Não acho que seja uma leitura fácil, principalmente por não ser uma narrativa linear, alternando entre o ponto de vista de várias pessoas que possuem um papel na trama, mesmo que mínimo. O livro apresenta alguns personagens “principais”, como Zé Miúdo, Pardalzinho, Inferninho e outros, cujos nomes se repetem muito ao longo do livro e as suas histórias são contadas, mas o objetivo principal parece ser relatar as ações e os conflitos dos assaltantes e traficantes de Cidade de Deus, mostrando os diversos crimes cometidos e as brigas de poder pelo tráfico na favela. Entretanto, após metade do livro, as histórias começam a se repetir, alternando sempre entre personagens secundários entrando para a criminalidade e episódios de tiroteio entre as gangues, fazendo o livro perder força e tornando a leitura cansativa, o que me faz ter a impressão que poderia ter umas 50 páginas a menos.
É importante dizer que, como esperado, é um livro extremamente violento! Por vezes até desnecessariamente gráfico, como ao descrever minuciosamente um episódio de estupro ou a morte de um animal violentamente. Por fim, o autor faz um ótimo trabalho ao ambientar o leitor, embora o livro seja minimamente descritivo, ao abordar a rotina e os comportamentos da população naquela comunidade e consegue entregar uma narrativa que te faz sair da zona de conforto e te chocar com a violência real que ocorre nas favelas brasileiras.