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Ressuscitar mamutes

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O tempo e a memória formam o eixo desta história narrada com os fios delicados da saudade, às vezes com os do arrependimento, em outras tantas com os da consciência tardia do que faz nascerem e se fortalecerem os laços familiares.

No trajeto entre acontecimentos científicos do presente e projeções esperançosas para o futuro, a mulher madura que se revela como narradora deste romance repassa uma história familiar provavelmente comum a muitos de nós, enfrentando os conflitos, as tensões e os imensos afetos que se estabelecem entre as mulheres de um núcleo familiar em que o pai é uma figura lateral. Ressuscitar passados, inventar aqui, ciência e literatura viajam no tempo dos sonhos para chegar ao impossível.

"De certos lugares, e na hora certa, é possível ver o passado e o futuro, segreda Silvana Tavano. Ressuscitar mamutes é essa hora e esse lugar, concebidos com o presente da palavra.

Livro-máquina do tempo, aparelho de alta precisão que conjuga número e metáfora, forma e tema, era geológica e figura de linguagem, temos aqui um híbrido de memória, ensaio e ficção composto de planos, de restos, de nuvens, letras e fósseis, mas principalmente do afeto de uma filha por uma mãe que já morreu.

Objetos cotidianos que ficaram e lembranças são imantados da ternura, da raiva, da combinação sempre nova e sempre antiga, sempre igual e sempre diferente do que costumamos chamar de amor.

E o amor é o de todas as filhas por todas as mães, incluindo as não as mamutes que, diz a ciência, talvez nos salvem. Pois a humanidade está em risco, e o retorno ao que já foi pode garantir o que virá. Assim, com a ponta do pé já de frente para o abismo, Silvana encara a esperança e a desesperança; o sentido e a falta dele; e percebe que a mãe é também ela própria. […]"
Natalia Timerman

118 pages, Kindle Edition

Published May 17, 2024

15 people are currently reading
222 people want to read

About the author

Silvana Tavano

2 books1 follower
Silvana Tavano nasceu em São Paulo em 1957, e estreou na literatura depois de anos de atuação no jornalismo como editora em revistas femininas. Com mais de vinte livros dedicados às crianças, alguns já publicados na Argentina, na China, no México, na Turquia e na Suécia, ingressou no curso de Formação de Escritores do Instituto Vera Cruz (onde hoje atua como docente) e, em 2015, começou a escrever este primeiro romance. Temas que percorrem muitos de seus livros infantis – o início e o fim de todas as coisas, as perdas e o silêncio – entram em cena também aqui e se reinventam.

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Displaying 1 - 22 of 22 reviews
Profile Image for Luciana.
516 reviews160 followers
March 17, 2025
“Quando ela se foi, me dei conta de quanto ela fazia falta, do espaço dela dentro de mim, do tanto que eu amava minha mãe.”

Assim como Annie Ernaux e Simone de Beauvoir o fizeram, quando buscaram na memória o que vivenciaram com as mães e ali revisitaram para compor a ideia de quem elas eram e o que significavam para as escritoras, Tavano parte também do mergulho ao passado para relembrar quem a mãe foi, o que gostava, o que a fazia feliz e quais seus últimos momentos e particularidades.

Todavia, diferente das escritoras citadas, a autora vai além e imagina aquilo que seria as memórias do futuro; o que teriam feito se tivessem mais tempo, como viveriam os anos que não puderam conviver juntas, bem como os planos para o passado, colorindo, assim, a memória pela invenção do que poderia ter sido, em passagens belíssimas descritas.
Com tom saudoso, narra também acerca da frugalidade do futuro que parece ser dado como certo, mas o próprio futuro diz que “nada está dado, mesmo tão próximo, posso ser inalcançável”, constituindo, de tal forma, uma obra de amor por quem a escritora tanto amou, como Natália Timerman fez em As Pequenas Chances.

A mim, embora tenha sido uma leitura triste, gostei muitíssimo de tê-la lido.
Profile Image for Bia Assad.
131 reviews76 followers
July 12, 2024
Um livro que costura o espaço e tempo entre momentos de mãe e filha, mãe sendo mulher e materna.

