«Durante anos, imaginei o que aconteceria quando contasse tudo isto, quando cravasse a mão no peito para extrair a culpa lá de dentro. E posso concluir que foi como arrancar o meu próprio coração, com a desvantagem de continuar viva.»
Para Leonor, ir de Erasmus significava começar de novo, aqueles meses em Turim seriam o balão de oxigénio de que tanto precisava para se afastar da mãe controladora, talvez até libertar-se da pessoa reservada e observadora que tinha aprendido a ser em casa. Onde ninguém a conhecesse, poderia ser quem quisesse.
Na cidade italiana, ela descobre partes de si que ignorava existirem, muitas delas novas e entusiasmantes. Mas há um outro lado de si que se revela, uma parte que a envergonha e amedronta, atitudes em que não se reconhece e cujas consequências vão ficar consigo para sempre.
Dez anos depois, mais uma vez a adiar o reencontro com o passado, Leonor dá por si a revelar a uma estranha tudo o que aconteceu naqueles meses e de que forma o fogo, até então tão inofensivo, acabou por lhe deixar marcas eternas.
Depois de um romance de estreia que se tornou um sucesso imediato, Rita da Nova está de volta com uma personagem complexa em busca de si própria, que procura conciliar as suas várias versões. Afinal, somos mais nós quando estamos junto das pessoas que nos conhecem ou quando estamos longe de tudo e podemos ser quem quisermos?
Se calhar, tinha expectativas demasiado irrealistas para este livro. É o que sinto.
O primeiro foi muito mais interessante. É um romance muito cliché e previsível com personagens desinteressantes e um pouco mal construídas. As interações entre elas eram desprovidas de contexto ou conteúdo. A relação com a mãe podia ter sido melhor explorada e foi sempre tudo muito repetitivo e mastigado.
A história demora muito a desenrolar e, a escritora, numa tentativa de aprimorar a obra em termos linguísticos, acabou por tornar a leitura difícil e pouco prazerosa. A Rita escreve muito bem, como já conseguiu provar com o seu primeiro livro. Estava escrito de forma simples e bonita. Às vezes, menos é mais.
Ainda assim, tenho alguma curiosidade em perceber como serão as próximas histórias que a autora tem para contar.
Tive a oportunidade de o ler antes de ser publicado e fiquei sem palavras. O crescimento na escrita da Rita é notório, e só nos deixa ainda mais curiosos e entusiasmados com o que estará por vir. Fui a Turim ter com a Rita enquanto ela escrevia este livro, e digo-vos que ler este livro conhecendo a Rita's Version desta cidade é uma experiência muito mágica, e quem não a conhece, vai marcar a viagem logo depois de o terminar. A busca da protagonista pela sua verdadeira essência é algo com que todos nos identificamos, uma experiência universal aqui explorada de forma magnífica e inesquecível. A verdadeira beleza desta história está nos detalhes, eximiamente plantados, nas ruas de Turim, nos amigos que se fazem longe de casa, nas histórias que se vivem e nem sempre se conseguem contar depois. Ler este livro é uma experiência a não perder, e eu sou uma amiga muito orgulhosa desta obra. É tão bom viver num mundo onde a Rita nos conta as suas histórias.
Adoro a Rita, mas não consegui adorar este livro. Pareceu-me um livro infantil, a história era básica e não consegui conectar-me com as personagens. Tive constantemente a sensação de que a autora estava mais preocupada em fazer frases "citáveis" e bonitas do que no conteúdo do livro.
Em quando os rios se cruzam, reconciliei-me com as expectativas que depositava na Rita. A Rita surge aqui como uma autora mais aprimorada, a escrita mais profunda e menos clichê. Este livro é um agradável progresso em relação ao primeiro e estou feliz por ter continuado a ler Rita da Nova. Certamente continuarei numa próxima.
Creio que o fenómeno Rita da Nova não seria o mesmo sem as redes sociais, mas não o digo num mau sentido. Eu própria sou dominada por esse fenómeno. A Rita lança um livro e eu tenho de ir ver o que é, do que fala, como é que ela escreve, onde é que encontro marcas da Rita que julgo conhecer dos podcasts.
Quando a Rita lançou As Coisas Que Faltam achei que faltava um não sei quê à história. Neste livro os pontos estão todos preenchidos.
Há marcas que são da Rita e parecem constituir parte das suas narrativas sempre. A fórmula da má relação com a mãe. A rapariga tímida e oprimida que tenta sempre corresponder às expectativas dos outros. A avó. É engraçado, e não vejo estas marcas como um defeito, antes como características definidoras interessantes. Fico sempre expectante para ver como evoluirá a maturidade da escrita da Rita num próximo livro.
