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Barranco de Cegos

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Barranco de Cegos", livro de 1962, e uma das melhores obras de Alves Redol. A narrativa é uma caracterização da burguesia ribatejana, do pensamento e estilo de vida daquela gente. A divisão existente, mesmo dentro da burguesia entre os liberais e os absolutistas, entre os repúblicanos e os monárquicos, entre os rurais e os urbanos. Mas não só pela caracterização da classe se fica, o relato narra as desventuras de uma família em que diferentes gerações apresentam distâncias cada vez mais latentes. Como obra neo-realista que é, "Barranco de Cegos", expõe ainda as condições de vida e de trabalho da classe operária rural do Ribatejo. Enfim, uma obra importante do neo-realismo português.

434 pages, Paperback

First published January 1, 1961

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About the author

Alves Redol

37 books40 followers
Cedo começou a trabalhar dada a natureza modesta da sua família. Parte para Angola, aos 16 anos, procurando melhores condições de vida, regressando a Portugal três anos depois. Junta-se ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), que se opunha ao regime do Estado Novo, e filia-se no Partido Comunista, escrevendo artigos no jornal O Diabo.

Introduziu o neo-realismo em Portugal com o romance Gaibéus (1939), nome dado aos camponeses da Beira que iam fazer a ceifa do arroz ao Ribatejo, em meados do século XX. Daí em diante sua obra revela uma grande preocupação social, velada ainda assim, dada a censura e à perseguição política movida pelo regime de Salazar aos oposicionistas, e mormente aos simpatizantes do PCP, como era o caso. Chegou mesmo a sofrer prisão política tendo sido torturado.

Seu último romance, Barranco de Cegos, de 1962, é considerado sua obra-prima e afirma sua nova fase, em que a intervenção política e social é posta em segundo plano, dando lugar a um centramento nas personagens e na sua evolução psicológica, de cariz existencial.

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Displaying 1 - 12 of 12 reviews
Profile Image for Luís.
2,383 reviews1,376 followers
October 8, 2023
Barranco de Cegos is a kind of synthesis of the entire Romanesque universe of Alves Redol. The themes that the author always kept in his narratives are present again, although in much safer, more refined, and majestic writing:
. The search for authenticity in the dichotomous truth/fiction
. The Myths of Tradition, Family, Earth
. The return to an absorbing and romantic lyricism in the best Camillian tradition (Maria do Pilar / Zé Pedro)
. The fears of industrialization and the dangers of republicanism are seen from the perspective of the landowner
. The hierarchical world of the landlords and the spurious rebelliousness of the exploited (the Corkscrew)
Profile Image for Ana.
230 reviews93 followers
June 4, 2021
Extraordinário romance!


"A mais de cinco metros, erguiam-se todos os chapéus e carapuços na mão humilde, saudando nele o símbolo do senhor que dava o chicote e o açúcar."
(p.417)

"Os tempos, porém, iam duros. Onde andava agora a doçura tradicional da nossa gente, tão brandinha, tão inhazinha? Aí estavam os inconvenientes da instrução e da imprensa. O mau exemplo também viera do agro, onde era comum verem-se filhos de homens da Lavoura assoberbados com canudos universitários. Talvez devesse voltar-se aos tempos em que a sabedoria era só guardada pelo clero, gente incapaz de fazer mau uso da palavra dos livros, embora nestes houvesse que lhes dar uma monda, queimando e deitando ao mar as cinzas dos considerados funestos."
(p.434)
Profile Image for Ricardo Alves.
99 reviews18 followers
August 22, 2014
Barranco de Cegos (1961) conta o fim de um tempo, entre o Ultimato inglês (1890) e o pós-5 de Outubro de 1910, e revela-nos uma família de grandes lavradores ribatejanos, cujo chefe é uma personagem inesquecível: Diogo Relvas, homem excessivo, cruel e reaccionário, fiel a uma tradição agrária que vê na terra as virtudes ancestrais duma nação, e no desenvolvimento industrial a condenação da pátria, motivada pela cupidez e pela ambição de poder de uma elite cega -- cegos conduzindo cegos, uns e outros na iminência de caírem num barranco, de onde dificilmente se sairá. Relvas carrega consigo o peso dos antepassados, regendo-se por uma ética abstracta, inflexível quanto ao essencial -- a manutenção do poder: simbólico, através dos cerimoniais do mando, e de facto, pela posse efectiva do agro; inflexível no essencial, moderadamente maleável quanto a questões mais prosaicas. As restantes personagens, em especial os filhos, órfãos de mãe, débeis, volúveis -- um deles esmagado pelo peso excessivo do progenitor --, as duas filhas, Milai e Maria do Pilar, fortes e marcadas, complexas no lidar com o patriarca, dão profundidade ao romance. Outras personagens secundárias, em especial as populares, são também fundamentais; mas esta é uma história de senhores, homens senhores doutros homens.
No prefácio que escreveu em 1964, Mário Dionísio, que não era de elogio fácil e se afastara já do PCP, na sequência do Relatório Krushchov, não hesita em classificar o livro como "um dos grandes romances de toda a nossa história literária".
Barranco de Cegos é, com efeito, literatura da boa, da que conta, da que interessa, da que constrói identidade, da que dá substrato à comunidade de que emana -- e também da que experimenta, da que burila, da que arrisca. Para além de todas as classificações que cada vez fazem menos sentido, a não ser numa abordagem historiográfica, trata-se de neo-realismo, e do melhor -- isto é: não evidenciando a vulgata que simplifica e sectariza, é suficientemente amplo para ser subscrito por todos quanto comungam de preocupações afins, sem que com isso o autor traia (e se traia) o escopo ideológico que lhe subjaz. O final do romance, magistral, traz-nos uma atmosfera que dir-se-ia paralela à do realismo mágico, que o recém-falecido Gabriel García Márquez consagraria anos mais tarde.
Redol é, sempre foi -- mesmo no inaugural Gaibéus (1939) -- um romancista de raça, um criador de mundos, de atmosferas, de personagens de carne e osso. Barranco de Cegos evidencia-o de tal forma que -- para desgosto de alguns cadáveres -- se inscreve duradouramente no nosso cânone literário.
Profile Image for crίѕтίŋα•●Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ●•.
899 reviews232 followers
March 12, 2025
“Tarde ou cedo foi a mim que mo deram. Lembrem-se bem: a mim. E só a mim. Nenhum de vocês fez ainda, até hoje, fosse o que fosse para o merecer. Sua Alteza chamou-me o rei dos lavradores. Num país agrário isso significa que ele dividiu comigo a sua coroa. Percebem agora?!… Eu sou o
rei dos lavradores. Isso me basta. Vocês preferem as aparências; pois fiquem com elas.”
- Diogo Relvas
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews85 followers
October 12, 2014
«A terra daquele cemitério era sua, como a aldeia e tudo o que lhe ficava à volta. E ali era ele quem mandava. Já marcara o lugar para o genro -- seria metido num dos jazigos da família, no dos aparentados, ao pé das mulheres, das crianças e dos homens; de certos homens que disso pouco mais tinham do que o corpo. De cova aberta no chão, bem funda, só os que davam à terra o que ela merecia.»
Profile Image for Margarida Fernandes.
87 reviews2 followers
January 11, 2026
Gostei muito de ler. É um livro que nos mergulha de forma muito viva na época do neorrealismo português, mostrando com grande força as dinâmicas sociais, o poder, a injustiça e o peso das hierarquias num meio rural fechado. A escrita é envolvente e direta, conseguindo construir personagens marcantes e um ambiente denso, que ajuda a compreender melhor o contexto histórico e humano da época.
Profile Image for Francisco.
5 reviews1 follower
August 27, 2025
Um romance para levar para a vida. O neo realismo do Alves Redol fica em total esplendor, no seu tema de eleição: a vida ribatejana.