Apesar do singelo tamanho do livro, cerca de 120 páginas, trouxe um sentimento agridoce sobre momentos e projeções da protagonista. Fui sem expectativas, sem ter lido absolutamente nada e me surpreendi de encontrar um livro tão profundo, tal qual uma elena ferrante falando sobre ser mulher, antes mesmo de ser mãe.

Uma mãe que trabalhou, se apaixonou e viveu momentos em sua saúde que lhe deram um novo aspecto: virar uma criança no colo de suas filhas. Aquela mulher, que já foi um ser sozinho, teve companhias eternas que colocou no mundo.

Como a Natalia Timerman diz, é um livro-máquina do tempo. A gente digere pensamentos, ambições, medos e principalmente, a prévia da morte e o luto vivido. O amor de filha para mães tem diversas nuancas, mas quando nasce e morre, é somente um só. Esse livro representa todas as filhas que sentiram uma semente dentro de si tremer em pensar na fragilidade de uma vida que trouxe a sua, mas além disso, uma mulher que também já foi filha?
Profile Image for thaís bambozzi.
277 reviews48 followers
December 23, 2025
Que livro! Uma costura bonita da relação mãe e filha entre tempos e possibilidades. Pra mim, o livro foi construído com bastante densidade, mas de forma enxuta. 120 páginas. Na medida exata. Não precisa de nem uma palavra a mais e nem a menos. Um feito admirável que acabou me tocando bastante.
Profile Image for Marina.
81 reviews1 follower
July 11, 2024
Achei o livro muito lindo, não tinha expectativas especiais pra ele e muito menos sabia que era a respeito da mãe da autora. Acho que muitas vezes me questionei sobre o rumo das coisas e da forma como foram escritas, mas senti muito profundamente a trajetória dela com a mãe e senti muito medo antecipado em viver a mesma coisa com a minha. Fiquei o tempo todo me vendo acompanhando minha mãe envelhecer e abrir mão daquilo que ela ama, ao mesmo tempo que vivo isso com minhas avós. Um livro difícil pra quem o assunto toca, mas belíssimo para pensar nossas relações maternas. Me agradou muito a história dos mamutes, considerações muito lindas.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Tamiris.
16 reviews
January 26, 2025
Devorei o livro da Silvana em apenas dois dias. Apesar de curto, o livro é grandioso em suas reflexões. A autora mistura acontecimentos reais com ficção e, algo que imagino, doses de realidade, em uma narrativa que navega entre passado, presente e futuro e que discorre sobre o que é ser filha, ser mãe e mulher. A escrita é simples, mas gostosa, cativante e rica em detalhes singelos, daqueles característicos dos dias banais, que apesar de parecerem irrelevantes, nos marcam e ficam ali, em um cantinho de nossas memórias. Silvana desperta justamente essas lembranças. Ao ler o livro, automaticamente fazemos um paralelo com nossas vidas, com nosso dia a dia e nossos relacionamentos familiares. Muitas vezes me vi no lugar da narradora, como filha, e também vi minha própria mãe no lugar de sua mãe.
Profile Image for pedro.
23 reviews
April 28, 2025
Esse livro é egocêntrico e egoísta (no melhor sentido) porque dá para perceber que a Silvana Tavaro precisava escrevê-lo. Alguns livros são escritos para passar conhecimento, outros são escritos por prazer ou por dinheiro; porém, alguns dos mais fortes são escritos por necessidade. Com o luto da mãe, a autora precisava preencher seus passados e imaginar futuros; precisava lidar com a dor.

