Capitão América - Náufrago na Dimensão Z
É, eu sei, vocês não gostam, né? O Remender guarda o talento pra Image e o Romitinha se perdeu no meio do caminho. Eu sei. Mas eu curto essa fase, por um motivo simples: é um gibi de super-herói com tudo aquilo que um gibi deve ter; frases de feito, breves relances sobre questões importantes, expectativas a cada 22 páginas, vilões nazistas, redenção, acho que rola até uma retcon e, claro, um fim bem mais ou menos porque o importante é ligar uma história sem pé nem cabeça com a próxima saga da Marvel.
Enfim o que vale nessa porcaria é caracterização do bom Capitão como o cara que não desiste. Por que isso é importante? Porque esse é o âmago do personagem, o cara que sempre se levanta, não interessa o quanto ele apanhou, ele se levanta - e ele apanha muito nessa história; eu gosto dessa caracterização, uma das coisas mais difíceis é justamente isso, se levantar, eu não preciso ganhar todas, mas eu preciso tentar - claro, na vida real é coisa é mais complicada do que encher um cara que tem uma televisão mal sintonizada na barriga de sopapos, mas fazemos o que podemos.
Novamente, essa caracterização do bom Capitão me lembra a fase do Mark Waid - um dos grandes quadrinistas modernos - em que fica muito claro que o Steve Rogers não é leal ao país, mas leal ao sonho; e poucas coisas encapsulam mais o sonho americano que o lutar até o fim. Embora eu tenha plena consciência de que é só um sonho, essa história fez eu me perguntar: qual é o nosso sonho? O que o nosso lábaro estrelado do hino representa?
Honestamente, eu acho que nada.