Após o fim da Guerra da Secessão, os membros do Gun Club de Baltimore, envolvidos principalmente com a indústria de canhões, anseiam por uma nova empreitada armamentista. O presidente do famigerado clube, Impey Barbicane, propõe construírem o maior projétil já visto e enviá-lo à Lua. Será que eles conseguirão fazê-lo chegar ao satélite com seres humanos dentro? Publicada em 1865, "Da Terra à Lua" é uma das obras de ficção científica mais audaciosas de Júlio Verne (1828-1905), que antecipou em mais de cem anos a chegada do homem à Lua.
Confesso que tinha grandes expectativas para este livro. Depois de ter mergulhado no mundo do Capitão Nemo em Vinte Mil Léguas Submarinas, estava ansioso por mais uma aventura épica com a assinatura do Verne. Infelizmente, desta vez fiquei um pouco desiludida.
Não me entendam mal — reconheço o génio do autor. A forma como descreve os cálculos, a balística e os preparativos da missão é impressionante para a época em que foi escrito. O homem estava claramente à frente do seu tempo. Mas, cá para mim, o livro lê-se mais como um manual técnico do que como um romance de aventura, e há momentos em que senti a leitura bastante pesada. O que mais me frustrou foi perceber, já perto do fim, que a viagem em si — o momento que eu estava à espera desde a primeira página — quase não é explorada. É como assistir a dois terços de um filme só com a preparação de uma missão e o filme acabar antes do grande momento. Comparando com Vinte Mil Léguas Submarinas, que também tem as suas partes mais enfadonhas com tanta descrição científica, a diferença é clara: lá existe aventura, tensão, personagens com alma. Aqui senti falta disso tudo. 🌊
De momento, é o livro do Verne de que menos gostei. Mas não desisto — tenho a sequela À Volta da Lua na lista e espero que a aventura ganhe finalmente o espaço que merece!