E por isso é um livro potente, que nos faz olhar para nossas mães. Por bem ou por mal, a relação materna (e paterna, apesar de não ser o foco aqui) nos molda. Herdamos comportamentos de forma genética e imitativa, quer queiramos, quer não. Estamos presos a ela como que por uma corda. Se gostarmos da nossa mãe, ótimo, podemos recolher a corda, nos aproximar, dar as mãos e andar juntos; estar lado a lado facilita ver semelhanças. Se gostamos de alguns aspectos da dela enquanto desgostamos de poucos outros, podemos apenas andar próximos; nos distanciando do que não gostamos: uma raiva desnecessária, passividade para aceitar situações de abuso, ou a abstinência da vida a dois, como a mãe da Silvana. No pior dos casos, detestamos nossa mãe e tentamos nos afastar dela o máximo possível, o que, apesar de criar um espaço entre nós, estica a corda em uma linha reta fácil de ser seguida até ela. Quanto mais tentamos nos distanciar, mais é possível ver a conexão.

Porque não cortar essa corda, você pode perguntar. Bem, porque é impossível. Nossos pais sempre serão um compasso de referência para nós, seja do que queremos fazer ou do que não queremos fazer, mas sempre há uma comparação. Podemos ver em filmes e livros casos em que um ou ambos dos pais não estão presentes: ou o filho decide que, diferente dos pais, não vai ter filhos, para não que não sofram como ele; ou decide ter uma família e ser presente, diferente de como seus pais foram. Há também uma terceira opção que acontece em muitos casos, mesmo querendo ser diferente, o filho acaba repetindo o comportamento dos pais. A Silvana Tavaro odeia ver a mãe cutucando a ferida, mas se vê fazendo igual.


Conviver com a mãe que renunciava ao desejo com tanta resignação foi difícil para as filhas — tivemos de descobrir como ser mulher sem espelho, sem ter com quem conversar, crescendo ao lado de uma mulher que tinha deixado de ser mulher.
Ela provavelmente não pensava nesses termos, nunca teve consciência do quanto sua desistência nos afetava e de como o mantra homem nunca mais ecoava em nós como a negação de tudo que poderia ser bom a dois. Amores, homens, prazeres, tudo isso era sinônimo de decepção e sofrimento. p. 52


Por isso, acredito na necessidade dos filhos, mesmo que apenas por um tempo (acho que no mínimo 1 ano), morarem numa cidade longe dos pais. Nesse período, começamos a ter noção do espaço que eles preenchem na nossa vida, e podemos ver se isso é bom ou ruim para nós. Vemos quem somos sem eles, e quem eles são. Conseguimos ver quão frouxa ou quão esticada está nossa corda, e podemos decidir o que fazer com ela. Estreitamos nossa relação ou cortamos de vez?


… A dor, toda aquela dor, inimaginável dois meses antes. Quando ela se foi, me dei conta do quanto ela fazia falta, do espaço dela dentro de mim, do tanto que eu amava minha mãe.”


A distância nos dá uma chance de sentir a ausência antes dela ser definitiva.

Por fim, não queria terminar sem colocar uma das partes mais bonitas do livro:


… há anos no mesmo porta-retratos, a fotografia do meu filho ainda de fralda no colo da avó de sessenta e quatro anos já no é só uma imagem banal de uma tarde qualquer. Quando fixei aquele momento, não sabia que estava fotografando a saudade. p. 47
Profile Image for Carolina.
83 reviews20 followers
January 4, 2026
"É uma espécie de vício, ou talvez um jogo mais ou menos consciente de autoengano, e funciona como um analgésico para aliviar a pressão nos picos de ansiedade: buscar nos oráculos a ilusão das certezas, fingindo não saber que o imprevisível sempre pode acontecer, como acontece, para o bem e para o mal. É também a fantasia de poder manejar o acaso, de ter controle sobre o que ainda não existe, de acreditar que é possível alterar o rumo de caminhos que ainda não conseguimos enxergar. Mas o tempo à frente é mistério. Mesmo assim, programo o dia seguinte, me atrevo a fazer planos para os próximos meses, organizo passo a passo a viagem de férias como se o futuro não fosse repleto de possibilidades. Tantas que não conseguimos (e, às vezes, nem sequer temos coragem de) imaginar" (p. 62-63).

