Esta concisa e excelente obra é uma adaptação em livro da dissertação de mestrado do autor, na área de literatura/língua hebraica. A contracapa indica que é fruto de pesquisa.
Acredito que Sayão conseguiu achar equilíbrio entre deixar o livro acessível e o rigor acadêmico da pesquisa. O resultado foi um livro-tese muitíssimo interessante, embasado em inúmeras referências bíblicas e acadêmicas, o que é reconfortante em meio a uma literatura evangélica fast-food.
A abordagem linguística é o diferencial deste livro em minha opinião (fiquei estupefato de ver uma resenha cita-la como ponto negativo!). É possível “vivenciar” a riqueza da língua hebraica e a dificuldade de contextualizar o texto bíblico nos dias de hoje, particularmente dentro de um tema difícil (o problema do mal).
Acabei a leitura sentindo-me, ao mesmo tempo, satisfeito e desafiado em espírito. Precisava desta leitura, as agruras de Habacuque não são tão diferentes das minhas.
O título do livro engana um pouco. Lembro de ter comprado em 2012 esperando um tratamento mais amplo da questão do mal, e, na época, não terminei de ler porque há uma ênfase enorme na parte linguística - que até hoje me escapa e assusta um pouco! Por conta disso, perde 1 ponto aos meus olhos.
No entanto, foi um excelente livro para integrar a lista de obras de referência que usei quando preguei expositivamente o livro de Habacuque na igreja (Abril-Maio/2021, durante a pandemia de Covid-19).