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La charca

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Língua Morta n.º 123

a charca es un libro salvaje. En realidad es la voz libre de un ser humano que se considera a sí mismo como un animal. En plena pandemia decide vivir solo en el campo y construir una charca donde embarrarse. Esa desnudez, ese contacto del cuerpo con el agua, la tierra, el sol o la lluvia, esa forma de vivirse como un animal más, actúa como una especie de sortilegio, una limpieza de la falsa cultura que termina por castrar. La belleza de las plantas se mezcla con el fango y los bichos. No es necesario pensar en una distopía futura. La distopía ya está aquí. El personaje de La charca está dispuesto a verlo todo tal cual es, a no disfrazar las causas del fin de nuestra especie en cambios climáticos por un mal uso de los recursos. Las causas están en los sentimientos de cada humano, en el odio, en la avaricia o en la lujuria.

100 pages, Paperback

Published May 1, 2024

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About the author

Manuel Bivar

3 books7 followers

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Community Reviews

5 stars
49 (49%)
4 stars
34 (34%)
3 stars
13 (13%)
2 stars
3 (3%)
1 star
1 (1%)
Displaying 1 - 15 of 15 reviews
Profile Image for Vítor Leal.
121 reviews25 followers
February 25, 2022
4.5

"São muito poucas as histórias felizes de homossexuais que se afirmam enquanto tal e conseguem continuar a viver no campo. O campo é o lugar de fuga, e a cidade o seu destino natural, o seu habitat"

https://www.youtube.com/watch?v=di-Kc...
(Manuel Bivar conversa com António Guerreiro e Diogo Vaz Pinto)
Profile Image for André Gamito.
15 reviews1 follower
May 19, 2024
Um livro que para mim muda tudo e que precisava de dizer aquilo que tem de ser dito. Em primeiro lugar, um livro fora de convenções, urgente, cheio de fôlego, intensidade, que rompe este véu dentro daquilo que é chamada a 'literatura', que ainda se escreve de certa forma sem se saber bem porquê, talvez porque a fórmula é segura, para nos dar uma abanão necessário acerca do mundo. Quando as críticas a este livro se focam na forma e nas estruturas narrativas, sabemos com que tipo de público estamos a lidar. Aliás, Manuel Bivar deve saber quem eles são, e este livro pode ser exatamente contra eles. Os acomodados, os que tudo sabem, os que exigem a sua ideia ao ato dos outros.

Há denúncias urgentes, há mudanças urgentes, e a urgência é para mim o ponto fundamental deste livro. A personagem quase que nos agarra pelo colarinho para gritar e dizer o que está errado, e a forma de escrita do livro parece-me essencial porque não está para perder tempo com literatices, descrições alongadas, demoras a que se davam os luxuosos escritores nas épocas do luxo e quando os livros eram escritos apenas para a classe que sabia ler. Aqui há uma estetização, é evidente, mas serve para amplificar a mensagem e a experiência da personagem. Num mundo altamente fragmentado, as deambulações não parecem descabidas. Não há razão para ordem naquela cabeça desordeira, isto não é uma tese formal, e ainda assim tudo se junta através de um fio condutor que deixa bem claro o que se pensa ali. Todas as ideias são argumentos que chegam à mesma conclusão e que fundamentam o sentimento de quem fala.

A máxima "show, don't tell" parece de facto, agora, um luxo. É preciso chamar os bois pelos nomes e incentivar à ação ou pelo menos começar o diálogo, e esta personagem tem dentro dele os problemas que temos tendência a ignorar nesta sociedade de técnicos sedentários, de entretenimento, de computadores, de podridão, de consumo, da perda do contacto com a terra, da inabilidade das mãos e do corpo, da burocracia castrante. Aquela "bicha rural" fez o que muitos já fazem hoje: fugir para o mato e revoltar-se contra a metrópole devoradora, nem que seja para sentir o que é atuar no mundo, sentir-se parte do território. As ruas não são das pessoas, são de turistas, ubers, gente amorfa e com pressa. A cultura é uma simulação de um ideal, tal como a escrita. Este livro mostra os grilhões mentais a que estamos presos em todos os aspetos.

