Quantos mistérios uma antiga fazenda perdida entre as serras das Minas Gerais pode guardar? Mistérios que chegam de forma inesperada, revelando passados diversos a uma família dividida por conflitos afetivos e políticos. É o que Larissa tentará descobrir, em uma estranha jornada na qual perseguirá sombras e segredos para entender os próprios sonhos.
No memorável primeiro romance de Míriam Leitão, agora em edição comemorativa de dez anos, o leitor não encontra espaço para respirar. É uma história de paixões extremas, sobre tempos extremos. Uma viagem às vezes em quase delírio pelos flagelos da escravidão, no século XIX, e pelos subterrâneos do regime militar, no século XX.
A narrativa se passa no século XXI, mas as linhas temporais são rompidas. No entremeio, as relações tormentosas entre pais e filhos e entre irmãos tecem uma trama densa e ousada que revisita passados que o Brasil tem preferido deixar acobertados pelo silêncio.
Como ficcionista, Míriam Leitão mantém aqui a mesma postura que marcou sua trajetória de jornalista: não faz perguntas fáceis. Nem abre caminhos para zonas de conforto.
“Não é um livro triste, é um livro denso. Um livro sobre o Brasil. É um livro que eu quis colocar ação, mas também sentimento. O que sente um escravo? O que sente um torturado?” Disse Míriam Leitão, escritora de Tempos Extremos, no booktrailer do site da Editora Intrínseca. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Sensível. Extenso. Informativo. Visceral. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Sinto-me obrigado a começar dizendo que a boa escrita de Míriam nos envolve na história desde as primeiras paginas. O livro tem uma carga emocional imensa diante do contexto tão intenso e grandioso. Difícil acreditar que alguém uniria ESCRAVIDÃO e DITADURA MILITAR tão bem num livro de 260 paginas. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ É inegável o fato de que o livro é bem escrito, diversas passagens marcantes e descrições belíssimas. Entretanto, o excesso de frases melódicas, metáforas e anáfora acabam tornando o livro em demasia cansativo, porém, de forma alguma atrapalhando a beleza da obra. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Livros que abordam escravidão e ditadura militar vêm se tornando cada vez mais importante, principalmente, após a morte de George Floyd e a visibilidade do movimento Black Lives Matter, além da manifestação preocupante pedindo a volta do AI-5 (Ato Constitucional Nº5) uma ferramenta de intimidação pelo medo utilizado no Golpe de 64. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Diante disso, Tempos Extremos, é uma ótima escolha para entender os resultados dessas épocas aterrorizantes, e a Míriam como jornalista e estudiosa abordou cada um com muita destreza e elegância. Trazendo também reflexões importantes, como, a escravidão sendo refletida nas favelas e os militares brasileiros que nunca pediram desculpas pelo que aconteceu em 1964-1985. ⠀
É uma coisa muito estranha, um exercício muito curioso tentar entender onde se pisa. Mais curioso ainda é entender o que é de fato relevante. Saber qual a cor do carro diz muito pouco sobre sua velocidade. Eu comecei a ler um livro sobre ditadura. Escolhi o livro por ser sobre a ditadura, por tentar começar a entender o que é esse período de tempo que tanto divide as pessoas. Tentar entender por que eu sempre fui tão contra mesmo não sabendo de quase nada. Talvez tenha sido isso que me incomodou: saber tão pouco. O livro trabalha a culpa. Trabalha. Elabora. Tenta entender quais são os cacos de vidro no chão em que pisamos, por onde andamos. Dois grandes vasos foram quebrados: a vida de negros e negras e a vida de pessoas que se opunham ao regime (na visão de quem os prendeu). Larissa tenta caminhar por entre esses cacos, sem saber exatamente como eles a machucaram ainda que com a certeza de um talho no pé. E indo aos poucos tenta entender porque as pessoas não falam de como estão machucadas, a maneira que projetam as próprias frustrações em realidades combativas. Em frentes. São frentes diferentes que andam sem solução, por não enxergarem em si mesmas os próprios problemas. Em uma polarização relativizada temos a situação em que opositores do regime podem ser presos porque quem defende o regime tem medo que eles façam a mesma coisa. É como se seu irmão te maltratasse porque tem medo que você o maltrate. É queimar cartucho porque não sabe usá-los. O livro toma lados e dores que nem sempre são fáceis de se ver e, por isso alcança o mérito de ser uma ficção realista, uma verdade possível sobre um passado que entendemos tão pouco, mesmo que escancarado na nossa frente.
Quando comecei a ler este romance, nada me despertou, senti que seria um livro morno com uma história que reúne presente e passado, porém, quando percebi que não era uma ficção, e sim uma realidade do Brasil, me doeu. Me senti desconfortável até o fim do livro, carreguei a dor de um passado brasileiro que nunca tive contato, e que confesso, tento fugir, a fim de evitar a realidade do passado e todo o sofrimento vivido nas terras brasileiras. Uma culpa que carrego indiretamente. É um livro que dói, mas é um livro que todos deveriam ler.
