Os mais atentos leitores e estudiosos de Luís de Camões conhecem bem o arrojo e a ousadia destes ensaios sobre a épica e a lírica do poeta, que tiveram primeira edição em 1980, na Moraes, e desde então constam de qualquer bibliografia sobre o tema. Acrescentados de um olhar, inédito, sobre as irreverentes Cartas, que assim completa o retrato fulgurante que o ensaísta, e professor do King’s College, Helder Macedo soube construir, foram reeditados este ano no Brasil, pela Móbile, e são agora postos à disposição entre nós para que melhor se perceba o quanto de vanguarda transporta o clássico dos clássicos.
«A peregrinação registada na sua obra aponta para qualquer coisa de tão indefinível, mas revolucionariamente tão moderno, quanto é o direitoà felicidade na terra. “Contentei-me com pouco” – disse este “homem de natureza terrível” para quem até o excesso sempre foi pouco – “só por ver que cousa era viver ledo”.» Porque estes rostos do poeta – o épico, o lírico e o iconoclasta – são indissociáveis e significativos por igual, a edição possui três capas distintas, a partir de retratos de André Carrilho.
Hélder Malta Macedo é um poeta, romancista, ensaísta, crítico e investigador literário, português. A sua obra ficcional, de entre a qual se destaca o romance Partes de África (1991), no qual o autor usa técnicas narrativas para revelar as ficções da memória, expondo a fronteira entre o facto e a invenção, é considerada uma das mais originais da literatura portuguesa contemporânea.