Depois de ler este livro e reconhecer esta urgência, é-me agora difícil ler livros ociosos. Digo ociosos porque exigem do leitor um luxo de atenção à irrelevância em tempos com tanto para fazer, e este livro é de ação, não cheira a escritório, acorda o indivíduo para a radicalidade de uma distopia já em andamento mas que ninguém vê porque ninguém sai de casa, e quem o faz restringe-se à sua ilha pessoal ou a espaços altamente controlados e civilizados. Já quis escrever um livro assim porque vi parte desta realidade do abandono do interior, dos rios que são fios de lama, da seca extrema, da questões agrícolas, e surgiu um livro que dizia tudo isso e muito mais. Impactou-me brutalmente.

Não sendo a favor do sistema de rating, dou cinco estrelas pelo impacto que teve em mim e para tentar impulsionar a leitura de alguma maneira. Merece ainda releitura.
Profile Image for Diana.
45 reviews15 followers
May 7, 2024
O brando rumor do nascer do mundo.
Profile Image for José Pereira.
388 reviews22 followers
January 16, 2024
Mais uma (meia) desilusão na procura por valorosos escritores portugueses contemporâneos. "A Charca"não é um mau livro, e em alguns aspetos é digno de verdadeiro louvor, mas onde falha, falha confrangedoramente.
A leitura é prazerosa - a escrita tem um bom ritmo e raramente é aborrecida -, e a obra é percorrida por um sentimento palpável - uma raiva viva e entusiasmante - que agarra o leitor, e que não é fácil de pôr por escrito. Acho também interessante o tema do regresso contemporâneo ao campo, que, apesar de não ser explorado a fundo, nos traz algumas belas e sui generis descrições do mundo natural.
No entanto, há bastante por onde embirrar. A falta de conteúdo narrativo parece mais uma desistência do que um feito (algo que não é todo exclusivo deste livro; em certos meios, é o standard); o que o substitui - um fio de consciência excessivamente gasoso e geral - não é populado por ideias particularmente perspicazes e originais, especialmente quando o narrador se dedica ao comentário social (embaraçosamente básico aqui). A situação é piorada pelo já-mais-que-visto tom crítico, impolidamente sardónico que este adota na maior parte to tempo. O projeto geral do livro acaba por ficar, então, comprometido como que à partida.
De qualquer forma, recomendo a leitura. Foi-me muito recomendado, e é possível que a minha desaprovação se deva, essencialmente, a peculiaridades do gosto.
Profile Image for Paulo Bugalho.
Author 2 books71 followers
June 21, 2023
Podemos pender mais ou menos para o Apocalipse e em alguns a escolha terá mais a ver com o feitio, ou o humor com que acordaram, do que com a avaliação dos factos. Demasiada lucidez cega e, para quem se queira defender da vida, haverá sempre a constatação de que, até agora, as coisas têm continuado. As visões do fim, as canções de decadência, persistem ao longo dos séculos, e isso prova a persistência do resto, apesar de tudo. Olhando o clima, não faltarão dados para nos alimentar o medo, quer levemos a palavra clima no sentido literal quer a perspectivemos na amplitude maior do seu sentido. As coisas não parecem correr pelo melhor. Embora não falte gente a vir lançar avisos mais directos, é verdade que a literatura se habituou a pegar no caos e a transformá-lo em algo imaginário, lançado no futuro, ou num tempo ou espaço alternativos, alimentando a ficção com fuel metafórico - é terreno de onde se tiraram bons livros, seguramente. Já o autor deste parece ter optado (parece-nos que com sucesso) por uma via menos etérea e decido apresentar a distopia agora. Esta narrativa de um homem que foge para o campo e se interna na montanha, disposto a ripostar ao caos urbano com a reconstrução florestal e os gestos mínimos para ressuscitar um ponto de água, um ecossistema circunscrito que salve a espécie (a tal charca do título, que charca será apenas e no fim um pobre lamaçal) só não tem laivos de mito porque não consegue, precisamente, ressuscitar o paraíso, e vem encontrar na natureza a mesma morte que no interior das ruas, a mesma invasão, o mesmo apodrecimento, a mesma queda. O fio da narrativa não conterá muito mais do que isto mas serve para cortar a retórica que haveria em apresentar uma visão apenas ensaística de semelhante catástrofe. A rememoração de sevícias passadas à custa da homossexualidade do protagonista (quer quando pretende mostrá-la, à sexualidade, quer nos momentos em que a sonega, recorrendo a tentativas ascéticas), os passos dados na burocracia da restauração ambiental, os discursos técnicos sobre fauna, flora e respectivos parasitas, ou de revisão histórica (a análise gay do mito sebastianista, por exemplo), ou sobre a piromania como consequência natural da repressão económica, são pretextos para a exposição de um problema, e o problema, aparte hipérboles que talvez coubessem num romance de ficção científica (muito poucas, se lermos bem) é o presente. O presente contém, não o podemos negar, quase tudo o que Bívar lá coloca, mesmo que a ele lhe caiba, como autor (era o que mais faltava) dar-lhe a forma que pretende. Podemos sempre, consoante nos calhar o dia, apresentar argumentos contra estas feridas, mas não podemos negar a agilidade dos truques com que ele as apresenta. E a literatura é para isso que serve: não para sublinhar o que pensamos, mas para nos convencer de outras coisas.
Profile Image for Pedro Gomes.
Author 2 books18 followers
August 13, 2023
Com uma prosa exuberante, bem ligada e verbalmente prolixa, Manuel Bivar oferece-nos uma narrativa à primeira vista um pouco desconexa, em que não descortinamos imediatamente o sentido na colecção de episódios que mapeam um universo estranho. A sua natureza insólita é uma virtude; sendo que Bivar é completamente desabrido e impudente, não se coibindo por nada. É talvez estranho que haja menos vozes como esta, que falam do presente com uma aparência distópica, descrevendo-o como lugar pós-apocalíptico que efectivamente é. Nota-se que Bivar corre por fora, não tropeçando na tradição literária estabelecida, olhando-a com mera curiosidade.

