"Atenção, mulheres que não querem ter filhos. Me contem suas experiências." Quando a autora Bruna Maia lançou essa questão em suas redes sociais, não esperava receber tantas respostas. Foram mais de 2300 depoimentos (incluindo pessoas trans e não-binárias). Desse total, vinte pessoas foram escolhidas para narrar suas histórias em detalhes. Algumas têm medo da gestação, de ver a barriga crescendo. Outras cansaram de cuidar. Várias querem focar na carreira ou ter tempo para se divertir. Os motivos por trás da escolha de não ter filhos são vários, e, nesse misto de reflexão teórica, reportagem e ensaio confessional, a autora discorre sobre eles em tom ora humorístico, ora dramático. Em uma jornada intelectual e emocional ilustrada com seu reconhecido traço, Bruna Maia questiona pressupostos religiosos, sociais, biológicos e culturais da história ocidental, mirando na universalização dos direitos reprodutivos.
Excelente livro que apresenta um panorama sobre os aspectos da maternidade e como ela acontece na sociedade que ajudam na compreensão do desejo legítimo de mulheres cis não serem mães. Leitura ágil, clara e fundamental.
Adoro um manifesto de Bruna Maia sobre liberdade feminina e o peso da sociedade patriarcal. Consegue ser engraçado, desesperador e informativo ao mesmo o tempo.
Um livro muito necessário que traz relatos de diversas mulheres que, por diferentes motivos, não querem ser mães. Ver que tantas mulheres se sentem da mesma forma que você é encorajador e reconfortante. E é pra ser lido por todes, não apenas por mulheres.
Leitura bastante fluida sobre motivos para escolha da não-maternidade, alternando relatos coletados pela autora com relatos pessoais, quadrinhos (que deixam a leitura mais divertida) e reflexão teórica. Embora as autoras citadas não devam ser desconhecidas de leitoras feministas mais experienciadas, o modo como as teorias são entrelaçadas com os relatos e quadrinhos é bastante satisfatório e catártico a quem compartilha a escolha de não ser mãe. Para quem acompanha o trabalho da autora, apesar da dureza de vários dos relatos, este é também um livro surpreendentemente otimista.
Recomendo muito. O livro traz dados mas nao é uma leitura arrastada, muito pelo contrário. Os vários relatos tornam a leitura fluida e interessante. A Bruna trata de pontos importantes para quem quer, quem nao quer e quem nao sabe se quer ser mae. Leitura obrigatória para todos, independente do gênero.
Não sei se em palavras eu vou conseguir expressar o quão importante esse livro é. É um grito feminista de liberdade. Ser mãe ou não ser PRECISA ser uma escolha. Vivemos no patriarcado onde a maternidade é compulsória, a maioria das mulheres nem param para pensar, esse destino é simplesmente aceito, e muitas que pensaram e não querem, se veem obrigadas a gestar, por não ter acesso a aborto. Enfim, esse livro despertou muitas emoções por a minha narrativa ser extremamente parecida com a da autora, trazemos marcas importantes e uma vontade que nunca mudou: não gestar. Recomendo fortemente para quem não quer ser mãe, para quem não sabe e até mesmo para quem quer, para ajudar a refletir se é realmente uma vontade sua, e tudo bem se for, o livro não é antinatalista.
Recomendo muito para homens também, passou da hora de vocês refletirem sobre esse tema. Favorito do ano.
Eu achei uma leitura interessante, apesar de que esse tema pra mim é como pregar para convertido. Mas eu acho que a estrutura me incomodou um pouco, talvez a organização do livro deixe ele meio desregulado em questão de ritmo... O fato de ter muitos relatos de mulheres brancas e um número bem inferior de relatos de mulheres de cor me incomodou, mas entendo que como a proposta de coletagem não foi algo pensado para abarcar cientificamente o conjunto social brasileiro e sim algo mais organico eu vou deixar passar. Vou fazer um pequeno adendo ao pósfacio em que a descrição da jornada do livro e da autora: a descrição da amiga sobre todo esse processo aparenta ser sobre outro livro, porque o que ela descreve é desruptivo e grandioso, como uma odisseia feminista, mas o livro em si não chega a tanta grandeza. É importante, admito, mas não é o santo graal, entende?
Livro muito necessário! Tão reconfortante ver relatos de diferentes mulheres, com vivências distintas falando sobre não quererem filhos, pois como elas mesmas comentam nas entrevistas, muitas vezes nos sentimos isoladas num meio onde todas as mulheres parecem querer. Achei as reflexões do livro muito importantes e necessárias, me conectei com muitos relatos, pois eu também não tenho vontade de ser mãe. Só não gostei do final, que tem comentários de uma outra pessoa analisando o que foi dito pela autora, acho que não precisava. Mas vale muito a pena a leitura.
Uma ótima reflexão sobre a paternidade e o papel dos gêneros. Esse não é um livro voltado exclusivamente para mulheres , muito pelo contrário, visa uma maior compreensão de todos do que significa ter um filho na nossa sociedade.
Uma preciosidade de livro, que une pesquisa, reportagem e base teórica com muito estofo, relato confessional, humor ácido, os cartuns cirúrgicos de Bruna e um trabalho gráfico impecável. Necessário, preciso e ao mesmo tempo delicioso.
Maternidade (que é completamente diferente de paternidade, como demonstra no livro) é um tema que sempre foi mostrado num formato bonito e desejado. Atualmente ele é descrito de uma forma mais real em poucos lugares como esse livro e alguns influenciadores.
O livro mostra a importância de vermos a maternidade como ela verdadeiramente é: como essa responsabilidade que sempre foi socialmente atrelado ao feminino. A autora também deixa claro que essa responsabilidade deve ser sempre refletida e principalmente colocada como uma escolha a ser assumida e não algo que você foi designado a cumprir.
Os diferentes pontos de vista junto de outros autores que estudam sobre feminismo e maternidade só deixam a narrativa mais rica e mostram que há diferentes tipos de passados envolvendo maternidade e desejo de ter filhos, mas sempre tentando justificar e mostrar esses pontos usando esses autores.