No romance, o factor tempo é absolutamente delicioso, uma vez que foi publicado em 1961, mas que se debruça sobre o periodo de vida do avô do autor, cobrindo o periodo entre 1891 e 1910, sensivelmente. Algumas das personagens contam elas próprias histórias dos seus próprios avós na primeira pessoa, onde então recuamos até ao período da guerra liberal.

Perceber Portugal hoje de vários prismas passados, o rural contra o citadino, o progresso contra o tradicional. O contexto na qual a história foi vivida. A minha própria história aos olhos de onde os meus cresceram.

Saboreei ler cada página deste romance, também por revisitar expressões coloquiais e dialecto que ouvi na minha infância.

O livro cobre a vida adulta de Diogo Relvas, proprietário de uma herdade no ribatejo, e da sua relação com o mundo, a sua família, a natureza à sua volta, os seus amigos, as suas memórias, a sua sociedade e os seus ideais.

Personagens preferidas: Diogo Relvas, Zé Borda D’Água, Maria Pilar.
Profile Image for DonQuijote.
326 reviews13 followers
January 9, 2021
Un gran libro, un gran descubrimiento este autor portugués. Historia de una familia que se desmorona a medida que los acontecimientos históricos se suceden (de la monarquía absolutista al periodo liberal, de una economía basada en la tierra a una industria que va buscando su lugar), a pesar del empeño en que todo siga igual, en que nada evolucione. Prosa magnífica, vocabulario exquisito sin ser pedante ni caer en la pesadez descriptiva.
Profile Image for Vasco Ribeiro.
408 reviews5 followers
August 26, 2016
História da família Relvas, os senhores de Aldebarã, nos fins séc XIX princípio séc XX. Principalmente de Diogo Relvas o patriarca, contando a forma como exerce o poder e defende os interesses da agricultura contra o progresso da indústria e dos democratas, o qual, quando envelhece delega o poder no neto, encerrando-se na torre dos 4 ventos a que só os dois têm acesso. Morre, mas o neto para não perder as rédeas da família embalsama-o e continua a controlar tudo.
Profile Image for Isabel Ferreira.
204 reviews
August 3, 2013
Uma prosa viva e escorreita, datada no tempo mas não no estilo nem no estado do país...
Profile Image for João Filipe.
114 reviews1 follower
Read
May 15, 2018
Barrancos de cegos, de Alves Redol. Uma descoberta aleatória e sem expectativas, foi uma agradável leitura de um escritor que fez parte da excelência literária do século passado.

Uma biografia romanceada de um ribatejano, Diogo Relvas, que se inicia em 1891 (ano de uma revolta republicana na cidade do Porto) e que escreve sobre o que era a vida de uma família burguesa no Ribatejo.

Muito bem escrito, organizado por capítulos e que se dividiu em três livros. Uma obra que reúne crítica social, reúne crítica política e que descreve alguma da impetuosidade burguesa da época.

Usa a antítese para marcar uma ironia recalcada, já que se trata de um escritor neo-realista,

“ - Um verdadeiro governo nunca poderá ser popular, Majestade. Governar ao gosto do povo é nivelar por baixo. Amo demasiado os homens que me servem, para lhes permitir a absurda loucura de intervirem nos negócios públicos.”.

O fim do livro é uma grande personificação. O que devia ser um grito de liberdade, é somente um prolongar das aparências, forçar o respeito e o viver sem querer largar o passado.
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