Mais conhecida e importante obra de ficção de Albert Camus, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Com a emoção de um thriller perfeitamente executado e a força de uma parábola, O estrangeiro encontra nova vida nessa adaptação para o mangá por Ryota Kurumado.
O estrangeiro narra a história de um homem comum que se depara com o absurdo da condição humana depois que comete um crime quase inconscientemente. Meursault, que vivia sua liberdade de ir e vir sem ter consciência dela, subitamente perde-a envolvido pelas circunstâncias e acaba descobrindo uma liberdade maior e mais assustadora na própria capacidade de se autodeterminar. Uma reflexão sobre liberdade e condição humana que deixou marcas profundas no pensamento ocidental. Uma das mais belas narrativas deste século.
Escrito em 1957, O estrangeiro é o mais pop(ular) dos livros do francês nascido na Argélia Albert Camus. Tão pop que rendeu até música do grupo de rock inglês The Cure (“Killing an Arab”). Tão popular porque, à parte ser a seca narrativa das desventuras de Mersault, é também a narrativa das desventuras do homem do século XX. Uma espécie de autobiografia de todo mundo. Seu drama pode ser lido como o drama de qualquer homem do século, o homem que se depara com o absurdo, ponto central do pensamento camusiano.
Quando Mersault descobre que absurdo e liberdade são faces da mesma moeda e que uma implica na outra, afinal encontra a paz. É a história dessa compreensão, desse encontro, que Camus nos propõe nesta obra que se apresenta como uma espécie um tanto perversa de livro de autoajuda.
A adaptação para mangá de Ryota Kurumado reinventa um dos livros mais importantes e influentes do século XX, perpassando toda a obra do autor franco-argelino com primor gráfico. O estrangeiro é uma verdadeira investigação da natureza humana.
Deze manga is het werk van Ryota Kurumado, een jonge Japanse manga-auteur en grote fan van Albert Camus, die in volle Coronapandemie “La Peste” al had bewerkt. De eerste uitgave van deze eerdere adaptatie in vier delen gebeurde in het Japans, waarna het werk opnieuw vertaald werd naar het Frans. (Dit jaar verschenen deze vier delen trouwens in een luxe-editie met harde kaft.)
En het werk van de Franse Nobelprijswinnaar blijft brandend actueel. Een paar maanden geleden nog, begin maart 2024, ging de Frans-Belgische serie “La Peste” in première op France 2. In deze vierdelige miniserie verplaatsen de makers het gebeuren uit het oorspronkelijke verhaal naar het jaar 2030, maar het scenario blijft (losjes) gebaseerd op de roman die Camus in 1947 op de wereld losliet. Het draagt alleen maar bij tot de bekendheid van het werk van de Franse schrijver, wiens La peste en vooral L'Étranger nu al tot de meest gelezen werken ter wereld behoren.
"L'Étranger" is dus het volgende werk dat in manga-vorm verschenen is, dit keer in één enkel deel van net iets meer dan 300 pagina's. Vermeldenswaardig is dat dit project werd begeleid en gesuperviseerd door de familie van de Franse schrijver. In interviews laten de erfgenamen van Camus, vooral dan zijn dochter Catherine en zijn kleindochter Elisabeth Camus-Maisondieu, immers weten dat ze openstaan voor nieuwe versies, nieuwe stemmen en adaptaties allerhande van het werk van hun illustere (groot)vader, getuige daarvan eerdere ‘verstrippingen’ en de bovenvermelde televisieserie “La Peste”. Ze kregen tijdens het teken- en schrijfproces beiden om de zoveel tijd pagina’s doorgestuurd van de Japanse mangaka, met de vraag om hun mening; iets wat bijdroeg tot het vertrouwen dat ze hadden in een waardevolle toevoeging aan het werk van Camus.
De roman was al eerder bewerkt tot een grafische roman door Jacques Ferrandez (L'étranger), met heel waarheidsgetrouwe decors van de hand van een stripauteur die is gespecialiseerd in Algerije. Ryota Kurumado kan je daar bezwaarlijk van verdenken, aangezien hij het decor en de couleur locale nagenoeg laat verdwijnen in zijn manga-adaptatie. Het is een verarming van de oorspronkelijk roman, ook al geeft hij op een aantal pagina’s dezelfde prominente rol aan de zon als in het oorspronkelijke verhaal. In zijn tekeningen legt hij - geheel volgens de conventies van het genre - meer de nadruk op de gelaatsuitdrukkingen van zijn personages, meestal met close-ups. Iets wat wel een meerwaarde is, maar halverwege zijn manga is het hele scala gelaatsexpressies al (meermaals) de revue gepasseerd en had het wel wat meer mogen zijn.
