Em uma conversa com o seu amigo Castro, Castelo explica como que fingindo saber javanês ingressou na carreira diplomática. Versado de malandragem, com pagamentos atrasados e sem emprego, enganou sem escrúpulos o Barão de Jacuecanga, que tinha um falso interesse em aprender javanês e ele então se apresentou como um dos raros tradutores do idioma. O vazio intelectual e a política de favores, acabam legitimando as farsas de Castelo e dão a ele prestígio.O homem que sabia javanês e outros contos é um compilado de narrativas que demonstram as características satíricas e realistas de Lima Barreto em suas críticas sociais, com uma linguagem sem floreios que retrata a cultura popular.
Lima Barreto foi gênio demais. Conseguia articular questões da sua época, mapeando desde a esfera familiar das classes baixas até a mais alta classe do funcionalismo, da nobreza decadente e dos novos-ricos; contornando seus respectivos imaginários, vícios e alicerces sociais e históricos de maneira satírica e irônica. Tudo isso, em meros contos de no máximo 10 páginas a serem publicados em jornais.
Leitura muito divertida, e em certo sentido, bem atual. Recomendo demais.