Em uma época de redes sociais, informações sem base fundamentada e uma geração cada vez mais momentânea vinda após a pandemia, temos uma variedade de questões essenciais a ser discutidas, que são expostas todos os dias, em forma de denúncias, desabafos, exposições e críticas. Mas isso quer dizer que são abordadas de forma apropriada? Será que sabemos discuti-las e trazê-las à tona, sem os ruídos de uma construção social muitas vezes parcial, ocasionalmente até mesmo arcaica e colonizada, principalmente quanto a questões como machismo, diversidade e raça.
Para levantar esses assuntos, livros como “Vamos falar de relações raciais?” de Cidinha da Silva, são essenciais. Nesta obra colaborativa, as crônicas selecionadas falam do racismo e preconceito diários, para aqueles que o sentem na pele e aos que fingem não vê-lo, de todas as idades. Desfaz o conceito das palavras muitas vezes repetidas sem “conhecimento” e o transforma em situações cotidianas, não só dentro dos micro universos, mas também dos macros, fazendo-nos refletir onde verdadeiramente dói.
Cidinha aponta, faz pensar, exalta e faz com que, ao lermos, quebremos inúmeras gaiolas mentais nas quais nos colocamos, mediante a sociedade que segrega, oprime e “branqueia” para deixar aceitável. Mais que isso, traz junto a isso toda a força da mulher guerreira e forte, que não pode se permitir abater e faz da sua vontade de um mundo mais justo ato e corpo político.
Ao final de cada capítulo, onde se fala desde Lélia Gonzales a George Floyd, são apresentadas várias atividades, com links de vídeos e textos de apoio, para que o leitor tenha uma verdadeira imersão no assunto. Espero que, cada vez mais, esse tipo de leitura se faça necessário, e seja capaz de mudar as pessoas, rompendo de vez esses conceitos absurdos que somos obrigados a lidar – e lutar – a cada instante.