“Se a ansiedade é íntima de nossas vidas, sejamos estrangeiros, forasteiros, curiosos de um mundo novo.”
Em Toda ansiedade merece um abraço, o psicólogo e escritor Alexandre Coimbra Amaral propõe uma conversa franca, empática e muito acolhedora sobre um dos maiores sofrimentos que afligem a sociedade atual: a ansiedade. Somos um mundo de ansiosos, mas não precisamos ter vergonha disso ou mesmo passar por situações como as que este mal deflagra sozinhos. No olhar sensível para o outro e na escuta, mora a possibilidade de retirarmos a história da nossa ansiedade da caverna da solidão e, juntos, aliviarmos um pedaço da nossa dor.
Um livro delicado, humano, em que é possivel ouvir a voz imortal do autor(que faz um belissimo podcast chamado cartas a um terapeuta- recomendo fortemente) acolhendo quem o le, explicando de forma simples e inteligivel muitas questoes relacionadas a ansiedade Um livro abraço
Alexandre Coimbra Amaral sendo necessário mais uma vez. 💛
“A ansiedade nos desconecta do melhor de nós. De repente, o chão da certeza se esvai. Tudo o que se pensava ser previsível termina por cumprir o destino oposto - o de desiludir. A ansiedade é uma desilusão perfeita.”
esse livro me acolheu de diversas formas. apesar dos pequenos incômodos, pelo fato de tocar em assuntos delicados pra mim, também me fez olhar pra dentro, refletir e me acolher
A princípio, parece se tratar de um livro bobo de autoajuda, desses que quem nunca leu pega para ler quando quer cultivar o hábito da leitura e não sabe por onde começar, ou então um desses livros receitados na primeira consulta de um terapeuta. Mas não é tão bobo e simples como esses dois exemplos: é um livro aconchegante. Não digo que resolve o problema da ansiedade porque isso é impossível, mas é um acalento para momentos difíceis, ensinando a passar por emoções ruins entendendo-as como emoções ruins, incontroláveis, mas passageiras. Algo meio mindfulness, zen budista, meditar observando o turbilhão da mente ansiosa, tipo isso. Tem algumas colocações que te transportam para o Encontro com a Fátima Bernardes de 2017? Tem, tem muitas. Talvez quem venha procurando um livro denso, cheio de significados complexos e apontamentos específicos se decepcione, porque é um apanhado geral de características de pessoas ansiosas, de características da nossa sociedade e de coisas que essa mesma sociedade cobra das pessoas e acaba gerando ansiedade. Tá aí uma tipologia engraçada de livro: livro Encontro com Fátima Bernardes, com tópicos a serem discutidos às nove da manhã por uma atriz da Globo, uma ginecologista, um influencer aleatório e a Fátima Bernardes cheia de firulas. Não é um livro ruim. Não é um livro ruim. Não é. Datado? Também não, mas reúne muito bem o espírito daqueles anos pré-pandêmicos e imediatamente pós-pandêmicos. É um livro bom no que se propõe: uma espécie de abraço para amainar a ansiedade.
Melhores trechos: "...A ansiedade é uma catapulta do tempo, lançando-nos para um futuro imaginado e sentido como o pior dos cenários. Estamos num século em que o futuro é o que importa: sonhar, colocar foco e fé nas metas, imaginar onde queremos estar em 5 anos, projetar-nos naquilo que nos faz querer viver melhor o presente. Tudo isso pode ser belo, útil e inclusive saudável. Não há nenhum demérito em sonhar. O problema está em ser obrigado a construir metas cada vez mais audaciosas, sem pausa, sem descanso, sem tempo para decidir se quero mesmo continuar no mesmo ritmo de estabelecimento de parâmetros de resultado. Temos o direito de parar? A partir de quando o silêncio, a quietude, o amparo de si e a recusa do tempo frenético deixaram de ser virtudes dessenciais à vida? Essas virtudes esquecidas mora nos outros dois tempos: no presente e no passado. Quando somos levados somente para o futuro, eixamos vagos os espaços do aqui e agora e das nossas memórias, das saudades, das cenas que nos compuseram. A ansiedade virou esse estímulo perene da cultura a nos guiar rumo ao tempo que ainda não existe. Fomos retirados do chão do presente e do chão das nossas memórias. Qual o efeito disso em nossas vidas? Desprestigiar o presente é estar em estado de desatenção permanente... Saudade é imaginar, não é somente lembrar... Ansiedade é uma emoção contagiosa, mas não perigosa..."
