Nas semanas que se seguiram ao 25 de Abril de 1974, milhares de casas foram ocupadas por moradores pobres das grandes cidades. O problema habitacional deixado pelo Estado Novo era visível nos extensos bairros de barracas que rodeavam as principais cidades submetidas a um processo de acelerada metropolização. Foi assim que, em torno das reivindicações de direito à habitação e à participação política, emergiu um amplo movimento social urbano que disputou durante o PREC o modelo de democracia a construir em Portugal, que se esvaiu com a sua despolitização nos anos seguintes.
Este livro analisa o período revolucionário tomando a questão urbana como lente para ler a afirmação da democracia portuguesa. O que significou construir um regime democrático na cidade? Para responder a esta pergunta, a autora foi ao encontro dos actores, das políticas e das instituições — nos debates da Assembleia Constituinte, nos programas habitacionais lançados no pós‑25 de Abril, nas propostas dos partidos políticos sobre participação e habitação, nas leituras de arquitectos e urbanistas sobre planeamento urbano e metropolização. E também nas respostas do novo poder local democrático à crise habitacional nas periferias dos anos 70 e 80, preso nas contradições entre o direito à habitação, a explosão da construção «clandestina» e os direitos de propriedade
"[...] a hegemonia neoliberal [...] tende a ser lida como uma reconfiguração do campo político a favor da incontestabilidade dos interesses e normas dos mercados, e com a exclusão de conflitos políticos que os coloquem em causa. [...]. A invocação de democracia assenta assim na redução do seu sentido emancipatório, limitando-a a um conjunto de procedimentos de tomada de decisão que nada pretende mudar na distribuição desigual do poder e recursos."
Um excelente livro de investigação das áreas da sociologia, economia e ciência política sobre um dos maiores problemas da atualidade nacional: O acesso a uma Habitação. Apesar de complexo (pelas referências e citações que vai buscar, recomendo a leitura.
“Um processo político que não acatou o modelo participativo das organizações populares urbanas no desenho das instituições do regime e em que a promessa redistributiva do direito à habitação se pautou por uma fraca provisão pública. Assim afirmei essa acomodação sem conflito deve ser interpretada como um processo de despolarização.”