A mais completa e contundente análise dos mecanismos de criação e manutenção de privilégios no Brasil.
No primeiro volume de sua trilogia O país dos privilégios, Bruno Carazza enfrenta os meandros do corporativismo estatal para desnudar as regalias e benesses no topo das carreiras do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. A partir da análise das folhas de pagamento de tribunais, ministérios, parlamentos e Forças Armadas, entre outras instituições do Estado brasileiro, o autor revela as estratégias mobilizadas na defesa e promoção de interesses privados destoantes da realidade socioeconômica do país. A despeito das frequentes polêmicas na mídia e na Justiça, a força política dos verdadeiros "donos do poder" continua sendo o principal obstáculo para a implementação de uma reforma administrativa capaz de acabar com os inúmeros benefícios do serviço público. Baseado em sólida pesquisa e dados abrangentes, Carazza narra muitas histórias de quem conhece os bastidores do poder e apresenta possíveis soluções para as distorções entre remuneração e produtividade nos altos escalões do Estado.
É mestre em economia pela UnB e doutor em direito pela UFMG. Servidor público da carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, trabalhou no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e em diversos órgãos do Ministério da Fazenda, como a Secretaria de Política Econômica (SPE) e a Escola de Administração Fazendária (Esaf). É autor do blog O E$pírito das Leis, da Folha de S.Paulo.
Carazza é um raro autor brasileiro que combina rigor analítico com erudição e um estilo que não descamba para o patois acadêmico. Sua obra presta o enorme serviço de informar os cidadãos e dar um guia para a reforma de um Estado que perpetua privilégios injustificáveis.
Uma fascinante dissecação sobre alguns dos inúmeros privilégios de certas carreiras do funcionalismo público federal, sejam estas a concurso ou por eleição, no âmbito cívico e militar. Leitura obrigatória para todo cidadão que questiona e problematiza o funcionamento da máquina estatal e também para estudiosos das ciências sociais e jurídicas.
De seções que vão desde as magistraturas, funcionários do Ministério Público, procuradores federais, agentes fiscais da receita federal, titulares de cartórios, militares e políticos, Carazza aponta núcleos parasitários e corporativistas que não se limitam apenas ao descrito nos capítulos. Um livro que pessoalmente me fez passar muita raiva e angústia, mas do qual de forma intelectualmente masoquista fui incapaz de desgrudar até o fim. O autor se implica de forma honesta na escrita enquanto servidor público federal em plena licença interesse, ao passo que critica também esta e outras benesses do carreirismo público ao compará-la com a situação dos trabalhadores regidos pela CLT.
Minha discordância principal à sua reforma administrativa se refere a este ponto: e se a CLT em si mesma é desumanizadora e não representa o melhor do bem-estar social de seus trabalhadores? Vide os atuais movimentos da jornada 6x1 e de uma massa anônima assalariada a trabalhar regimes ainda mais perversos, como 10x1. Talvez antes de equiparar o regime jurídico dos servidores federais à CLT, fosse importante também pensar numa CLT que humanize mais os trabalhadores do setor privado, buscando algumas das salvaguardas e seguranças das carreiras públicas, de forma concomitante. Importante salientar que o autor também promete um segundo volume sobre os excessos naqueles que detém poder e dinheiro no setor privado.
Sobretudo, leitura mais que indispensável para os servidores públicos das diversas esferas refletirem sobre a urgência de uma reforma administrativa que pode sanar a imoralidade e virulência dos verdadeiros sociopatas na carreira pública, como excessos do teto constitucional, emendas legislativas bilionárias, corporativismo ferrenho, benesses injustificadas e muitas outras obscenidades que ainda precisamos nomear e identificar para verdadeiramente combater.
Demorei pouco mais de 3 meses para finalizar esse livro porque ele gera certa angústia. Ver como existem grupos de interesse e compreender como eles atuam em seus próprios benefícios na máquina pública é estarrecedor. Bruno Carazza, apesar de ser cientista politico, foge totalmente da escrita técnica e academicista, embora sua reconstrução de fatos e narrativas sejam totalmente embasados por referenciais teóricos. Uma excelente leitura, que deveria ser obrigatória a todos os servidores públicos e todos aqueles que querem entender o funcionamento da máquina pública.
Leitura fundamental para compreender os grandes entraves políticos e fiscais do país. Carazza demonstra como carreiras bem articuladas conseguem cercar o orçamento público, angariando salários incompatíveis com as funções exercidas e penduricalhos que contornam os limites remuneratórios e a imposição de descontos. Cada capítulo busca retratar as grandes carreiras dos três poderes, demonstrando como há uma corrida e uma disputa constante por maiores salários e benefícios.