semi-deuses, seus vilões em horrores cósmicos, e espalhar sua narrativa pelos quatro cantos do multiverso. E mesmo as obras mais “realistas” tem uma inclinação a mostrar personagens extremos criar tramas politicas tão complexas e amplas que elas se tornam uma ameaça maior à suspensão da descrença do que qualquer mago ou monstro.
Todavia, a autora Ana Lucia Merege escolheu trilhar outro caminho.
“O Castelo das Águias” é um livro diferente. Bem, não “raça de cactos humanoides são o mais próximo que temos de anões enquanto mariposas-psicodélicas-gigantes-devoradoras-de-mentes ocupam o nicho de dragões em um mundo steampunk” diferente, mas… diferente, ainda sim. Ele é modesto.
A protagonista não é uma pessoa extraordinária para seu contexto, o destino do mundo não está em jogo, os vilões são definitivamente mundanos e, mais impressionante, a história se passa em uma única cidade. E do que o livro trata então, você pergunta?
Com uma linguagem ágil e agradável, “O Castelo das Águias” mostra a história clássica do “protagonista se adaptando a uma escola mágica” sob um ângulo incomum. Ao invés de seguir um jovem aprendiz de feiticeiro, aqui acompanhamos o de uma professora, e melhor ainda, uma professora de sagas —de literatura — se adaptando à rotina acadêmica.
Nos primeiros capítulos, vemos com Anna a chegada na escolha e seus vários docentes, e seu primeiro contato com os animais que dão nome ao castelo: às águias, que, graças aos poderes de uma fonte mágica próxima não só são especialmente majestosas e inteligentes, como podem também ser transformadas temporariamente criaturas de guerra pelos encantamentos apropriados, o que as torna alvo de cobiça por muitos olhos…
A partir daí a história se desdobra em duas linhas narrativas principais: o nascente romance de Anna pelo antigo mestre das águias, Kieran, e os debates políticos se as aves podem ou não ser transformadas permanentemente em animais de guerra.
Essa primeira linha flui bem, e o romance entre os dois é crível. O único problema dela, é que ela transcorre sem basicamente nenhuma posição genuína rumo a um final previsível. A maioria dos empecilhos à relação estavam só na cabeça da protagonista.
A segunda linha, focada nas lutas — metafóricas ou não — pelo destino das águias demora um pouco mais do que devia para engatar, mas responde pela maior parte da tensão do livro. Além disso, a discussão sobre se é valido arriscar a saúde de animais em prol de interesses humanos é bastante interessante, o que só torna mais lastimável o fato de que em terminando momento “O Castelo das Águias” abandona qualquer pretensão de ambiguidade moral e transforma um dos lados do conflito em vilões descarados. Além disso, teria sido interessante ver um personagem que desse um passo além dos protagonistas e lutasse para que as águias não fossem transformadas em momento algum.
Ambas as linhas interagem com o arco da protagonista de amadurecimento. Anna é uma personagem com qual a maioria dos leitores irá se identificar — afinal, assim como eles a mestra das sagas é uma recém-chegada em um mundo estranho e cheio de seres mais poderosos. Inclusive, esse é outro ponto em que o livro é extremamente corajoso: Anna não é uma figura excepcional em seu mundo, ou sequer entre seus companheiros. Sim, é uma mestra das sagas, sabe usar o arco, é uma boa rastreadora, conhece a diplomacia e sabe usar elas habilidade ao seu favor, mas para por aí. Ana Lucia Merege tem confiança suficiente na sua protagonista para narrar a história dela sem inflar as habilidades dela.
Todavia, é impossível não ficar com a impressão que a mestra das sagas é “pasteurizada” demais para a origem dela. Para alguém que cresceu em um ambiente tribal e se identifica com o deus Loki, Anna é muito dócil, sendo várias vezes mais ligada à etiqueta que os personagens urbanos — com destaque para os momentos em que ela desiste de perseguir o amor de Kieran pela mera insinuação de que talvez ele estivesse se relacionado com outra, e a hora que ela se abstém de atirar uma fecha em um inimigo apenas para não ferir “o orgulho” de um companheiro. Uma personagem mais ativa e alheia — intencionalmente ou não — às regras de comportamento teria gerado situações mais interessantes.
Confesso, todavia, que nenhum dos outros personagens mostrou o crescimento de Ana, e que para piorar o livro sofreu de um excesso de personagens que são nomeados no começo para só aparecer de relance na história.
A filosofia de humildade se reflete até no mundo onde a história se passa. Athelgard não está presa em uma luta eterna contra o senhor do escuro nº 586, não é consumida por guerras infindáveis, não possui cidades flutuantes localizadas dentro de furações e nem magos pirotécnicos conjurando bolas de fogo a torto e a direito. Até os animais fantásticos presentes na narrativa — as titulares águias — são mais razoáveis que o padrão. Como resultado, o mundo se torna mais crível. Confesso que teria sido interessante ver um pouquinho mais sobre a cultura das Terras Férteis, especialmente o porquê de divindades da mitologia serem cultuadas em um mundo à primeira vista independente da terra… Mas reconheço que isso fugiria ao ponto do livro.
