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Geração D: da Ditadura à Democracia

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Em Geração D, Carlos Vale Ferraz, o romancista, cede lugar a Carlos de Matos Gomes, que, em nome próprio, ocupa lugar central nesta narrativa da aventura de uma geração. A dos jovens baby boomers portugueses que, após o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a paz parecia ainda poder ser uma realidade duradoura, se depararam com os amargos desafios de um outro conflito, enfrentando as dúvidas, indecisões e problemas da sociedade onde se integravam. E que desbravaram o caminho que conduziu ao fim da mais longa ditadura europeia, e à integração política, económica e social do país na Europa.
Esta é a história dos que tiveram de decidir entre lutar contra a ditadura ou integrá-la; dos que escolheram aceitar Portugal como uma nação colonial num tempo de movimentos descolonizadores, ou que se tornaram anticolonialistas; dos que optaram entre ir para África combater, ou se recusaram e deram o salto, forçados ao exílio. É também a história dos que protagonizaram o 25 de Abril: da geração que, tendo vivido a guerra, teve a oportunidade de participar numa revolução; e daqueles que, ano e meio depois, trocaram a incerteza da aventura, da novidade e do risco pela normalidade e pela segurança do poder instituído.

340 pages, Paperback

First published January 1, 2024

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Artur Coelho.
2,629 reviews75 followers
May 26, 2024
A curiosidade com este livro ficou desperta ao ouvir uma conversa com o seu autor, na Antena 2. Fiquei particularmente intrigado com o que ele designa de geração D, os baby boomers portugueses, aqueles que viveram a pobreza e a tacanhez do estado novo, que combateram na guerra colonial, construiram a democracia, e nos legaram o país de hoje. A geração do uso generalizado do calçado, aponta o autor, num curtíssimo apontamento que mostra bem o quão empbrecido foi o Portugal do século XX.

Militar dos comandos, combatente em África, por onde passou pelos três teatros de operações, também capitão de Abril, Carlos Matos Gomes dá-nos neste livro um misto de recortes autobiográficos, notas sobre a história recente portuguesa, com uma visão de quem viveu a guerra colonial, a revolução dos cravos, mas também a forma como a sociedade portuguesa evoluiu. Durante a leitura, recheada de detalhes históricos ou arrepiantes, mas também reflexão sobre a sua vida pessoal, entrecortada por um profundo substrato cultural, literário e histórico, não consegui deixar de pensar na figura de um guerreiro-poeta. Sobressai a imagem que alguém que seguiu o seu caminho, apesar de se ver envolvido nalguns dos momentos chave da história recente.

Há um certo desencanto no livro, espelhando uma certa visão de derrota da revolução dos cravos. Por um lado, traça uma história da sua inevitabilidade, perante um país empobrecido e um regime que insistia numa absurda guerra colonial. Por outro, reflete nas oportunidades perdidas, em como alguns problemas fundamentais e estruturais da sociedade portuguesa, o seu extremo conservadorismo atiçado pela igreja, o constante controle da riqueza por elites rapaces, a facilidade com que o povo se deixa manipular, se mantém constantes.
Profile Image for João Roque.
346 reviews17 followers
June 26, 2025
É-me extremamente difícil falar deste livro apenas objectivamente e vou procurar fazê-lo, mas como ponto prévio tenho que falar de duas questões:
A primeira é que Carlos Matos Gomes é tudo menos um estranho para mim - tenho, penso eu, toda a sua obra, da qual apenas me falta ler um livro e irei lè-lo muito brevemente, e admiro muito a sua escrita quer a que assinou com o seu verdadeiro nome (como este livro) quer a que escreveu com o seu outro nome literário - Carlos Vale Ferraz.
Mas não só o que CMG nos deixou em livros eu me habituei a admirar - as suas magníficas crónicas que publicava no seu blog, o qual eu seguia, principalmente nos anos mais recentes e onde falava essencialmente de assuntos políticos e sociais, quer nacionais quer internacionais, com uma lucidez fabulosa e nas quais quase sempre encontrava pontos de convergència, mas que a sua forma de comunicar tornava fascinante, e como sempre gostei de partilhar as coisas de que gosto, muitas vezes no meu perfil do FB, as transmiti aos que me seguem.
A segunda questão é de ordem subjectiva e devo dizer que além de meu amigo no FB, com ele me cruzei, já nos últimos anos e a última vez foi bem recente - em Óbidos, no Festival Fólio, em outubro passado e na ocasião ele me assinou o exemplar que agora acabei de ler.
Mas esta subjectividade entre mim e CMG tem a ver com algumas coincidências entre nós dois - somos da mesma geraçáo, nascidos no mesmo ano, portanto também pertenço à Geração D, e em 3 pontos "coincidimos" com as devidas desproporções - e friso isto com veemência - ambos estivemos na guerra colonial (claro que ele como oficial de carreira e eu como simples capitão miliciano) e em muitos assuntos os nossos pontos de vista políticos eram mais coincidentes que divergentes- e é também óbvio que CMG teve um papel muito importante não só nessas suas campanhas africanas, mas também na revolução do 25 de Abril e nos difíceis tempos políticos subjantes.
Mas o que me parece mais curioso, e aqui misturo o subjectivo com o objectivo, é que ambos, e com a tal desproporção já afirmada, sentimos uma certa necessidade de deixar um testemunho do que foi a nossa vida adulta, em livros, e este seu livro é fundamental e em todos os aspectos, para se ficar a conhecer quem foi Carlos Matos Gomes, na realidade, como combatente e militar, como político que o foi, mesmo sem o querer ser, e como Homem.
Ora eu, na minha pequenez, também senti a mesma necessidade de deixar por escrito, primeiro o que foi a minha experiència militar, com realce para a guerra colonial, e agora muito recentemente, sobre a minha vida de adulto na sociedade em que me insiro - em dois livrecos, e não numa obra admirável como esta que acabei de ler.
E falo então agora, finalmente d0 livro, em que depois de uma introdução em que justifica o título, o autor descreve em pormenor as suas campanhas militares nos três teatros de operações - Moçambique, Angola e Guiné, e ainda com mais pormenor o que foi a sua contribuição na Guiné, juntamente com outros militares, na preparação da revolta de 25 de Abril de 1974 e depois já na metrópole ao subsequente desenvolvimento dos vários acontecimentos em que esteve envolvido.
Não foi fácil para CMG todo esse tempo, pois a forma como ele se descreve como ser humano, por vezes o pôs em difíceis encruzilhadas - mas nunca abdicou da sua forma de pensar e de agir.
As considerações finais do livro alargam os aspectos políticos internacionais desses tempos e são um imenso rol de situações por ele vividas e com conexões até com personalidades estrangeiras com quem conversou
Um livro fascinante de um ser humano ímpar e de um militar impoluto com a sua consciència.
Tenho pena que ele não tenha lido estas minhas palavras...até sempre, Carlos Matos Gomes, e muito, muito obrigado.
Profile Image for João Cruz.
367 reviews23 followers
December 31, 2025
Comprei e li este livro porque Carlos Matos Gomes é da geração dos meus pais e o seu título chamou a minha atenção. Ler os relatos de quem participou de forma relevante na queda da ditadura e no que se passou depois do 25 de abril de 1974 ajuda-me a perceber melhor este período histórico recente e a distanciar-me de muitos, que hoje, nos meios de comunicação social, adoptam uma atitude revisionista de forma a enquadrar-se com a sua visão político-social.
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