De Japanner laat bovendien zijn versie niet beginnen met de iconische openingszinnen (“Aujourd’hui, maman est morte. Ou peut-être hier, je ne sais pas.”), maar met een scène uit het proces van Meursault, waarna het verhaal start onder de vorm van een flashback. Hij laat zich eveneens verleiden tot een paar foliekes, zoals het binnenbrengen van een bij - of is het een wesp? - in het verhaal. De functie of meerwaarde van deze twee ingrepen ontsnapte mij enigszins.
Al bij al een genietbare en heel toegankelijke adaptatie, maar zonder de diepgang en gelaagdheid van de oorspronkelijke roman, minder sterk dan zijn eerder aangepaste versie van La Peste en visueel minder sterk dan de graphic novel van de hand van Ferrandez. Het is vooral een leuk hebbeding en een fijne aanvulling bij - en vooral ná - de lectuur van één van de andere versies. Meer niet.
I first read the novel which I finished in a day, and then the manga. I read it in 20 minutes, which in my opinion it's not worth the price. Not only that, but 3 characters didn't even appear in this version; one was mentioned, 2 were absent and I do not know why. Furthemore, another character was changed from male into female in this edition. The art style, in my opinion, was kind of mediocre and not remarkable by any means, considering the fact that the Camus family reached out to this mangaka to portray this author's work. I just expected better.
So beautifully done - I love how the dialogue feels stilted and unsure from being split over so many speech bubbles.
And wow that final line “all that remained was for me to hope there would be a big crowd at my execution and they would greet me with cries of hate” overlaid onto image of the wasps batting, stinger-first, against the glass…
Adaptation parfaite en manga du chef d’œuvre de Camus. Tout est là: le soleil qui rend frapadingue, l’impuissance du personnage un peu perdu, la violence des armes et de la justice, le même sentiment bizarre en refermant la BD que le roman. Fascinant!
Brillant. L'œuvre est déjà exquise d'absurdité en version originale mais le mangaka a réussi à transmettre l'ambiance sinistre et indifférente de l'étranger avec brio.
“O Estrangeiro”, de Camus, continua sendo um romance curto e visceral sobre um sujeito que recusa o teatro social. Meursault, um funcionário em Argel, viaja para o asilo onde a mãe morreu, vela o corpo sem derrubar lágrimas, bebe café com leite, fuma, observa mais o calor e a claridade da sala do que os rituais em volta do caixão. Volta para a cidade, entra num quase-romance com Marie, vai ao cinema, passa o domingo na praia, envolve-se numa briga que nem é sua e acaba disparando contra um árabe num trecho de areia branca e sol insuportável. Depois disso, o livro se concentra no julgamento, na reação pública, no modo como a justiça transforma cada gesto banal em prova moral. O que pesa contra Meursault não são apenas os tiros, mas o cigarro no velório, o namoro e o riso no cinema.
Camus escreve tudo com uma prosa econômica, quase clínica, marcada por luz, suor e silêncio. Meursault fala pouco. Não declara amor porque provavelmente não ama, não finge luto porque provavelmente não sente, não inventa remorso para agradar juiz ou padre. O livro original acaba funcionando como um experimento sobre sinceridade e hipocrisia. E a força da obra está justamente no que Camus não explica, nos intervalos entre um gesto e outro, no desconforto que sobra para o leitor preencher.
Assim, se alguém quiser conhecer a história original de Camus, esta HQ é o pior caminho. O mangá só escapa do desastre absoluto porque o traço de Ryota Kurumado é de alguma forma interessante, ainda que irregular. Mas isso trabalha contra a obra, já que o desenho tende ao exagero, a expressões carregadas e composições dramáticas que conflitam com a secura do romance. O que em Camus é economia, a HQ traz como destaque. O que era silêncio vira careta exagerada. A sensação é de um código visual que não confia no leitor, então tenta compensar a falta de densidade do texto com intensidade gráfica.
Existe um problema logo de cara. A HQ se vende como adaptação, porém toma tantas liberdades que seria mais honesto assumir outra etiqueta, algo como “história livremente inspirada em O Estrangeiro”. Mas mesmo com essa mudança de rótulo, o resultado seguiria fraco, porque o núcleo da questão não é a falta de fidelidade aos detalhes, mas a corrupção da essência. A narrativa é tão comprimida, tão mal costurada, tão superficial, que não sobra espaço para as tensões filosóficas ou morais do original. Em vez de acompanhar, passo a passo, a estranheza de Meursault diante do mundo, o leitor é arrastado por um resumo ilustrado que apenas encena acontecimentos.
