Poxa, não me pegou.
A premissa é interessante, gosto muito de contos da urbe, mesmo quando falando de personagens extremamente privilegiados. Infelizmente, não comprei as escolhas narrativas da Luisa ): Achei as inserções de flashback bobas, não gostei da repetição e das tentativas de fluxo de consciência, além de ter achado meio pretensiosa e despropositada a misturada com outras narrativas no meio da principal, morte da arma de tchekhov. Muitas escolhas que empobreceram o texto, ao invés de criar esse caleidoscópio da psique humana, que é o que acho que ela tentou fazer (não sei).
Do que gostei: a dualidade geográfica cidade grande-cidade interiorana. (mas desgostei dos nomes-fantasia para ambas).
Trechos que me pegaram:
“Em momentos assim, no funeral, nos dias que vieram depois, ou você fica quieto ou fala a melhor frase do mundo. O resto é lixo. No fundo, não tem nada pra dizer sobre a morte.”
“Queria ir embora, sim, mas ele dava a Clarissa a sensação de que quereria ir embora se tivesse a família dela ou se tivesse a melhor família do mundo.”
“Se você quer que as pessoas ouçam você, você tem que usar uma máscara. Aliás, não fui eu quem disse isso.”
“Pegaram o sentimento mútuo e colocaram num cantinho escuro deles. Deixaram para lá. As frases de Clarissa? Deixaram para lá. Para lá. Lá. Todo o relacionamento precisa de um lá.”
A descrição de Distante era muito certeira: “é a constante lembrança, a constante lembrança. Sair na rua e ver sua tia, que ligará para sua mãe, esbarrar na sua vó no mercadinho: ela carrega um cesto de frutas, e você, camisinhas. É beijar uma pessoa que foi aluna da sua prima mais velha(…)”
e de São Patrício também: “uma cidade que amedrontava a maioria dos moradores porque eles não a conheciam por completo e nunca conheceriam os quatro cantos”
“tinha mais a oferecer. E, como tudo o que oferece muito, como tudo o que de impõe, São Patrício afastava e atraía os moradores de Distante”