"Por breves segundos, foi dia e noite ao mesmo tempo, e Turim estava mais bonita do que nunca."
Ficou em mim a vontade de ir percorrer os caminhos que estas personagens trilharam. Quando isso acontecer, este livro irá na mala. Ci vediamo presto, Turim!
PS: Que capa linda, torna qualquer estante mais bonita.
Se eu ignorei todas as minhas responsabilidades a partir do momento em que peguei neste livro? Talvez... Se eu o terminei a chorar rios? Com certeza! Que viagem bonita pela cidade de Turim pelos olhos da Leonor 💙 Gostei muito deste livro e será a minha personalidade nos próximos tempos. E sim, já estou à procura de voos para Itália, por entre as lágrimas que me escorrem na cara. Parabéns, Rita!
Cedi ao fenómeno Rita da Nova. Quando o seu primeiro livro saiu ainda não a seguia mas quando este saiu já e tive que me render por duas razões: queria saber se o hype era real e porque a premissa era tudo o que eu queria para uma leitura leve (Erasmus alumni 4ever, nostalgia mil sempre). Este livro não é um pedaço de literatura magnífico e inovador. Mas são umas 230 páginas que nos transportam para uma fase da vida única, que só quem viveu consegue reconhecer e identificar-se. E nisto, a Rita faz um excelente trabalho: o período frenético do Erasmus, o contacto com uma cidade pela primeira vez à qual te entregas de corpo e alma, os amigos que conheces, as aventuras despropositadas que nunca viverias na tua vida “normal”. A bolha. Aquela bela e mágica bolha em que vives quando estás em Erasmus. A Rita conseguiu retratar tudo isto de forma exímia. Adorei conhecer a cidade de Turim através das suas descrições. Adorei que também me tenha levado a Budapeste (a minha cidade de Erasmus) e até que tenha uma personagem com o nome de uma das minhas colegas de casa da altura. O que não adorei: o foco na relação com o rapaz e todo o drama envolvido. Pessoalmente, teria optado por outras narrativas. Gostaria que o foco se tivesse mantido nas relações de amizade e na auto-descoberta da personagem (e que esta não estivesse tão ligada à auto-condenação e martirização idk…). Also, não fiquei fã do clímax da desgraça no final mas entendo a escolha e respeito. Isto tudo para dizer: dou 3 estrelas mas já dei 3 estrelas a bem pior. Este livro é um romance, tem clichês como todos, mas é bem escrito. Fiquei muito impressionada com a escrita da Rita.
há beleza na simplicidade e há muita beleza e verdade na escrita da rita! em primeiro lugar, adorei a premissa deste livro: quem somos quando estamos longe de tudo e de todos? quem é que escolhemos ser?
acompanhamos a Leonor no seu processo de auto-descoberta e no carrossel de sentimentos que essa mesma descoberta despoletou. de facto, acredito que quem tenha vivenciado esta experiência — erasmus — goste ainda mais deste livro, porque, de certa forma, se identificará com aquilo que é narrado pela Rita. não o tendo experienciado, gostei muito de o vivenciar através da lente da Leonor.
a cereja no topo do bolo deste livro é o ambiente — quiçá cinematográfico — criado pela Rita através da descrição de Turim e da sua vida, tanto diurna como noturna. confesso que Turim não fazia parte do leque de cidades italianas que quero conhecer, mas tenho a certeza que qualquer pessoa que leia este livro adicionará Turim à sua wishlist de viagens.
e, claro, a representação da amizade feminina também encheu as minhas medidas.
e ainda: rita da nova 🫱🏻🫲🏼 escrever sobre a complexidade das relações entre mães e filhas
serei sempre alguém que compra um livro da rita, assim que é colocado em pré-venda. há algo nela que mais ninguém tem. e sim, ainda é melhor que o primeiro.
ps: ouçam a playlist que a rita criou enquanto leem o livro. melhora muito a experiência.
«agora, mulher adulta, já navego muito melhor as águas agitadas que compõem a minha mãe, mas o risco de naufrágio estará sempre à espreita.»
«mesmo que ainda tivesse mais tempo à minha frente do que atrás de mim, ficava presa naquele limbo, naquele local em que o presente era só uma plataforma para a ansiedade do futuro.»