O primeiro livro lido em 2026 é uma delicada costura autobiográfica da relação da autora com a mãe e algumas digressões sobre o tempo. Também é um livro sobre vida e luto, com um trecho bonito, no futuro do pretérito, com o qual eu gostaria de ter me emocionado mais. A escrita é uma mistura de Carla Madeira com Rosa Montero. Recomendo, mas confesso que senti falta de profundidade.
5 reviews
October 8, 2025
Ressuscitar Mamutes foi uma das leituras mais bonitas do ano. A narradora começa a escrever depois de assistir a um documentário da National Geographic sobre mamutes, em que se dizia que quando eles pisavam forte no chão, aprisionavam gases que, se dissipados, poderiam derreter as geleiras e acelerar o fim do mundo. A partir dessa teoria, ela passa a tecer o tempo, restaurando passados e construindo futuros. Narra com beleza sua história com a mãe, criando memórias de futuro a partir de um passado sensível, e (talvez) distante. Faz tudo isso no tempo presente.

Às vezes, o que a gente precisa é reconstruir o que parecia extinto: os mamutes e as memórias.
Profile Image for Maria Imperatriz.
116 reviews
November 7, 2025
Esse livro me deixou muito emocionada. Uma emoção contida, profunda, e também feliz.
Silvana Tavaro mistura tempo, sentimentos e memórias de forma majestosa. Ela tem uma escrita interessante, inteligente, e costura as palavras como ninguém.

“Cenas enterradas na memória às vezes ressurgem assim: um sinal do passado interrompe o presente, e o estrondo de uma tempestade engole o tempo.”

Fiquei encantada. Leiam! Mas se preparem pra pancada...

É lindo. Muito lindo. E emocionante.
Profile Image for Jaqueline Silva.
35 reviews
January 2, 2026
“Tempo é mãe”, disse a Silvana na primeira vez em que estive no mesmo recinto que ela, ouvindo sobre essa história híbrida entre memória, ficção e fato — como são os próprios mamofantes, como somos nós. e também que “escrevemos para inventar vidas: as nossas, as dos outros, as daqueles que não existem”.

as palavras ficaram comigo e agora encontram sentido aqui dentro. só é pena que eu tenha demorado para encaixá-las nas minhas elaborações porque posterguei a leitura. mas se eu for evocar mães, a minha diria que li no tempo que deveria ler, que as coisas são assim e acontecem no tempo que precisam etc. tudo isso pra me lembrar que invento pra continuar, imagino pra dar mais horas ao pequeno universo de dias que me foi cedido e à aqueles que amo, que amei.
Profile Image for Aline Lira.
9 reviews3 followers
December 28, 2025
Tempo, natureza, mãe, memória, presente-passado, presente-presente, presente-futuro…adorei a escrita da Silvana Tavano. Livro para reler.
Me fez lembrar de Ao Farol, da Virgínia Wolf, que gosto muito também.
Profile Image for Dani.
5 reviews1 follower
December 15, 2024
Belíssima e emocionante reflexão sobre o tempo passado, presente e futuro.
Profile Image for gab.
113 reviews
February 11, 2025
Existe palavra capaz de apreender o tempo se escrevo aqui pensando no que acabei de escrever e, ainda, no que virá em seguida? O tempo é (também) a angústia da escrita.
Profile Image for Felipe.
Author 9 books64 followers
December 22, 2025
Não que ganhar prêmio signifique nada mas confesso que só fui ler esse, depois de muito enrolar, porque ele foi laureado com o Oceanos. Sabia que envolvia algum tipo de narrativa sobre mães e filhas, mas não sabia que seria tão pouco inspirado e tão sem foco quanto é. A trama histórica que surge para teoricamente assentar a base da história é inútil e, parece, funciona somente para esgarçar um pouco a duração do já curto texto. Uma besteira.
Profile Image for H.
7 reviews1 follower
December 16, 2025
nao quero entender.
comprei na flip depois de ouvir autora na mesa da mariana carrara e carla madeira, e ser autografada. pessoa doce e livro doído. “A grande questão da minha vida é o tempo”. Escrita bonita e desorganizada. Aqui dou as estrelinhas pensando na minha experiencia ao ler o livro(?).
Displaying 1 - 22 of 22 reviews

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