Considerada pela crítica dona de «uma voz narrativa avassaladora», Joana Estrela regressa à BD com uma história que acompanha os últimos dias da vida de um gato e as difíceis decisões que pesam sobre a família que o acolhe. Um livro comovente sobre o luto, que celebra também a vida de um gato no seio de uma família humana: as cumplicidades, os sustos, os hábitos e as manias — e, por fim, os dias que obrigam à despedida. «É sábado de manhã. O gato ainda está vivo. Mas também ainda está a morrer.»
o novo livro da joana estrela é um livro tão pequenino, com poucas palavras e, ainda assim, consegue transmitir muitíssimo. é por estas e por outras que sou apaixonada pela bd e pelos livros ilustrados.
“quando tens o mesmo quarto desde que nasceste, ele conta a história de todas as versões de quem já passaste. e pode ser preciso abrir espaço para a nova versão que aí vem.”
a perda pode ser dos maiores abismos da nossa vida. é nesse período de dor diferenciado, que somos confrontados com as nossas próprias fragilidades e vulnerabilidades. não há receita para ultrapassar. não há atalhos. a dor tem de ser sentida, vivida. não é o tempo que cura as feridas, embora nos ensine a viver com a ausência. é esta dor, por vezes profunda e avassaladora que pode ser um catalisador para o nosso crescimento.
mas e o que vem antes? e se o nosso animal, o nosso familiar, ou o nosso amigo, estiver gravemente doente por um longo período de tempo? como se convive com isso? a pessoa ainda não partiu mas esse é já uma perda que precisa de ser trabalhada, que pode chegar muito antes da partida. e a isso chamamos de luto antecipatório. é um tipo de luto que por vezes é menosprezado com o “mas porque é que estás para aí cabisbaixo? aproveita masé que ele ainda cá está.” e que pode ser tão doloroso quanto os outros.
fico feliz por ver esta temática trabalhada, principalmente num livro da Joana Estrela. a autora tem o talento para descomplicar questões sensíveis e torná-las bonitas. adorei!
Tão pouco texto... Desenhos tão simples... E ainda assim, uma história com um impacto fulgurante. O adeus à infância, causado por um acontecimento algo triste. Assim é a vida, implacável na sua simplicidade.
Uma BD sobre luto e amadurecimento. Com muito pouco texto e com um grafismo simples mas maravilhoso. Uma imagem vale mais que mil palavras 😸 Temos aqui uma família, pai, mãe, filha e o gato Manuel. As intervenções familiares estão muito bem conseguidas e a forma como é abordado o luto está, a meu ver, muito bem retrato.
Isto foi curto e bonito porque era genuinamente verdadeiro. Comecei este livro sem saber nada sobre o que se tratava e acabei por chorar como um bebé, em parte porque adoro animais, em parte porque o meu marido e a minha sogra viveram exatamente esta situação há poucos dias.
Um pequeno relato (aparentemente) comum da vida diária de uma família (aparentemente) comum com um gato (aparentemente) comum. Mas, na verdade, página após página, descobrimos que nem a família nem o gato são comuns.
Joana Estrela, com um estilo gráfico bastante simples e minimal mas expressivo e eficaz, tece uma narrativa delicada sobre o amor e amizade que une esta família ao bichano velhote, e a forma como vão viver juntos os seus últimos dias.
O estilo narrativo inclui passagens de uma sensibilidade concisa que surpreende, como: "Fico a pensar como as famílias são uma coisa tão aleatória. Calhou sermos a família uns dos outros. Calhou este gato ser o nosso gato." "Vivemos num beco sem saída, literalmente. Os únicos carros que passam são os nossos ou os dos vizinhos. Não estamos a caminho de nada. Ou somos a origem ou o destino."
(Dica: as duas frases finais desta pequena obra são, vale a pena notar, bem mais interessantes e profundas que muitos textos "inspiradores" que circulam por aí.)
"Gato Comum" é mais uma edição da Planeta Tangerina que (felizmente) pode ser apreciada por jovens e adultos, de leitura rápida mas que toca e emociona pela sua simplicidade e honestidade.
Uma leitura recomendada, pela oportunidade que dá aos leitores de compreenderem melhor as emoções das famílias num dos momentos mais difíceis do quotidiano: o final da vida e a partida de um animal de companhia.
A Joana Estrela tem sido uma descoberta fabulosa, porque consegue fazer-nos sentir muito com pouco. Aliás, as mensagens que se entrelaçam aos traços do seu desenho abrem inúmeras portas emocionais, representando-nos de alguma maneira.
Como tenho três gatos, fui-me revendo na angustia, na antecipação, na inquietação. Além disso, vivi uma situação semelhante com a minha cadela, portanto, despertou memórias de infância. Mas, acima de tudo, rendi-me ao livro porque achei muito pertinente a forma como abordou a perda, o período de luto e o contraste entre o fim de um vida e o desabrochar de outra.
Mesmo que se leia num sopro, consegue ser quase catártico e transmitir uma certa poesia na vulnerabilidade.
Oficialmente dos meus livros preferidos. Adorei cada página. É um livro curto mas com tanto impacto. Principalmente para quem já teve ou tem gatos. Os pormenores eram incríveis, principalmente as páginas em papel amarelo adicionaram um toque mesmo fixe. Para além disto, as ilustrações were really right up at my ally então não consigo adicionar muito mais a não ser dizer que adoro o estilo desta artista.