É um livro baseado em paixões e, por isso, o autor acaba se perdendo em diversos momentos. A ideia principal da obra estimula nossa atenção, contudo ela é apresentada de maneira rasa e sem uma visão crítica, fruto de uma fraca bibliografia na qual o autor se apoiou. Até como fonte, o livro não serve tanto, já que o autor não cita as edições dos jornais de onde ele as tirou.
Outro problema grave no livro são os erros históricos feitos pelo autor. Mesmo corrigidos no decorrer do texto, ainda é incômodo ler que Chico foi exilado (quando na verdade ele se autoexilou), que a censura no Brasil acabou na prática em 1985 (quando sabemos que ela foi até 1988) ou que a censura não olhou para a música a partir de 1985. Todos essas afirmações foram desmentidas no decorrer do livro, porém, a primeira informação acabou marcando.
Por fim, o autor se perdeu de sua proposta a partir no terço final do livro quando a censura fica mais fraca e não está tão presente nas obras do artista. O final então foi péssimo com detalhes da vida pessoal de Chico Buarque que foram desnecessárias.
Como pesquisador não recomendaria esse livro para alguém interessado no assunto. Existem obras melhores que aprofundam e ampliam o debate sobre a relação entre música e a ditadura civil militar no Brasil.