«lembro-me de desejar que, em vez de pessoas, fôssemos uma taça de cerâmica em cacos — para que pudéssemos ser coladas de volta, pedaço a pedaço. os japoneses até têm a tradição de consertar as peças quebradas com ouro — se o mesmo pudesse ser feito connosco, não só estaríamos de volta ao que éramos, como nos teríamos tornado infinitamente mais valiosas depois da rutura.»
Estreei-me com Rita da Nova com este seu último livro “Quando os Rios se Cruzam” e foi uma excelente estreia!
Itália é um país a que associo, de imediato, sonhos. E para Leonor, ir para Erasmus em Turim não foi mais do que a concretização do sonho de se libertar da opressão da mãe. O seu pai emigrou há vários anos e, a partir dessa data, a mãe de Leonor aproveitou-se da situação para exigir da filha muito mais do que devia.
Será em Turim que Leonor irá dizer sim a tudo (mesmo ao que não deve), num quase grito de Ipiranga, ainda que com o anjinho bom a sussurrar frequentemente, porque na verdade ela é uma boa menina. Mas até às boas meninas acontecem tragédias e aqui sabemos desde o início que aconteceu uma, só não sabemos o quê...
E é neste suspense que vamos vivendo as páginas do livro, ansiando e temendo em doses iguais o que terá sucedido. E ainda que prevenida, posso dizer que me apanhou de surpresa e incomodou! Gostei muito da escrita da Rita, fácil de acompanhar, ainda que bonita e adorei sentir Itália nestas páginas. Conheço algumas cidades deste país, mas não Turim, que, terminada a leitura, entrou na lista de locais a visitar!
Adorei As Coisas Que Faltam, mas mesmo assim comecei este livro com expetativas baixas. A premissa não me chamou a atenção, por isso não achei que fosse achar a história interessante. Mas assim que comecei a ler, não consegui parar. À semelhança do que aconteceu com o primeiro livro, li este num único dia. A autora é capaz de pegar nos acontecimentos mais simples e banais e transformá-los nas histórias mais cativantes, de imortalizar na escrita a experiência humana de uma forma que nunca vi.
"(...) só o facto de haver espaço para viver era suficiente para me deixar tranquila. Não precisava de muito, apenas de sentir que não iria estar constantemente a bater em sítios, a encontrar pessoas, a detetar falhas."
Já o disse na minha review d'As Coisas Que Faltam, e volto a dizê-lo: a beleza das histórias da Rita está na sua simplicidade. Quando Os Rios Se Cruzam é uma história que parte de uma simples premissa, mas que rapidamente se revela uma profunda exploração do ser, da forma como evoluímos e de como essa evolução transforma inevitavelmente as nossas relações interpessoais. É uma história sobre a liberdade que advém de uma vida sem amarras ou compromissos, e das consequências, para nós e para os outros, das decisões que tomamos nesses termos.
Enfim, um livro muito bem conseguido. Cativou-me desde a primeira frase e deixou-me de lágrimas nos olhos no final. Tenho de deixar de ter expetativas baixas no que toca aos livros da Rita - acabo sempre por adorar. Já para não falar de que notei uma evolução deliciosa na escrita do primeiro para o segundo, e agora fiquei com muita vontade de descobrir o que mais ela terá para oferecer.
adorei a ideia por trás do livro, o conceito de encontrar quem somos explorado ao longo do livro e, claro, da escrita da Rita, tão simples em momentos e complexa e enigmática noutros, e sempre muito sua. Consegui ouvi-la com o que escreveu e expressões que utilizou.
A Rita consegue captar tão bem relações complexas entre mãe e filha, voltei a adorar essa parte.
A única coisa que não adorei foi talvez o plot/desenvolvimento da história em si. Que a mim não me cativou muito a partir de meio, nem o fim me surpreendeu ou agarrou.
Gostei de toda a descrição à volta da cidade de Turim e a Rita menciona nos seus agradecimentos que se comprarmos voo para Turim depois de ler este livro então que a sua missão está cumprida. Eu ainda não o comprei mas irei fazê-lo sem dúvida!
Relativamente à história do livro, acredito que não seja o público alvo do livro e que se destine a um público mais jovem. Li o livro muito rapidamente com ânsia de saber o final da história, mas, quando cheguei ao final, senti que foi muito apressado. Foi o meu livro de estreia com a autora e fiquei curiosa por ler o primeiro.
