Festa. Este livro festeja os 50 anos do dia que derrubou uma ditadura de 48 anos. O 25 de Abril, catarse e delírio, foi uma das mais impressionantes algazarras de liberdade, loucura, e inocente destrambelhamento colectivo que o modesto povo português já viveu. A liberdade chegou como uma inundação: proliferaram partidos políticos; levantaram-se do chão incendiários educadores do povo; agitaram-se estandartes; colaram-se cartazes; pichagens pintaram paredes; ruas, largos e avenidas entupiram-se com torrentes de gente em loucas manifs. De tudo isso este livro quer ser a mais despretensiosa – e divertida – testemunha. Primeiro, num preâmbulo mansinho, nocturno, visitamos e descrevemos, hora a hora, os incidentes e o suspense da noite de 24 de Abril, da madrugada e do dia 25 em que os militares de Abril derrubaram o Estado do estado a que isto chegara. Depois, redescobrimos as palavras de ordem, o alucinado desatino das palavras que varreu Portugal, evocando cartazes, os gritos das manifestações, as paredes e muros pintados. Mais de duas dezenas de ilustrações de Nuno Saraiva recriam, neste 25 de Abril, no princípio era o verbo, um Portugal de cabelos desvairadamente compridos, calças boca de sino, soutiens a serem queimados, um Portugal a pôr a ávida boca na orgia de novos costumes. O 25 de Abril foi um dia polifónico em que da voz de cada português saiu uma palavra, fosse essa palavra exaltante, ridícula, hiperbólica, tímida, ou do mais sublime humor. Dessas palavras se construiu o Portugal que hoje somos. Dessas palavras é feito este livro.
No 50.º aniversário da revolução, este livro consegue conciliar a pedagogia e o riso.
Munindo-se de texto e de ilustração, de forma minimalista mas produtiva, resume no essencial esta época, adicionando-lhe um toque humorístico, uma visão satírica, onde os excessos são evidenciados qualquer que seja a orientação política dos visados.
Da cronologia dos factos aos slogans da ordem, das imagens de campanha aos símbolos políticos, tudo isto permite qualificar Abril.
Ótimo para ensinar os mais novos e reavivar na memória dos mais velhos.
Um livro que serve para memória futura. Uma explicação para que todos os que nasceram depois de 1974 percebam que o 25 de Abril é uma data história e não apenas um feriado. Muitas frases icónicas de um tempo do início da liberdade e em que tudo era liberdade e descoberta. Lembrar uma altura em que tudo era permitido. Os desenhos um pouco repetitivos, mas uma leitura engraçada, de recordação para uns e de descoberta para outros.
Gostaria de dar 3,5 estrelas a este livro, mas como não há cá meias-estrelas, o veredicto pende para baixo. Considero a premissa do livro muito criativa: um aparentemente cómico apanhado de frases e palavras de ordem que pontuaram os muros de Portugal nos anos imediatos à Revolução do 25 de Abril, que serve para nos passar a mesma imagem dos tempos conturbados daqueles anos de ebulição que também nos chega por vias tantas vezes mais enfadonhas. Uma leitura, portanto, eficaz para mergulharmos naquele período de uma forma divertida, que, acredito, pode ajudar a dá-lo a conhecer a uma geração para quem aquela revolução é algo de desconhecido, quando não de menosprezado. As ilustrações do Nuno Saraiva que incorporam várias dessas frases, claro, dão um contributo inestimável para tornar este livro apelativo. Pecam apenas por serem poucas e, por esse motivo, repetitivas, pois acabam por serem usadas vezes sem conta. É um livro com muito pouco texto que se lê de uma penada... e com pena também por não ter merecido uma mais cuidada revisão de texto (nomeadamente ao nível da pontuação e daqueles "senão" que aparecem como "se não", que me dão suores frios).
gostei muito muito! achei inovador e bastante dinâmico retratar a revolução e o pós através de slogans e ilustrações. foi uma leitura leve (nas primeiras páginas é descrito, hora a hora, o decorrer do dia 25) e muito divertida a análise das frases mais icónicas da revolução!