Este livro não é sobre a contemplação, mas sobre a imersão. Não é sobre o conhecimento do todo, mas sobre a obscuridade das partes. Sobre a irrelevância da extinção, a permanente imanência da transformação. Há prenúncios do fim ou de um recomeço. A espécie sobrevive essencialmente em cativeiro.
Profile Image for Pedro João.
42 reviews2 followers
April 9, 2025
pútrido, primitivo, revoltante e irredimível – e por isso tão saboroso e tesudo e decadente. graças a deus que é breve, porque às vezes também já não há pachorra para mais cinismo PrOvOcAdOr e às vezes é só um bocado Pierre Guyotat de trazer por casa. mas eu precisava de raiva homossexual escrita em português, é verdade
"Ele não respeitava o casal de bichas a quem os aldeões tinham ateado fogo à casa simplesmente porque eram paneleiros, como todos os dias faziam questão de lhes chamar. Ele tinha vergonha delas, por antes de se terem ido embora, não terem puxado fogo à aldeia inteira, ao lar, à junta de freguesia, à mercearia, e à creche."
Profile Image for Washington Ricardo.
2 reviews
September 21, 2025
A narrativa, os conceitos apresentados e a perspectiva que o livro nos apresenta é forte e inventiva, mas ali, do meio para fim, a discrição e a fusão da bicha e do tudo com a natureza (que é a grande força do livro) dá lugar a um fluxo de consciência e a um comentário social chatos e batidos.

Recomendo muito a leitura. Na balança final vale a pena e certamente enriquecerá o repertório de quem o lê.
13 reviews5 followers
January 13, 2026
Um livro que põe o dedo na ferida e chama a atenção para a urgência da mudança, mas não faz sugestões.
A escrita crua ajuda a passar a mensagem da urgência. Há partes que achei excessivamente explícitas e repetitivas.
Displaying 1 - 15 of 15 reviews

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