O ser humano tem muitas versões dentro de si e é curioso como, dependendo dos lugares e das circunstâncias, vão sobressaindo aspetos distintos de cada uma delas. Talvez alguns estejam demasiado ancorados à nossa identidade, ao ponto de nunca sucumbirem, talvez outros deles precisem de uma rutura, para que nos conheçamos em pleno. Mas nada nesta travessia é linear e acho que a protagonista se confronta com esta realidade muitas vezes.
Revi-me bastante na Leonor, sobretudo na necessidade de ser ponderada, de não incomodar, de não esperar que sejam os outros a cuidar dela (os motivos é que divergem). Por outro lado, fui sentindo na pele todos os conflitos que foi travando internamente e acredito que isso só foi possível porque, uma vez mais, a Rita construiu uma personagem muito credível. Eu sei que a Leonor pertence a estas páginas ficcionais, mas via-a facilmente a transpô-las. Ademais, a maneira como nos vai apresentando os factos, como brinca com as memórias, como nos deixa na dúvida, contribuem para esta sensação. E eu gosto mesmo de ler histórias que, não sendo de alguém em concreto, poderiam acontecer exatamente daquela maneira. E, aqui, não houve algo que considerasse impossível de sair do papel.
Quando os Rios se Cruzam é uma viagem permanente e deixou-me a pensar não só no impacto das amizades femininas e nos desafios que enfrentamos quando estamos longe do que conhecemos, mas também nesta ideia de descobrirmos coisas sobre nós que pareciam escondidas - será que uma decisão diferente nos impediria de as vermos? Há uma parte de quem somos que é fruto das escolhas que fazemos, mas há muitas outras que dependem do que não controlamos. Num livro em que as dinâmicas familiares estão muito presentes, também fiquei a refletir se, ao procurarmos dar espaço a partes de nós mais silenciosas, nos conseguimos realmente libertar do que sempre esteve ali, agregado a quem julgamos ser.
Sinto que neste livro a autora dedicou mais tempo a criar metáforas bonitas que à própria história. Com tantos detalhes sobre as saídas, os bares, as aulas, ao ponto de ser absolutamente chato, conseguiu fazer um desenlace surpreendemente rápido - não que melhorasse a minha experiência com o livro.
Desde que comprei este livro que sabia que o queria ler enquanto estivesse em Erasmus e, portanto, assim o fiz.
Não me identifiquei a 100% com a personagem da Leonor até porque “estamos” a viver experiências diferentes mas, mesmo a questão familiar (felizmente) não me diz muito.
De qualquer forma gostei muito de acompanhar as suas aventuras e de estar na cabeça dela e entender o porque de ele ter tomado determinadas decisões.
A escrita da Rita é muito boa, dei por mim a sublinhar imensas frases e agora só resta esperar pelo próximo que acho que já está em processo 🫣
Dei por mim, imerso nos pensamentos da Leonor, ansioso para saber o que ia acontecer.
A construção de personagem está tão bem feita, que fechamos o livro com o sentimento que a conhecemos, por tudo o que a Leonor mostra que é e faz/fez.
A tensão, é construída de forma exímia, capítulo a capítulo com reflexões muito bonitas sobre o que é existir nas relações com os outros.
Para além disso, conhecemos Turim. Com descrições aliciantes e nada pretensiosas da cidade, este livro incitou-me a conhecer!
Em suma, uma história muito bonita sobre ter a oportunidade de ser e fazer o que se quiser onde não existe definições ou expectativas. E, com uma reflexão sobre como essas ações nos mudam- A forma como vemos os outros e até nós próprios.
Quis mesmo gostar deste livro, li “As Coisas que Faltam” e tinha expectativas altas em relação a este mas desiludi-me, de tal forma, que estive a ponto de o deixar de lado em vários momentos. Também eu fiz Erasmus em Itália e pensei rever-me nalgumas experiências da Leonor e apesar de isso ter acontecido, senti sempre que faltou qualquer coisa na narrativa. Sempre gostei de saltos temporais e achei curioso a forma como a história toda é narrada a uma desconhecida nos degraus de um prédio 11 anos depois de terem acontecido. Mas apesar disso, mesmo no fim senti sempre que faltou qualquer coisa. Mesmo que a protagonista tenha, de certa forma, atingido o estado de catarse ao contar o que de facto aconteceu em Turim em 2012, para mim a história não podia nunca ter sido só aquilo.
levou-me de volta aos meus tempos na polónia e comprovou que há coisas universais sobre ir de erasmus - saídas à segunda feira, dramas amorosos a cada esquina e a certeza de ir para lá uma pessoa e voltar outra diferente
uma história sobre como criamos a nossa identidade. sobre como somos o conjunto das nossas camadas. sobre como, no fundo, podemos ser o que quisermos, mas o que queremos não é, necessariamente, o melhor. somos todos Leo! se ACQF foi muito bom, QORSC foi perfeito!
