José é um jovem da periferia de Lisboa em plena década de 1960, que assiste aos anos finais do Estado Novo, vendo os pais dos seus amigos embarcarem para a guerra em África, participando no apoio às vítimas das terríveis cheias de 1967 e tomando contacto com as ideias políticas e intelectuais, os livros, a música e os filmes vindos de fora do país, muitas vezes clandestinamente. Ao longo dos seus anos de juventude, verá o desenvolvimento da luta antifascista, a opressão, o papel da música de intervenção, o festival de Vilar de Mouros e a queda do regime em 1974.
Após o 25 de Abril, integrará os sectores mais ativos da esquerda militar, personificando o radicalismo, a desobediência e a intervenção revolucionária que de alguma maneira caracterizaram o período que ficou conhecido como PREC.
O livro que o leitor tem em mãos foi coproduzido a duas mãos. Raquel Varela é historiadora, ensaísta, professora e pós-doutorada em história das revoluções e do trabalho. Robson Vilalba é ilustrador, sociólogo e pós-graduado em história da arte. Se a primeira é uma das historiadoras com obra mais relevante sobre a história da revolução portuguesa, o segundo foi pioneiro no jornalismo narrativo em banda desenhada no Sul do Brasil. Este encontro transoceânico, de «Tanto Mar», é o que tornou esta obra possível.
RAQUEL VARELA nasceu a 15 de Outubro de 1978, em Cascais. É licenciada em História (2005), pós-graduada em História Contemporânea (2006) e doutorada em História Política e Institucional (2010), pelo ISCTE-IUL. É Professora Auxiliar com Agregação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa (Secção Autónoma em Educação e Formação Geral). Foi investigadora do Instituto de História Contemporânea (IHC-FCSH/UNL), onde coordenou o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais, e é investigadora do Instituto Internacional de História Social, presidente do Observatório para as Condições de Vida e Trabalho e coordenadora do Social Data/Nova4Globe. Investigadora no grupo História, Território e Comunidades CEF/UC/Polo FCSH e Colaboradora do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta. As suas áreas de investigação são História Global do Trabalho; História do Estado Social e da Segurança Social; História do Trabalho e História da Revolução de 25 de Abril de 1974. É coordenadora da obra Quem paga o Estado Social em Portugal? (Bertrand, 2012) e autora de História da Política do PCP na Revolução dos Cravos (Bertrand, 2011) e História do Povo na Revolução Portuguesa: 1974-1975 (Bertrand, 2014), coordenadora de Revolução ou Transição? História e Memória da Revolução dos Cravos (Bertrand, 2012), co-coordenadora de Greves e Conflitos Sociais no Portugal Contemporâneo (Colibri, 2012), co-coordenadora de O Fim das Ditaduras Ibéricas (1974-1978) (Centro de Estudios Andaluces/ Edições Pluma, 2010).
Com os 50 anos da revolução de abril é quase obrigatório ler algo sobre o tema. Este Utopia fala desse período, mas não se fica por aí. Vai até novembro de 1975 e à tentativa de novo golpe. Claro que não o faz de uma forma muito aprofundada, mas, para quem não era nascido na altura, traz informações sobre esse período da nossa periclitante democracia. Gostei muito!
Uma visão muito parcelar de um 25 de Abril que não foi o da maioria dos portugueses. Mas é a visão da autora e a do seu ambiente familiar. Componente gráfica de qualidade
Não sei se tinha as expectativas demasiado elevadas em relação a este livro, mas para mim foi uma desilusão. Na minha opinião, "vi" um dos maiores marcos da nossa história ser descrito de forma confusa, aborrecida e sem aquele encanto de escrita que tantas vezes nos faz continuar um livro...
O tom da história muda a meio do livro, o que o torna inconsistente. É pena. Se não se tornasse aborrecido a meio, poderia ter sido um livro melhor (para mim)...
Um reviver dum período que marcou a minha adolescência. O argumento e as imagens que se encaixam e fazem reviver experiências semelhantes que tive. Um livro que relembra a quem viveu esta fase da história de Portugal e procura transmitir aos jovens as experiências e expetativas que todos tínhamos. Relembra também que a liberdade é algo muito fácil de se perder.
Queria ter encontrado um livro mais vívido emocionalmente, porque sinto que algumas partes ficaram apenas pela apresentação de tópicos, no entanto, acho que há mensagens que ficam claras, tais como a vontade de viver em cooperação e não em concorrência, a sensação de existir sempre uma alternativa e a certeza de ser possível mudar a vida do país se nos formos transformando individualmente. Em simultâneo, é notório que nada é garantido e que há crises profundas que podem comprometer a emancipação. Não sei para onde vamos, mas continuo a acreditar que, por maiores que sejam as encruzilhadas que nos esperam, é possível não vivermos numa utopia.
A book that tells the tale of what I assume is a fictional character born during the dictatorship and growing through the April 25th, 1974 revolution and beyond.
We get to glimpse how life was during the dictatorship, the events that led to its fall, and the beginning of the implementation of democracy. It's like experiencing all that time in history through the lens of a regular citizen.
We see the impact of the colonial wars on people's lives, the power struggle during the first years of democracy, and more. It's all here.
All this is masterfully illustrated by Robson Vilalba's beautifully penciled panels.
Uma visão do 25 Abril, com base nas ideias e trabalho de recolha da autora do texto, mais que algumas falhas ( e isto não é um livro de história) o que para mim falha (tendo vivido o período) é a visão lisboeta e sulista da obra, e o resto do País, e as outas lutas? Infelizmente nós não somos considerados ou respeitados pelos lisboetas. O desenho é curioso, interessante e com uma opção inteligente do preto e branco, ligando à memória de um período cinzento.
Excelente livro de banda desenhada que relata em primeira pessoa a vida de um personagem jovem que nos anos finais da ditatura do Estado Novo se interessou por política de esquerda, e que, depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, se tornou militar da ala esquerda revolucionária, militante do partido LCI, fundador dos SUV, e que à data da contra revolução de 25 de Novembro, pertencia à PM. Um dos melhores livros que já li a respeito deste assunto, com excelentes detalhes, diálogos e desenhos, digno de uma obra de arte.
Toda utopia não se consuma. E no caso de Portugal, a fagulha se apagou depois de meses. Essa HQ elucida vários pontos, mas na sua tentativa de contar todo um movimento social, se perde. Muitas siglas, muita ação, pouco aprofundamento. Serve de introdução e de lembrança: unidos somos mais fortes.