Nesta nova edição de O último conhaque, o autor premiado Carlos Herculano Lopes nos convida a acompanhar Fernando em uma volta ao passado, onde o aguardam surpreendentes revelações sobre ele próprio e sua família.
Após a morte da mãe, Fernando se vê obrigado a retornar à sua terra natal, a cidade fictícia de Santa Marta, em Minas Gerais. Lá, sentindo-se perdido em um lugar que deveria ser seu lar e completamente sozinho, ele é atormentado pelas suas lembranças de quando era criança. Em meio à paisagem rural e supostamente pacífica, ele aos poucos revela segredos sobre sua família e sua infância. Forçado a revisitar tudo o que mais desejaria esquecer, descobre que, mesmo depois de anos, um trauma nunca é superado quando não se tem uma noção clara do que foi vivido, ainda mais quando este trauma envolve a morte do próprio pai.
Neste romance comovente e profundo, Carlos Herculano Lopes, autor do premiado A dança dos cabelos, entre outros, mais uma vez alcança um altíssimo nível de elaboração formal e de densidade psicológica. Sua literatura nos mostra que toda experiência individual é, ao mesmo tempo, universal. É impossível ler O último conhaque e não notar que a procura pela identidade, o resgate de suas raízes e o medo de estar sozinho são vivências e sentimentos que fazem parte de todos nós e de todas as sociedades, sejam elas urbanas ou rurais.
Publicado originalmente em 1995, o livro teve diversas reedições ao longo dos últimos anos. Como diz Wander Melo Miranda, professor emérito da UFMG e grande estudioso da literatura brasileira, no posfácio que acompanha esta ediçã desde a estreia, a singularidade de Carlos Herculano Lopes “logo se impôs, ao apresentar uma nova maneira de tratar temas locais sem se prender a regionalismos limitadores ou à repetitiva temática urbana, vigente nas últimas décadas na literatura brasileira (...). Sua força de persuasão literária está toda na criação desse outro mundo, que se afasta por momentos da nossa realidade para melhor representá-la — nossa felicidade e danação. O que mais é necessário para justificar a atualidade deste pequeno grande livro?”
O livro cumpre com sua proposta, embora não seja o tipo de literatura que me atraia. Em diversos momentos, a narrativa me pareceu perturbadora e até repulsiva, mas acredito que isso esteja alinhado à intenção do autor.
Apesar disso, um aspecto que merece destaque é a forma como a obra retrata a deterioração emocional e física do protagonista em decorrência do abuso de álcool — uma realidade que, infelizmente, reflete a experiência de muitas pessoas na vida real.
Não recomendo.
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No momento que a prima se apaixonou por ele e e se mata nas páginas seguintes e a gente nunca descobre a fofoca da gangue e do pai, esse livro me perde, pena que é no final.