Gêmeos, os irmãos Ivanildo e Sandro vivem em Jenipapo, cidadezinha árida do sertão nordestino. Trabalham, como quase todos ali, na lavoura de algodão. E também como quase todos, são explorados pelos figurões locais, em especial Roberto, o usineiro que detém o poder ao longo de todo o processo de produção e comercialização da matéria-prima. Os agricultores plantam, colhem e se submetem aos compradores, que estão sempre secundados por jagunços. Não há banco na cidade, e o pagamento vem com o rendimento das safras futuras. A sensação geral é de exploração pura e simples. Gerações inteiras parecem não sair do lugar. A modorra é econômica, social e emocional. Diante desse quadro, poucos — devido ao medo de violentas represálias — se articulam contra essa injustiça secular. Um dos raros a fazê-lo é Ivanildo, o "sonhador", que não se conforma com a vida que ele e sua família levam, não admite ser comandado por pessoas brutais e sente-se cada vez mais impelido a falar sobre os desmandos e injustiças em Jenipapo. Claro que isso desagrada aos chefões. E num atentado planejado contra ele, acabam ceifando a vida de Sandro, o irmão gêmeo que sempre foi alguém conformado com a vida besta (e a iniquidade sem fim) do lugar. A partir daí o leitor de Jenipapo western é engolfado numa espiral de violência e vingança — um acerto de contas familiar, mas também uma revanche sangrenta contra séculos de aviltamento.
Romance cinematográfico sobre o conflito entre duas famílias, uma rica e outra pobre, numa cidade imaginária do Sertão algododoeiro chamada Jenipapo. A escrita é ágil e às vezes poética. Acho que é o tipo de livro que, pela quantidade de acontecimentos e personagens, precisaria de mais páginas e tempo para se desenvolver. Em todo caso, um autor promissor.
Leituras de 2025 . Jenipapo Western Tito Leite (Brasil, Ceará, 1980-) Todavia, 2024, 151p. _____________________________ “Há vários modos de fugir, mas é preciso apontar para onde dói” (pág 83). . Jenipapo Western, título curioso operado pelo escritor cearense Tito Leite, constrói uma narrativa visceral e pungente ambientada numa cidade fictícia do sertão nordestino, Jenipapo. A história gira em torno dos irmãos gêmeos Ivanildo e Sandro, ambos trabalhadores da lavoura de algodão, submetidos à exploração dos usineiros locais, bancos informais e jagunços. A tensão da vida rural se reflete não só nas dificuldades materiais, mas nas relações de poder, medo e conformismo. O livro capta bem essa modorra social e emocional do lugar — a sensação de que gerações inteiras permanecem presas num ciclo de submissão, sem perspectivas, até que um dos irmãos, Ivanildo, resolve romper com o silêncio e enfrentar a brutalidade estabelecida. Esse confronto gera uma tragédia que transforma o romance num faroeste sertanejo onde vingança e justiça disputam espaço. . O estilo de Tito Leite merece destaque: frases curtas, texto seco, direto, quase áspero, mas pontuado por momentos líricos e uma fé persistente que surge como resistência. A linguagem do povo sertanejo é preservada com autenticidade, sem que isso torne a leitura empobrecida — ao contrário, acrescenta textura, peso e verossimilhança à narrativa. . Creio eu que Jenipapo Western funcione tanto como denúncia social como também como fábula moral sobre dignidade, revolta e as consequências de enfrentar o poder. Não é uma obra leve, mas sua contundência, personagens com recortes fortes de humanidade e suas imagens sertanejas fazem dela uma leitura interessante. Vale!
★★✩✩✩✩✩✩✩✩ 2/10 Muito ruim Um compilado de clichês e "influências". A orelha do livro e o press release da Todavia falam em Graciliano Ramos e Sergio Leone; para mim o que se destaca mesmo são os muitos detalhes comuns ao exageradamente incensado Torto Arado, mas talvez ficasse chato a editora mencionar obra tão recente de escritor contemporâneo a Tito Leite.
Os capítulos são curtos, mas o primeiro deles bastou para notar que o estilo de escrita é ruim e antever que a história seria débil. Insisti por mais três dezenas de páginas, passei a pular a maior parte delas e li o final. Tudo seguiu como se prenunciara, mas com muito sangue – como já mencionei aqui, matar (quase) todo mundo, em especial gente simples e trabalhadora, é um recurso pobre que serve claramente a dois propósitos: o autor busca comover leitores simplórios enquanto tenta mascarar a própria falta de criatividade. A mim não engana.
É ruim? Não. Mas também não é um livro bom. Na metade entendi que seria uma grande história para uma novela das nove, mas os acontecimentos foram me mostrando que a novela seria péssima. Claro, imagino eu que a intenção do autor não era virar uma novela nas nove, mas pra história do livro a conclusão é a mesma. Final péssimo, rumo péssimo, e querer tornar tudo uma grande poesia, pelo menos pra mim, é um saco. Mas isso talvez seja algo pessoal.
Minha nota é um 2,5.
(Essa avaliação não tem spoiler, mas não quero que minha opinião pegue desprevenido alguém que pense em ler ou esteja lendo)
This entire review has been hidden because of spoilers.
em jenipapo uma parte do povo é cruel, outra parte também, mas pensa que não é
eu meio que me apaixonei pela capa, o que geralmente é um erro, mas a capa é bonita, o nome chama atenção e estava disponível na biblion, receita perfeita para uma leitura rápida que eu precisava na época por estar trabalhando/sofrendo no clt.
tudo se passa numa cidade fictícia chamada jenipapo, mas que parece de verdade, porque nós encontramos uma família grande com intrigas internas, fome, desigualdade e autoridade disposta a fazer qualquer coisa para continuar no poder incontestavelmente. fazendo jus ao título, é um livro com bastante violência e bem cinematográfico, eu gostei do ritmo rápido em que as coisas acontecem, mas… não chegou nem perto de ser um favorito.
todo o bangue-bangue com muita vingança, tiroteio, desaparecimentos e cadáveres se amontoando me pareceu um pouco como um filme e seria uma das únicas vezes em que eu talvez preferisse o filme ao livro ― é, eu sei, parece bem esquisito já que normalmente eu prefiro os livros por serem mais detalhistas, mas jenipapo western simplesmente não funcionou muito bem.
talvez seja porque eu não sou o público alvo? sei lá. eu gosto de literatura nacional, eu gosto de filmes de bangue-bangue, acho que apontar a mesquinhez dos detentores de poder e como o modelo econômico evidencia a disparidade ao desfavorecer os necessitados é muito bom, traz um choque cultural para esta leitora branca sulista que não tem ideia de como é o sertão, mas, para mim, o livro parece ter um pé no fantasioso.
no geral, gostei da escrita do autor, pretendo ler dilúvio das almas, que foi seu romance de estreia, mas jenipapo western não me deixou satisfeita ao terminar, não foi de tirar o fôlego ou qualquer reação que faz a gente encarar uma parede pensando muito sobre a leitura. mas funcionaria bem demais no audiovisual.