“O castelo das águias” representa um passo na diversificação do cenário de fantasia local, e certamente será um balsamo para os que buscam um livro de fantasia mais leve sem ser no humor e pé no chão sem ser brutal, mas pode desapontar os que buscam uma trama mais complexa.
Nessa história, acompanhamos Anna em sua chegada no castelo das águias, onde se tornará mestra de sagas da escola de magia e arte, bem como todas as intrigas envolvendo a posse e uso das águias para guerra e o começo do seu relacionamento com Kieran . De uma forma deliciosa, com diálogos bem medidos e uma trama envolvente - embora não tão agitada quanto o prefácio dê a entender -, o livro abre com chave de ouro as portas para Athelgard.
Really liked this book. Kieran and Anna are so freaking adorable! Also love the kids they teach. It's the cutest. The plot was great as well and I really wanna dive into the next books!
Anna de Bryke está chegando ao Castelo das Águias, localizado nas Terras Férteis de Athelgard. Ela aceitou o convite do Mestre Camdell para ser a nova Mestra de Sagas do castelo. Ela é meia humana (possui um pouco de sangue de elfo e de sangue humano) e é a primeira vez que sai da sua tribo, na Floresta do Teixo. No Castelo das Águias, tem a Escola de Magia, onde homens e elfos vão iniciar nas artes dos barbos e saltimbancos, antes de encantos e rituais. Lá Anna vai conhecer, vários outros professores, mas Kieran lhe chama mais atenção. Ele é o guardião das águias do castelo. As águias das Terras Férteis, são especiais. Por causa do Fonte Azul, que possui poderes mágicos, as águias daquela terra podem se transformar em águias guerreiras. Por conta disso, sempre quando as terras de Scyllix precisa, as águias são mandadas para lá, mas sempre retornam no prazo dado, para que não morressem. Porém, Hillias, um elfo de Scyllix, quer que as águias ficassem na cidade e por isso o Conselho vai votar para decidir o rumo das águias. Camdell convida Anna para participar e dependendo dessa decisão, tudo pode mudar.
Começo falando sobre a capa, que eu me apaixonei profundamente. Foi um dos motivos para eu ter escolhido esse livro na parceria com a editora Draco. E valeu a pena. O início foi um pouco confuso para mim por ter muitos personagens. Acabei me confundido com eles e não entendendo muito bem por conta disso. Porém, com o desenrolar da história, você se apega aos personagens e consegue diferenciar cada um. A leitura flui de forma maravilhosa. É uma história gostosa de ler que vai fazendo você se apegar aos poucos. Me apaixonei pela Anna, que não é aquela personagem fraca e sim inteligente e determinada. Não posso deixar de falar de Kieran, que apesar de ser misterioso com relação ao seu passado, não deixa de ser um personagem maravilhoso, que vai se aproximando da mestra e demonstrando que está apaixonado por ela. Claro que torci para eles ficaram juntos! Outro personagem que eu adorei foi o Mestre Camdell. Ele é muito sábio e sempre guia Anna pelo caminho certo. Fiquei encantada. O final foi incrível. Acontece tanta coisa que você só consegue desgrudar quando você lê a última palavra da última página. Estou louca para ler A Ilha dos Ossos, que é o segundo livro. Não poderia deixar de falar da escrita da Ana Lúcia, que eu gostei bastante. Ela escreve de forma simples e objetiva. Com isso, a leitura não se torna cansativa em momento nenhum da história e fiquei admirada. Eu li o livro em e-book então não posso falar sobre a diagramação. Porém, encontrei apenas um erro, mas nada que atrapalhe a leitura É um livro que indico para todos que gostem de romance e fantasia.
O castelo das águias é uma daquelas obras gostosas de ler, pois a escrita é leve e fluída, e a narradora é encantadora. Acompanhamos a história de Anna de Bryke, a mais nova Mestre de Sagas da Escola de Artes Mágicas de Vrindavahn. Qualquer sentimento que isso possa lhe invocar devido à Harry Potter é completamente dispensável. O que temos aqui é uma trama mais madura, contada pelo ponto de vista de uma jovem professora. Não que HP seja ruim, pelo contrário. Mas o tom dado pela autora aqui é diferente, mais pé no chão.
Todos os personagens são bem trabalhados e parecem reais. Isso dá um tom bem realista à trama, passa a sensação de ser um mundo organizado e bem pensado. A autora dá um senso de propósito a cada um deles; não necessariamente na trama, mas no mundo criado. Anna, a protagonista, é insegura e vai amadurecendo com a história. É muito fácil se apegar a ela, por ela parece uma pessoa de verdade. Não é nenhuma heroína fodona que está destinada a salvar o mundo de um mal inominável ou algo exagerado assim. Não, ela é uma pessoa como qualquer um de nós, inserida em uma trama sensata e enxuta.
