Sou dos que acredita que se pode amar uma pessoa a vida toda e toda a vida pode até ser pequena para tanto amor. Não temos de amar todos na mesma medida, nem tomar o pulso ao que os outros sentem. Vamos aprendendo com a idade que o amor é só isso e nada mais. Não o devemos exibir, complicar, humilhar, amachucar de forma a chamar a atenção para outra coisa qualquer. O amor é só amor e qualquer história de amor conta isso mesmo.
A história deste livro é a de uma paixão vivida fora de tempo, talvez fora de horas, por duas pessoas que se encontram no lugar certo, mas no tempo errado.
Quando me perguntam porque escrevo sobre o amor, é porque não acredito que exista força maior. O amor é agarrar em coisas boas e transformar a vida, colando-as umas nas outras de maneira que fiquem poucos espaços para outra coisa que não seja o amor. É amar um lugar, um cheiro, uma lembrança, um animal, uma música, é gostar de andar na rua, é ter vontade de sentir a chuva, o vento, de aproveitar o sol.
O amor é vida que cada um de nós tem de aproveitar se nos bater à porta. Nunca percam de vista a vossa pessoa certa. Vale sempre a pena tentar. Sempre!
Cláudio Ramos nasceu a 11 de Novembro de 1973, em Luanda. Estreou-se como ator na Televisão em 1996 e, em 1999, participou nas Noites Marcianas. Actualmente na SIC, passou por programas como "Às Duas por Três" e "SIC 10Horas". Além da sua actividade na Televisão, colabora na Rádio, onde começou aos dezasseis anos, assina crónicas na imprensa escrita e criou a empresa de valorização pessoal Você Precisa de Nós. Tem três títulos publicados: o romance policial Geneticamente Fúteis, em literatura infantil As Aventuras de Nocas e, com o selo Bertrand, os romances Em Nome dos Homens e Abraça-me.
Um romance entre um casal gay, onde o autor explora as perspectivas de uma relação que nem sempre é o esperado. Como em qualquer relação há muitas atitudes e posições que não conseguimos perceber no outro, o porquê de muita coisa. E neste livro a psicologa Marta vai-nos dando tantas ferramentas fundamentais para esse entendimento que foi a parte do livro que me interessou mais. Carlos e Bruno podem ser felizes, mas nem sempre conseguem ver com esta clareza e como tantos de nós têem muitas dúvidas e medos que são barreiras. O amor....esse problema que nos põe a cabeça a andar a roda e nos coloca em becos sem saída e dores ao peito. Gostei também da história pararela do menino de coração azul que caracteriza tantas crianças da nossa sociedade que nem sempre conseguimos vê-las e ajudá-las. À diferença que por vezes viramos costas. Ao ler um livro senti um pouco de Cláudio Ramos aqui....
"Mais de metade das pessoas com quem nos cruzamos na vida vive coisas que não são verdade. Algumas têm a clara noção disso e optam por não fazer nada, e há outra parte, que preferia ter ferramentas para voltar a um lugar onde já foi feliz. Muitas acham que não vale a pena, porque a dor de deixar a fantasia em que estão é pior. Teriam de estar dispostas ao luto, e o luto é muito difícil.»
O Romance de estreia de Cláudio Ramos onde conseguimos perceber as várias camadas do autor, ainda que este livro seja uma ficção.
O autor apresenta-nos a história de Carlos, um escritor de sucesso que apresenta alguns problemas com as relações que tem vindo a estabelecer ao longo da sua vida, mas subitamente apaixona-se por um homem mias novo e que lhe vem trazer uma outra perspectiva e vontade de amar.
Vamos alternando a história entre o presente, onde acompanhamos o seu dia a dia, bem como as suas sessões de psicologia com a Marta, e o passado, onde vemos como era sofrido ser um menino de coração azul nos anos 70-80.
Achei a história belíssima e mais profunda do que um mero romance gay. Achei as camadas muito bem desenvolvidas, explicando porque é que o Carlos tinha dificuldades em relacionar-se, e talvez espalhando as mais varias realidades que os homens gays de meia idade tiveram que ultrapassar até aos dias de hoje, onde há maior aceitação e compreensão.
O Amor é o principal aliado de O Rapaz, o romance onde Cláudio Ramos entrega a sua liberdade perante a escrita de uma obra que afirma ser de ficção mas onde se vê tanto do seu autor em cada página onde de menino a adulto apaixonado, dos confrontos e das transparências, se encontra um homem que acredita que é possível amar, mesmo com todos os entraves que por vezes as relações trazem consigo. Um romance gay, que vive entre memórias da criança que este rapaz foi e do rapaz que se tornou perante a vida que lhe foi colocando entraves em paralelo com as conquistas com que sempre sonhou. Aqui, encontramos um homem apaixonado mas ao mesmo tempo magoado por um passado onde se apaixonou e entregou de forma total e acabou por sofrer com a desilusão por existir do outro lado quem não estava preparado para amar e se entregar. Como alguém me disse um dia, «és a pessoa certa, não nos encontramos foi no momento certo», e é muito isso que se destaca em O Rapaz onde o medo de voltar a amar após a mágoa existe, mas onde os contornos de quem chega de novo com vontade fazem ser possível acreditar sentir de outra forma o poder da atração entre dois seres que se querem. Frágil, sincero, real e muito do Claúdio está neste livro e só por sentir que tanto que aqui é contado é a verdade deixei-me conquistar muito facilmente ao longo desta leitura que após as primeiras páginas não mais quis largar. Por muito medo que se tenha perante nuvens menos boas que já passaram, é sempre possível acreditar que vai valer a pena seguir em frente, acredita!
