como bem escreve Gregório Duvivier no prefácio, «gosto da importância que Madalena dá às coisas sem importância alguma. mas gosto sobretudo da desimportância que dá a si mesma, e confessa o inconfessável. (…) Madalena irá se tornando, ao longo do livro, sua amiga da longa data. humana, demasiado humana, sua franqueza comove, num tempo em que já ninguém parece jogar limpo.» de facto, à medida que li este livro fiquei a conhecer melhor a Madalena, como se de uma amiga se tratasse. mas é uma amiga que escreve belissimamente («ela consegue erigir uma ilha de poesia em meio ao oceano insosso das informações e análises» GD) e cuja escrita «aquece o coração» (especialmente, os textos «dedicados» aos leitores).
não percebo as comparações ao «leme» nas reviews desta rede social. são dois livros totalmente diferentes, até porque este é um conjunto de crónicas e textos e o outro é um romance. o erro não está na Madalena, não foi ela que defraudou as vossas expectativas. vocês é que defraudaram as vossas próprias expectativas ao assumir que seria semelhante… (shots fired).
«quem adora livros caí na inevitabilidade de falar muito sobre esta paixão, de buscar quem compartilhe o amor por esses tradutores da nossa intimidade e dos subterfúgios dos nossos males. encontrar outro leitor traz o conforto de quem descobre na mesma gruta mais uma pessoa que se abriga da chuva. (…) precisamos de livros e, sobretudo, de ficção. é ela que abarca o magnetismo e a vitalidade que a realidade não comporta. ela dita-nos a velocidade e faz-nos seguir em ritmos descompensados pelas linhas fora, entre avidez e acalmia, entre sofreguidão e moderação. quantas vezes temos de ultrapassar uma descrição do Ramalhete para podermos conhecer o Ega.»
«encontrei nos livros uma guarida para esta hiperatividade e um lugar onde posso buscar constantemente o novo. eles não só abrigam a curiosidade, como vivem dela. e, de todos os objetos, são os que mais favorecem o imaginário. se, nas outras atividades, sonhar acabava por frustrar, nesta, é um requisito. imaginar cenários que parecem impossíveis é a regra. trata-se do único território onde sinto que chegar lá é chegar aqui. e onde posso ser outra pessoa, isto é, eu mesma.»