Tive dificuldade em dar continuidade à leitura desse livro, e quase o abandonei sem terminar de ler. Fi-lo por teimosia e obsessão. Não acho que a autora, jornalista consagrada, tenha conseguido separar sua persona romancista da não-romancista. Os personagens parecem irreais a maior parte do tempo. Não irreais como inverossímeis, mas na expressão de suas ideias e sentimentos. Parecem estar o tempo todo discursando, de tão formal e empolado é o diálogo. Já li vários livros em que há mistura de fatos reais e ficção ou especulações. Neste livro há personagens aparentemente fictícios que falam como se estivessem escrevendo um trabalho acadêmico ou fazendo uma preleção, mesmo nos momentos sentimentais. Já li biografias mais emocionais, que me deixaram apaixonada pela figura biografada, ainda que absolutamente calcadas em extensa documentação. Os dois temas abordados, escravatura e ditadura militar, são extremamente interessantes, e há informações que caberiam perfeitamente num artigo de revista ou jornal, mas embora tenham gerado a curiosidade em aprofundar o aprendizado (como as descobertas arqueológicas relativas aos escravos no Rio de Janeiro, divulgadas na época das obras pré-Olimpíadas, mas sobre as quais não mais ouvi falar), não engajaram meu envolvimento emocional em nível além da natural revolta com a crueldade dispensada a seres humanos tanto pelo Brasil escravocrata como pela ditadura militar. Não sei até que ponto a autora, que parece ter escrito sobre temas que lhe falam às origens (as histórias de fazendas mineiras) e à própria experiência (de presa política), aproveita para dar voz a opiniões dela e de outras pessoas da vida real, como aqueles a quem entrevistou ou sobre quem leu. Não parece ficção, e se propõe a ser. Algumas coisas me incomodaram, como um trecho em que um personagem diz que "os militares eram tão burocráticos que criaram um aparelho clandestino das Forças Armadas, só que documentaram as ordens." Os alemães fizeram a mesma coisa durante a segunda guerra mundial em sua detalhada documentação do processo de extermínio de outros seres humanos. Burocracia? Talvez. Eu diria arrogância.
Até a metade do livro, tive que ter muita persistência para seguir. Estava chato, mas a partir da metade dele, ficou menos pior. De maneira geral, não recomendaria, apesar de gostar da Miriam Leitão.
Extremo, extremo, extremo Uma mulher com quase 40 anos que, ao chegar à fazenda Soledade de Sinhá, quebra linhas temporais e vê-se vivenciando o tortuoso século XIX, além de não escapar do que a ditadura militar ofereceu e deixou de herança para si e sua família. Essa é Larissa, casada, sem filhos. Uma jornalista e historiadora que não se permite; acuada, não muito social; confusa, apesar da idade. Cética, até o aniversário da avó.
A avó, Maria José, que dificilmente consegue reunir todos os filhos e afins, dessa vez, em seu aniversário de 88 anos, tem esse considerado presente. Entretanto, ter um filho militar da época da ditadura e uma filha contra o regime que, inclusive, havia sido presa, grávida, e perdido o pai de sua filha em torturas não trariam verdadeira paz para a ocasião, como de costume.
Larissa, obrigada por sua mãe, Alice, e tio, Hélio, a não esquecer de modo algum o período militar, acaba escapando para um outro tempo vivido ali mesmo na fazenda. Constantino, Paulina e Bento, escravos, passam a interagir com a viajante do tempo a fim de obterem resposta para a seguinte pergunta: "Ganhar a confiança dos donos de escravos e, de alguma forma, pavimentar o caminho para a própria liberdade através da alforria, ou buscar o confronto e lutar para se fortalecer e fugir?". Paulina seria a que tentaria conseguir a liberdade através da confiança dos donos. Durante anos trabalhou sua senhora, tornou-se amiga dela com o intuito de conseguir ser livre. Bento seria o que tentaria através da força conseguir se livrar das correntes que o prendiam a uma vida flagelada.
Verdades sobre a ditadura são reveladas durante a trama. Verdades diretamente ligadas aos descendentes da idosa de quase 90 anos. Verdades trazidas por Antônio, marido apaixonado pelo que Larissa realmente é.
A protagonista do romance passa por experiências no livro que a ajudam a entender a si mesma, a vida, os tempos extremos que lhe afetaram. Ela se encontra. Durante a leitura espera-se que a personagem mude diante dos momentos vivenciados e fatos expostos na fazenda. Larissa apenas compreende Larissa, continua sendo daquele jeito só seu; enxerga que os momentos históricos vividos pela humanidade sempre estarão se conectando com o presente e que serve para a evolução do homem, mentalmente, socialmente, politicamente; entende a maneira como afeta aos relacionados diretamente com os acontecidos. Todavia, a confusão e contradição não muito esperadas em uma mulher inteligente de 40 anos prevalecem, já que pergunta-se o motivo de lutar por algo, como a liberdade, visto que não houve vida perfeita depois (ainda existe o preconceito), sendo que envolveu-se demais com os escravos na fazenda; aconselha a mãe a viver, esquecer o que o regime militar, algo do passado, trouxe de ruim para ela, mesmo havendo toda a ligação com o fato e ao mesmo tempo querer se aprofundar no tema escravidão, pretérito também.