Eu começo por dizer que gostei muito deste romance, razão pela qual lhe dou 4 estrelas. Admito também que, apesar do começo e meio fortes, um pouco antes do final a narrativa começa a ficar um pouco mais do mesmo, mas rapidamente isso muda a tempo de um final surpreendente e , sem duvida, emocionante. Alem disso, a narração vai se alternando entre o presente do protagonista e a criança que foi no passado, o que é uma forma de estruturar um romance, na minha opinião, muito inteligente, acrescentando ainda o facto dos capítulos serem relativamente curtos. Acima de tudo, nota-se que este é um livro escrito com muita maturidade e que nos faz refletir sobre o amor, a tentativa de o encontrar e todas as muitas realidades que surgem por arrasto. Falando do sofrimento, dos momentos felizes e, por entre os do quotidiano banal, o autor cativou-me com o seu tato na escrita, a sua introspeção, e o cunho de verdade. Penso que, daqui em diante, aproximarei o amor com outros olhos e uma outra sensibilidade. Confesso que fiquei bastante interessado em ler mais dos livros do Cláudio. Despeço-me com uma citação em concreto que me marcou, não que o livro tenha escassez delas:
"Começa por ser um espaço pequenino, numa ausência de momento, vai alastrando a ausência, que começa a tornar-se um hábito, vamos ficando longe uns dos outros, e quando damos por isso, já nem um salto dos grandes nos deixa passar para o outro lado."
O livro é intenso, no qual os personagens despertam em nós uma enorme empatia, pelos quais passamos a torcer para que fique tudo bem. A história de Mariana por sua vez, não terminou como desejava, o que estranhamente deu um toque especial ao livro.
Este livro não é apenas uma grande história de amor gay, escrita de forma inteligente, irrepreensível e imprevisível, ela também nos mostra de forma sublime, como o amor e as dúvidas sobre se somos ou não correspondidos, é igual para todos - heteros ou homos. Amamos, duvidamos, seduzimos e somos seduzidos, sofremos de igual forma. Assim simples, se é que o amor pode ser simples quanto isto. Mostra também a importância de sermos e termos ao nosso lado pessoas que insistam em nós, redes de apoio que não desistam diante a nossa própria recusa em lutar, quer sejam amigos ou profissionais próprios para nos ajudar.
A leitura é linda, fluída e triste ao mesmo tempo, inspira perseverança em si mesmo e no próximo. QUE LIVRO...Enfim, AMEI!!!!! E recomendo mesmo muito esta leitura.
É uma história de amor de dois rapazes gays. Neste relato, Cláudio Ramos, traz os estados de alma que as pessoas sentem nesse percurso. Afinal todos nós transportamos uma bagagem, por vezes bem carregada, de relacionamento em relacionamento.
Escrito de forma simples e certamente apaixonada, quem acompanha o Cláudio sabe que muito dele está neste livro, e em certos pontos quase lhe ouço a voz!
Então temos Carlos e Bruno, e um romance gay, que se vai desenrolando ao sabor de cada página. Mas não só de amor é feita esta estória, temos visitas ao passado, aos momentos de criança, temos estados de alma, desabafos, desilusões e ilusões que o Carlos nos vai contando por entre todas as suas consultas. Conseguirá Carlos despir-se de todos os medos, desilusões e sofrimento para abraçar o amor?? Isso já sabem, vão ter que ler!
Simplesmente lindo. O meu primeiro romance de Cláudio Ramos e estou fascinado. Uma escrita eximia!! Posso dizer que me revi em algumas partes, principalmente nas coisas vividas pelo menino de coração azul 🩵. Obrigado Cláudio pelo fantástico livro. Recomendo completamente!!
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3,5 * Apesar de não ser escritor, Claudio Ramos apresenta- nos uma história de ficção onde o podemos rever, num relato sincero e real, escrito de forma inteligente e imprevisível. Gostei!
3,5 * Apesar de não ser escritor, Claudio Ramos apresenta- nos uma história de ficção onde o podemos rever, num relato sincero e real, escrito de forma inteligente e imprevisível. Gostei!
“O Rapaz” é um romance queer português relevante por combinar uma narrativa emocional sincera, escrita por uma figura mediática, e trazer atenção ao amor entre homens com beleza, sensibilidade e força, marcando assim uma viragem significativa na carreira literária de Cláudio Ramos. A história foca-se numa paixão que surge “fora de tempo, talvez fora de horas”, mas que tem potencial para durar toda a vida. Escrito com tom maduro, mais introspectivo, sensível e menos autobiográfico do que os livros anteriores do autor.
Este é, em minha opinião, um livro que para além de falar sobre o amor, nos ensina a compreender outras perspectivas e quem sabe até nos ajude, dependendo do momento de vida de cada um. O facto de falar de um casal gay só lhe aporta também, a faceta de ensinar, quem quiser aprender que o amor não tem barreiras. Podia ser uma surda e um tetraplégico, que seria amor, que quando é verdadeiro é o que realmente importa.