4.5⭐
“Portanto o tipo tem toda a razão, acertou na mouche : sou egocêntrica, sou presunçosa e vou terminar velha (espero), amarga e solitária. Porque o amor é o melhor que nos pode acontecer, porque o carinho nos faz falta, porque a ausência de afeto nos encarquilha a alma, tornando-nos secos e duros que nem caroços deixados ao sol”
Diana é uma mulher que vive a difícil e árdua tarefa de tentar encontrar o amor verdadeiro. Mas pelo caminho, percebe que nem ela sabe, nunca soube o que isso é. Com uma escrita incrível, sem tabus nem censura, sem adoçar a viagem que Diana tem que fazer, a autora consegue exteriorizar sentimentos, situações e pedaços de vida de uma mulher que após um casamento infeliz, que ama os filhos, tentou encontrar o que a faria feliz. Mas nem isso chegava. Pelo meio, temos algumas reflexões, das duras batalhas que as mulheres ainda travam, contra uma sociedade obtusa e machista. Tais como:
“Porque é que uma mulher não há de contabilizar o número de homens com quem fodeu e orgulhar-se de terem sido tantos? Porque é que eu não hei de querer chegar aos dez (que nem sequer é assim tanto) e pensar nisso com satisfação e alegre antecipação? Recordo-me de ver a série How i Met Your Mother, em que o mulherengo Barney Stinson diverte a audiência com a sua «maratona» sexual, vangloriando-se de estar perto das 200 mulheres que levou para a acama. Representa o típico garanhão e ninguém leva a mal. Mas, se uma personagem feminina tivesse o mesmo comportamento, não seria encarada com a mesma bonomia. Nós não nos podemos vangloriar, não podemos falar dos nossos «troféus», nem sequer confidenciar com todas as amigas em que número vamos, porque algumas delas talvez deixassem de o ser.”
E isto é tão verdade! Este livro representa uma boa parte das mulheres, mas nem elas sabem que assim o é. Por isso têm mesmo que ler esta ficção, que se mistura com a realidade a cada capítulo. Vão ter momentos em que vão virar os olhos às atitudes de Diana, e outras em que se irão compadecer e simpatizar.
A narrativa é escrita em forma de diário, por parte da Diana e com um narrador/a misterioso/a, que a conhece bem de perto e vai comentando o que de mais importante acontece na vida dela, o que ainda dá um ar mais sério e misterioso ao livro.
E no fim, será que Diana encontra a felicidade? Recomendo MUITO, eu adorei este livro. Tão bem se escreve em Portugal!
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