Nota-se claramente alguns ideais de Míriam Leitão no livro, até mesmo na principal, que não entra em discussão nesta resenha.
A obra apresenta falhas na progressão do texto. Há muita repetição, como se a autora estivesse "enchendo linguiça". Cenas que poderiam ser descritas com mais emoção são contadas de modo superficial, sem muita profundidade, como, por exemplo, conversas sinceras entre mãe e filha. Também existem muitas coincidências no enredo. O clímax do romance, que deveria ser revelações familiares, acaba sendo ofuscado pela luta à liberdade de Paulina e Bento, relatada antes. O livro termina reticente como Larissa.
Tempos Extremos apresenta linhas temporais que se misturam de modo interessante. Notável a forma como Míriam descreve a família de Maria José e toda sua heterogeneidade.
Um livro que só pela maneira como as épocas se cruzam e narração dos momentos extremos se torna notável.
m livro recheado de histórias e história Nesse historia vamos conhecer alguns personagens e duas épocas que marcaram gerações, estamos falando da época da escravidão e a ditadura Tempos extremos como o nome do livro. Larissa vai estar fazendo os relatos desses dois tempos que se entrelaçam em uma fazenda no interior de Minas Gerais, onde ela carrega o peso de estar indecisa quanta sua profissão de jornalista e os problemas que a família tem, se ela ama seu companheiro, para onde ela tem que ir, o paradeiro de seu pai que foi dado como desaparecido na época da ditadura. Quando eles vão passar uns dias na fazenda ela não imaginava que ia acabar se vendo em um tempo que não era o dela, que de alguma maneira ela conseguiria voltar a uma década que foi tão destruidora de vidas quanto a escravidão. De alguma maneira ela volta no tempo em vários momentos da leitura que faz a descrição do ambiente, dos acontecimentos e dos personagens dando um sentimento a cada um que você vai conhecendo pela leitura. só que as dores do passado são carregados pela sua família pelo fato de nunca ter conhecido o pai que pelas informações foi morto na época da ditadura. Sua mãe era uma mulher revolucionária que lutava juntamente com o Carlos que era pai de Letícia, ambos presos porém segundos relatos que ela teve ele havia sido torturado até a morte porém ela queria acreditar que ele estava vivo em algum lugar. Seu tio Hélio militar na época hoje aposentado em um alto patamar sempre teve brigas e sempre batia de frente com sua irmã Alice. Isso fazia com que a sua família sempre ficasse instável com esse fatos que sempre incomodaram a avó de Letícia. A história vai abordar assuntos muito necessários de se conhecer da nossa história e acho que aqui por mais que ambos contêm história de amores, perdas, tragédias o livro consegue ser ótimo mesmo com alguns pontos que eu ficasse chateado pelas idas e vindas e achei que algum momento que a história de Constantino, Paulina e Bento os personagens da que haviam buscado ajuda de Letícia seriam deixadas de lado mas podem ficar tranquilas não ficou dando rumo a história. Porém eu achei que a partir de certo momento a história parece que foi corrida, parece que a autora correu com a história, porque ela estava tão detalhada no começo que em determinado momento ela meio que pisou o pé no acelerador e quando vi a história acabou, algumas com “conclusão” outras nem tanto porém a história muito fluída, tranquila e rápida em termos, porém acho que a história de Tempos Extremos traz mais que apenas uma ficção de romance mas traz fatos ocorridos que marcaram muito a história e talvez isso seja onde muitas pessoas podem se ver, que vivenciaram momentos ou tiveram na família alguém que vivenciou fatos tão cruéis quanto a ditadura ou tenha relatos da escravidão de alguma forma. O livro foi escrito por Miriam Leitão que possui outras obras de não ficção e incluindo livro infantis, uma jornalista de longa data, vários trabalhos e prêmios então é alguém de peso que traz uma história incrivelmente boa, envolvente e com capítulos pequenos o que fica mais fácil a leitura ao meu ver. Publicado em 2014 pela intrínseca foi o primeiro Romance da autora deixando um registro da história de alguma forma para quem o ler, realmente não é um livro 5 estrelas, mas um obra bem escrita com uma história cheia de conteúdo histórico incrível
Livro interessante e bem escrito. Consegue criar um mundo real-fantasioso que prende a leitura. Mistura entretenimento e reflexão, possibilitando questionamentos sobre a formação do Brasil, relacionamento familiar e auto-conhecimento. Legal ter sido escrito por alguém que vive de analisar a realidade mais factual possível: o mundo econômico e político do Brasil.
Livro muito bom da já consagrada Miriam Leitão, mas agora no mundo da ficção adulta. Trata dos tempos extremos vividos no Brasil: ditadura e escravidão e também das marcas profundas que ambos os períodos deixaram em muitos anônimos deste país. Vale muito a leitura.