Há livros que nos tocam de uma forma tão íntima que parecem sussurrar aquilo que o nosso coração já sabe, mas nem sempre consegue dizer. "O Quinto Pescador" foi, para mim, um desses livros.
Esta foi a minha primeira experiência com a escrita de José Rodrigues e não poderia ter sido mais marcante. A forma como ele aborda a complexidade das emoções humanas é simplesmente arrebatadora.
Esta é a história do Francisco, um homem que perde tudo no dia do seu aniversário e que, esmagado pela dor e pela saudade, se vê obrigado a reaprender a viver. Mas é também a história de como, por vezes, a esperança nos abraça das formas mais inesperadas: no olhar de uma criança, no afeto silencioso de um cão, na simplicidade de uma aldeia costeira onde o mar parece sussurrar promessas de recomeço.
Liguei-me ao Francisco de um modo imediato e profundo. Também eu já estive naquele limbo doloroso, também eu já me vi perdida entre o vazio e a esperança frágil de um novo começo. Senti a sua solidão, o desespero, mas também aquela centelha de esperança que começa devagarinho a ganhar força. É uma sensação reconfortante encontrar uma personagem que espelha as nossas próprias lutas e nos mostra que é possível superá-las.
A escrita do autor é serena e cheia de verdade. Não há excessos nem artifícios, apenas palavras que nos tocam, que nos fazem sentir cada perda, cada pequena vitória. É uma escrita que flui, que se entranha e que nos deixa a refletir muito depois de virarmos a última página.
Há livros que nos escolhem no momento certo.
Este livro é uma ode ao poder da amizade, ao amor incondicional e à capacidade que todos temos de nos reconstruirmos, mesmo quando tudo parece perdido.
Um livro que me arrebatou o coração e que recomendo de olhos fechados a quem procura uma leitura sensível, real e cheia de significado.