António Damásio divide o livro em três partes:
Parte I- A vida e a sua regulação homeostasia
Consiste em olhar o individuo por dentro, desde as bactérias às enzimas e células nervosas, responde a questões puramente biológicas de como o individuo sente a dor física e como a mente perceciona essa dor.
Fala-nos sobre a homeostasia, como seja um conjunto de operações que o nosso organismo executa para persistir e prevalecer.
Os sentimentos e a homeostasia estão associados de modo próximo e consistente. Os sentimentos são as experiências subjetivas do estado da vida, ou seja, da homeostasia, em todas as criaturas dotadas de mente e de um ponto de vista consciente.
Parte II- A montagem da mente cultural
Nesta parte o autor revela como o homem observa, reflete e age. Nós, seres humanos importamos para a nossa mente as imagens percecionadas pelos nossos 5 sentidos: olfato, visão, tato, audição e paladar, e a partir dessas imagens que a nossa mente recebe do exterior, armazena na memória e dá-lhes um sentido, ou seja cria as suas próprias narrativas a partir destas imagens e da nossa experiência vivida, aguarda igualmente na memória permitindo-lhe mais tarde recordar e contar ao outro. Foi através deste processo que foi evoluindo progressivamente e lentamente a mente humana.
O autor revela que subjacente a este processo está a emoção do medo, o facto do homem percecionar o perigo e de sentir dor é que nos motiva a agir em conformidade para terminar com esta sensação desagradável. Duas grandes ações extremamente importantes e eficazes para o homem foi o domínio do fogo e a invenção da alquimia, que deu origem à medicina.
A descoberta da forma de controlar o fogo, foi das invenções mais importantes para a civilização, em imensos aspetos que não valerá a pena aqui falar sobre todos, mas um que o autor revela no livro achei muito curioso. Após o domínio do fogo o homem passou a dormir menos horas e permanecer mais tempo acordado ao final do dia, pelo que enquanto cozinhavam, comiam e se aqueciam em torno da fogueira passaram igualmente a conviver mais, a contar histórias das atividades diurnas, umas verdadeiras, outras fantasiadas, a criar utensílios de caça, a fabricar as roupas para satisfazer muitas das necessidades básicas, mas não só, também a partir destes momentos que se passou a dar mais importância aos afetos e às emoções, à construção dos sentimentos, a refletir sobre as experiências vivenciadas e sentidas na dualidade corpo-cérebro, resultando no aparecimento das artes e rituais, a musica, a dança, o teatro, as pinturas seriam uma manifestação artística para responder ao desejo de manifestar emoções positivas como a alegria, o prazer e a paixão.
Parte III– A mente cultural em ação
Após ficarmos a conhecer o nosso corpo biológico, o funcionamento do cérebro e as interligações corpo – cérebro reportando o nosso passado até 2017, justificando porque somos como somos. O autor faz uma breve analise sobre o homem cultural social, o mundo que nos rodeia.
Embora faça a ponte entre o homem biológico e intelectual, o autor pretendeu deixar a sua opinião sobre a politica, as crenças religiosas, a medicina, a crise económica, a ausência de valores morais, a tecnologia e os conflitos mundiais. Uma das criticas que fez foi a Yuval Harari no seu livro Homo Deus em que este refere que os organismos vivos são algoritmos, logo programáveis, logo com capacidade de se auto desenvolver e controlar o mundo levando ao extermínio da humanidade, algo fatalista e irreal. Damásio responde assim a yuval:
“Dizer que os organismos vivos são algoritmos é, pelo menos enganador, e em termos estritos é falso. Os algoritmos são fórmulas, receitas, enumerações de passos na construção de um resultado particular. Os organismos vivos, incluindo os organismos humanos, constroem-se segundo algoritmos e usam algoritmos para operar a sua maquinaria genética. No entanto, NÂO são eles próprios algoritmos. Os organismos vivos são consequências da interação de algoritmos e exibem propriedades que podem ou não ter sido especificadas pelos algoritmos que lhes orientam a construção. O mais importante a reter é que os organismos vivos são conjuntos de tecidos, órgãos e sistemas em que cada célula componente é uma entidade viva, vulnerável, composta por proteínas, lípidos e açucares. Não são linhas de código; são coisas palpáveis.”