Senti muitos piquinhos no nariz nos últimos capítulos 🥹
Num sítio onde podemos ser quem quisermos, quem escolhemos ser?
Acompanhamos a Leonor, com vinte anos, que embarca na aventura de Eramus, na cidade de Turim. Depois de uma educação castradora, dá por si com toda a liberdade para explorar os seus limites, criar memórias e… viver! A história está escrita em dois tempos e tem sempre uma vibe misteriosa muito forte. Como é óbvio, não conseguir parar de ler!
Identifiquei-me muito com a Leonor, com a sua sede de viver o mundo e com todas as inseguranças que se seguem. Também fiz Erasmus e fui pessoas diferentes: deixei um bocadinho de mim e trouxe uma bocadinho de lá. Fui confrontada com escolhas e nem sempre fiz as melhores, mas criei muitas memórias e tenho muitas saudades. Revistei muitas das minhas vivências enquanto lia este livro.
Quando os Rios se Cruzam levou-me a Turim, sinto que conheci um bocadinho da cidade nestas páginas. Sinto também que Turim é uma das personagens centrais por estar tão bem desenvolvida. Ainda aprendi muito porque a Rita colocou vários factos na sua narrativa de uma forma muito orgânica.
Eu gosto muito da Rita e acompanho muito o seu trabalho, mas juro que não estou enviesada quando digo que a escrita da Rita tanto é um abracinho na alma, como um espelho para encarar os nossos próprios demónios. E se não é para isto que lemos, então é porquê? ✨
Já tinha lido o primeiro livro da autora. Teve partes boas e outras nem tanto mas, sendo o primeiro livro da autora, cedi e avancei para este seu segundo livro.
Ao ler as primeiras páginas, encontrei muitas semelhanças com o livro anterior - uma filha e a sua relação com a mãe- bem como a inspiração que a autora retirou da própria vida. Estes tornaram o livro mais enfadonho e tive a sensação de estar a ler em repetição. Com muita pena minha, o que mais gostei no último livro, não encontrei neste: em “As coisas que faltam” ainda que a escrita pudesse ser (demasiado) simples, éramos brindados por uma nova descoberta e uma nova pergunta em todos os capítulos, o que ajudava a manter a curiosidade no livro; já em “Quando os rios se cruzam”, há ausência desse movimento e um padrão de repetição muito grande, sem conteúdos que interessem. Por outro lado, se no primeiro livro tínhamos uma escrita demasiado simplória, aqui encontramos muita utilização de frases filosóficas e metáforas que, em demasia, desviaram a minha atenção da leitura.
Ainda que não tenha gostado do livro, o trabalho que a Rita consegue fazer com as personagens que nos trás pelos seus livros deixa-me sempre confusa se é um ponto positivo ou não: conseguimos ter alguma profundidade em algumas personagens, outras nem tanto por serem infantis ou mundanas mas a verdade é que é fácil entendê-las, perceber as suas emoções (podendo ainda discordar delas) e acompanhá-las durante os livros.
Restam-me poucas palavras… Os primeiros 90% do livro deram vontade de beber uma cerveja nos Murazzi, os últimos 10% fizeram-me querer chorar no Parco del Valentino. Está perfeito, obrigada Rita pela viagem. 🤍
Abri e fiquei. Aquela mãe da Leonor reconheço. A ficção imita a realidade. Uma história que flui tão bem que, nos deixamos levar.
Não li o livro anterior da Rita, e sequer ouço o podcast mas sigo os comentários sobre as leituras mensais. E não consigo não imaginar a Rita a representar a Leonor.
Gosto da autenticidade introspectiva e lúcida e das várias camadas que vai revelando neste romance que me surpreendeu e prendeu. Despretensioso e cativante. O facto de eu conhecer uma mãe tão sufocante e controladora também ajudou. Talvez as pessoas tóxicas tenham os mesmos códigos mentais e de conduta. Uma confissão a uma desconhecida é a melhor terapia.
Tenho que dizer já de antemão o seguinte: os últimos capítulos fizeram-me sentir piquinhos no nariz! Que história maravilhosa e que vontade de entrar num avião rumo a Turim (ou a Milão, vá). Gostei de tudo! E estava tão envolvido em toda a história que aquele fim nunca me passou pela cabeça. A Rita da Nova voltou a arrasar!