Apesar do estilo afetado, por trás de todo o vocabulário forçado do "saber psi", o conteúdo é muito bom. Nos faz pensar sobre a ansiedade que experimentamos quase que initerruptamente nos dias de hoje e traz um olhar coletivo, tirando a ansiedade do lugar vergonhoso do indivíduo que sofre solitário. Também nos provoca quando nos pergunta quem somos quando não estamos ansiosos? Numa época em que todo mundo precisa da sua etiqueta, todos as mídias querem te ajudar a se diagnosticar, essa pergunta chega a ser uma surpresa.
Não é um livro técnico, é um livro filosófico, acolhedor. Gostaria de presenteá-lo para muitas pessoas, mas a linguagem é uma barreira. Me lembrou dos meus tempos de faculdade de psicologia onde seu pensamento só era validado se usasse as mesmas expressões do grupinho e no final, todo mundo saía falando do mesmo jeito desesperados para parecerem psis. Acho que os psicólogos não tem ideia do impacto que teriam se se esforçassem menos pra serem psicólogos e limitando menos sua fala para os iniciados.
Uma conversa bonita, boa pra lembrar que estamos todos no mesmo barco, mas não era o que eu buscava (um pouco mais de estudos científicos, dicas e estratégias pra lidar com a ansiedade sem precisar de remédio).
O que falar do Xande? Que ele é um cara de uma sensibilidade incrível, que aborda a psicologia sem a dureza da teoria e que nos chama a olhar para nós, a nos acolher, a entender tudo que a gente passa de bom e ruim na vida.
Um livro pra se sentir abraçado. A forma que o autor fala sobre ansiedade de forma poética e com muita leveza, nos faz refletir sobre muitas questões do cotidiano e também nos faz entender o que realmente é ansiedade.
to imersa nesse tema em livros e podcasts ultimamente entao é algo que muito me interessava, mas geralmente não é o tipo de livro que eu curto inegável que o autor escreve lindamente, já tinha ouvido ele como convidado em um podcast e gostei muito, agora fiquei curiosa pra conhecer o dele!
Toda ansiedade merece um abraço é um livro que acolhe. Nada técnico, nada pesado — só palavras delicadas, escritas com cuidado, que abraçam quem lê. Leitura rápida, envolvente e necessária.
O que eu gosto sobre esse livro é o que eu gosto sobre seu autor: uma visão sóbria, crítica, mas permeada de delicadeza e gentileza. A obra não se propõe a ser um tratado sobre a ansiedade, não é uma articulação técnica disso que pode ser condição; é um abraço em sua plenitude, é um pegar na mão e dizer “vem cá, me conte, e deixa eu propor para você uma outra leitura possível sobre isso que você sente”.
A leitura foi especial para mim por conta dos episódios de pânico que comecei a ter em Fevereiro de 2022. Em dado momento, pior do que o pavor que eu sentia durante uma crise era o pavor de sentir aquele pavor de novo. Perdi a minha qualidade de vida. Nada conseguia coexistir com meu pavor constante e minha qualidade de vida foi para o saco. Me senti vista nessa frase do livro: “A ansiedade incomoda na sua característica desprazerosa porque ela pode atrapalhar um momento que poderia ser de sossego”. SIM, SIM! E, na sequência, o acolhimento: “Qualquer silenciamento da voz de quem vive algo desagradável é mal-vindo”.
Foram mais de 80 trechos marcados e, sempre que os reviso, me sinto vista. Mas o livro traz também uma leitura sobre o contexto em que a nossa ansiedade se constrói: na sociedade do desempenho, na época da vergonha e dos julgamentos, no paradoxo do “equilíbrio”, no tempo em que tão facilmente aceitamos rótulos e diagnóstico como algo que SOMOS. Eu tinha acabado de ter chegado a uma conclusão importantíssima na terapia e logo depois a li no livro: “O que aconteceria com a sua forma de se ver se você deixasse de se enxergar como uma “pessoa ansiosa”? Que tipo de adjetivo você poderia se dar nessa circunstância?”. Não sou ansiosa. Sinto ansiedade. Ansiedade é uma emoção.
Poderia escrever um texto infinito sobre esse livro, mas vou apenas repetir: ele é, sozinho, um abraço, acalento tão necessário em tempos de alegria imperativa.