O ritmo confirma essa impressão de resumo apressado. O velório mal começa e já termina, as relações são estabelecidas em poucos quadros, o crime na praia chega de forma torta e sem o tédio e hostilidade que existe no livro. Onde o romance constrói atmosfera com pequenas repetições e detalhes de cenário, o mangá oferece cenas que se sucedem em modo banal. O efeito é o de um fichamento em forma de HQ: os fatos principais estão ali, porém vazios, sem peso. Você acompanha superficialmente o que acontece, mas não sente a pressão do sol, da sala abafada, da cela, dos rituais sociais que prendem Meursault numa engrenagem absurda. São 320 páginas de... nada.
Há um detalhe revelador na última página. Kurumado escreve que, “se porventura o trabalho não agradar, será sem dúvida por conta do sol”. A frase tenta ser engraçadinha, uma piscadinha para leitor em referência à famosa justificativa de Meursault. Na prática, funciona como confissão involuntária. O autor já devia saber que mexeu com um clássico que não domina, então se esconde atrás de uma desculpa interna ao universo do livro. A tirada deveria aparecer logo na capa, como um ‘disclaimer’, e teria poupado bons minutos de quem esperava uma adaptação minimamente à altura. Sim, minutos, pois a HQ tem tantas páginas duplas e repetições de imagens que pra ler é um pulo.
O livro de Camus conta a história de um crime. O mangá de Kurumado parece o relato de outro crime, o de um mangaká que matou um clássico e, no epitáfio, resolveu culpar o sol. Quem leu o romance encontra na HQ um eco pálido. Quem começar por ela dificilmente suspeitará que, por trás daquela sequência apressada de quadros, existe um livro considerado um dos mais incômodos do século XX.
Acabei chegando a uma conclusão simples: transformar “O Estrangeiro” em mangá é como tentar fazer um hip-hop de “Cidadão Kane”, tecnicamente possível, mas sempre à beira do fracasso.
J’ai bien aimé les dessins qui sont biens réalisés, l’histoire est plutôt intéressante dans ce format mais si je l’avais lu en format classique je ne penses pas que j’aurai accroché.
Interesting to read the manga version - a quick, easy read (about 1 hour) and useful as a reminder of the novella which I read years ago. I'm tempted now to re-read it!
A very quick read with interesting art. The main character and story were intriguing but felt like I needed more to really connect to it all. Not bad though.
This was an interesting read. Perhaps a reread is needed, across one sitting and taking it all in. Having not read the original, I think the adaptation is fine. Nothing ever felt wrong or out of place it only ever felt - uninteresting? Man is sad and apathetic to the world and some events unfold.
The art style was fine but otherwise disappointing. There were some fantastic panels throughout but it felt some of the drawings were still in draft form for a lot of it. Crazy especially as the Camus family asked Kurumado to adapt it. The paperback also suffers from too many double-page spreads which given the physical book aspect, ruins the image especially when it’s a symmetrical idea being presented.
Tout comme il a été le cas pour ma lecture du premier tome de La Peste, j'ai découvert l'adaptation d'un classique que je n'ai jamais lu. J'ai fait quelques recherches sur le roman afin d'avoir des points de comparaison en cours de lecture.
Je dois dire que ma lecture a eu l'effet escomptée dans la mesure où j'ai vu le total désintérêt du personnage principal par rapport à tout. Passant de la mort de sa mère à sa propre condamnation. Par contre, j'ai senti que je manquais d'indications, voire de texte à lire, pour bien saisir ce personnage hors du commun.
Je ne peux pas dire que j'ai autant apprécié ma lecture que celle de La Peste, mais encore une fois, j'ai envie de découvrir l'œuvre originale.
L’adaptation de Kurumado me semble bonne, quoiqu’il abrège un peu le récit original. Elle respecte très bien l’esprit de l’oeuvre. Toutefois, son style de dessin minimaliste est plutôt médiocre et enfantin. Cela me rappel beaucoup le style des collectifs Variety Art Works ou Team Banmikas qui se spécialisaient justement dans l’adaptation de classiques de la littérature. J’imagine qu’un dessin plus grossier distrait moins le lecteur et lui permet de se concentrer sur le texte… Ce n’est certes pas la meilleurs adaptation du genre mais cela reste une intéressante introduction à l’œuvre de Camus. À lire par curiosité.