Falando na trama, pode-se dizer que ela é um pouco lenta, mas isso não é problema para mim. A autora desenvolve a história e os personagens com divina paciência, dando pinceladas do worldbuilding no processo, mas sem perder a objetividade.
Eu vejo apenas dois problemas com o enredo. É original e de uma simplicidade bela, certamente, mas é meio bobinho. E segundo, a protagonista tem pouca participação nos eventos finais. Sei que isso está de acordo com o que comentei acima, sobre cada personagem ter um propósito bem definido no mundo e a trama ser bem pé no chão, mesmo assim eu esperava um pouco mais de Anna de Bryke.
Outra coisa que não curti foi o romance. Aconteceu rápido demais. Aliás, o próprio tom mais romântico da história não me cativou muito, mas isso é gosto pessoal. Mas a química entre o casal é boa.
O worldbuilding é maravilhoso. É um mundo rico, e percebe-se que a autora se dedicou à sua construção. O sistema de magia não é nada mirabolante ou complexo, mas eu gostei.
Veredito final: recomendo para aqueles que procuram uma boa fantasia sem complexo de grandiosidade.
O livro nos conta a história de Anna de Bryke ao aceitar dar aulas e se tornar a nova Mestra das Sagas da Escola de Magia. Com narração em primeira pessoa, vamos conhecendo junto com Anna todas as maravilhas fantásticas que a escola e a cidade de Vrindavahn tem.
“Vista de cima, Vrindavahn tinha um aspecto acolhedor. As construções imponentes, ornadas de colunas, que davam tanta fama às cidades grandes, não faziam a menor falta naquelas ruas estreitas, calçadas por seixos redondos, onde se alinhavam as casinhas de madeira e tijolos.”
Nessa escola, conhecida como Castelo das Águias, também somos apresentados à Kieran, o Mestre das Águias. Com o decorrer do livro vamos entendendo o quão importantes as águias são e as razões para que hajam tantas pessoas pessoas interessadas em ter total controle delas. Nem sempre a pessoa interessada vai estar do bem… e é aí que as coisas começam a desenrolar na hostória.
A Ana Lúcia criou em O Castelo das Águias um universo muito belo e encantador, cheio de magia e histórias fantásticas, além claro, daquele toque romântico.
Do que posso falar da edição visto que só tive contato com o livro digital: não percebi erros de revisão, a diagramação, os detalhes no livro ficaram muito bons e a capa reflete muito bem o contexto da história.
O Castelo das Águias é um romance fantástico infanto-juvenil escrito pela autora brasileira Ana Lúcia Merege.
Num cenário onde há elfos e humanos, a história conta sobre Anna de Bryke que será a nova Mestre de Sagas da Escola de Magia de Athelgard. (Essa escola lembra bastante Hogwarts, por termos professores entendedores de assuntos ligados à magia).
Lá, Anna conhece Kieran, um professor bem rígido que cuida da águias, animais peculiares que têm o poder de se transformar em verdadeiras armas de guerra.
A história gira em torno de Anna e os desafios de sua nova profissão; do sentimento que começa a surgir entre ela e Kieran; e da necessidade de proteger as águias de pessoas poderosas que querem se apropriar delas.
Por ser um livro infanto-juvenil, a história se desenvolve com facilidade, é rápida e bem gostosa de ler. Gostei do enredo, mas senti falta de conhecer melhor esse mundo fantástico, achei que o romance, por exemplo, teve mais ênfase do que o universo em si… Eu, particularmente, gostaria de saber mais sobre os elfos e sobre o que se passava na escola.
O Castelo das Águias é uma leitura deliciosa pelas sensações que desperta: você sente o prazer de conhecer pela primeira vez o quarto onde vai passar a morar (no caso de Anna, um novo quarto delicioso, com cheirinho de pinho), o medo de fazer parte de um novo grupo, o gosto das refeições feitas com carne de caça das florestas do castelo, o frio na barriga de conhecer novos amigos e potenciais amores.
Lamento não ter lido o livro quando mais jovem. Não que tenha deixado de aproveitar a experiência, mas adoraria tê-la tido com meus treze ou quatorze anos. Assim, indico o Castelo pra todos os tipos de leitores, mas garanto diversão irrestrita pra adolescentes e jovens adultos. Se eu fiquei empolgada com Anna chegando ao Castelo e conhecendo Kieran, imagino a euforia que sentirá um adolescente lendo em uma fantasia paralelos para as mudanças que vive na vida real - a empolgação de mergulhar em uma nova rotina, o medo de ter expectativas depositadas sobre si, o prazer de descobrir lugares e costumes diferentes, a sensação de se apaixonar.
Um livro pra ler debaixo da coberta, imaginando as águias voando lá fora sobre a copa das florestas. :)