Da riqueza deste livro é o encontrar, entre as palavras de M. Fonseca e as ilustrações de Nuno Saraiva, os cartazes, os gritos das manifestações, as paredes e muros pintados daquele dia inicial inteiro e limpo. Tudo isto num tom de festim e regozijo em cada palavra, em cada página.
No dia 25 de Abril de 2025, celebrou se os 51 anos da Revolução dos Cravos! 🌹
Neste livro temos algumas frases, slogans e pichagens usadas nos cartazes em manifestações. Algumas até se tornam cómicas, trocando palavras ou juntando outras de forma a torná las mais chamativas, algo que seria impensável antes do 25 de Abril, porque podia servir de provocação e consideradas ofensivas ou contrárias, não correspondendo à ditadura que era tão rígida na altura. Mas era uma forma de apelar à liberdade a um governo que ainda estava muito habituado às leis da ditadura.
Este livro também relata a organização de vinte e uma horas na madrugada do 25 de Abril do golpe de estado liderado por Marcelo Caetano, para depois andarem nas ruas, recebendo cravos distribuídos por Celeste Caeiro que se tornaram num símbolo da revolução, ficando assim conhecida como "Revolução dos Cravos". Assim temos a oportunidade de ter uma visão mais detalhada de como tudo aconteceu. Um dia que ficou marcado pela mudança ao ser derrubada uma ditadura de 48 anos e ser implementada a palavra "Liberdade" na nossa sociedade, gerando confusão e até indignação àqueles que estavam habituados à opressão.
As ilustrações de Nuno Saraiva tornam se bastante apelativas e conseguem nos dar um exemplo de como as coisas aconteceram após rebentar o 25 de Abril.
É um livro com pouco texto e com frases soltas, portanto de fácil leitura, tornando a escrita do autor bastante importante e informativa dando nos conhecimento ao ficarmos com uma ideia do que aconteceu durante o 25 de Abril, um dia que se tornou único na nossa sociedade, dando início a uma nova era.
Nunca me vou cansar de dizer que ainda bem que não vivemos numa ditadura e que atualmente possamos ter a liberdade necessária para dizer e fazer o que quisermos. Mas mesmo assim, ainda há um longo caminho a percorrer.
O livro tem uma boa e completa introdução aos acontecimentos da revolução de 25 de Abril de 1974. No entanto, à medida que vai apresentando as “palavras de ordem” referentes ao período do PREC, vai perdendo cada vez mais a sua piada, ao ponto de a certa altura se conseguir entender, indiretamente, o posicionamento político do autor. Algo que me parece estranho numa obras destas. Admito o excelente agrupamento de informação, muitas vezes para mim, completamente desconhecida. Não acrescenta muito à minha “biblioteca”, talvez o venda.
Bela reconstituição da cronologia do 25 de Abril, seguida das palavras de ordem recolhidas nas paredes, nas ruas e na comunicação social de 1974. Mas só quem viveu naquela época poderá compreender boa parte daquilo que ali está, o ferver de uma revolução em alguns momentos caricata. Mostrar a pichagem "Álvaro Cunhal na aula de educação sexual teve falta de material" exigiria enquadramento. E muitas outras. Mas é um repositório.
O livro cumpre aquilo a que se propõe que é, essencialmente, registar e recordar frases, slogans, e outros que tais, relacionados com o 25 de abril e meses seguintes. Cumpriu bem pois recordei-me de vários e de contextos que eventualmente já não tinha presente. E aprendi um pouco mais - o que é sempre, para mim, um bom indicador de um livro.
Este é o tipo de livro que não compraria, mas que se tiverem hipótese de o ler de outra maneira, avancem! Leva-nos à revolução do 25 de Abril de 1974, acompanhamos todos os acontecimentos desse dia, seguidos dos diferentes slogans que surgem num estado pós-ditadura pelos diferentes grupos que emergem com o mesmo.
Livrinho interessante, com muitas frases que passaram a integrar o léxico coletivo nacional, e que funciona como ponto de partida para os mais jovens descobrirem os caminhos que a liberdade percorreu para chegar a Portugal.
Um livro elucidativo dos momentos cruciais da revolução. Aliada à vertente mais informativa está, também, a vertente ilustrativa e artística. Ótimo resumo e talento visual nestas páginas.