Comovente e provocadora, Frankenstein é a desditosa história de Victor Frankenstein e do monstro que criou, história de solidão e ambição que, segundo o The New York Times, «passou de literatura a mito».
Com tradução de Guilherme Pires e introdução de Alexandre Quintanilha.
Plano Nacional de Leitura Literatura - dos 15-18 anos - maiores de 18 anos
«Vingar-me-ei das injúrias que se não posso inspirar amor, causarei medo.»
Em 1816, durante uma noite de verão invulgarmente tempestuosa, Lord Byron desafia os seus companheiros de férias a compor uma história assustadora. A jovem Mary Shelley, então com dezoito anos, imagina uma monstruosa criatura, fruto da obsessão de um cientista, Victor Frankenstein, em gerar vida a partir da morte. Horrorizado com o resultado da sua experiência, Frankenstein rejeita o monstro que, incapaz de encontrar a simpatia que procura, se decide a destruí-lo e condena ambos - criador e criatura - a uma existência de errância e solidão.
Clássico pioneiro da ficção científica, Frankenstein convoca o fascínio da época pela eletricidade e pelas possibilidades que a ciência representava, oferecendo uma indagação pertinente e muitíssimo atual sobre os limites e as consequências da interferência humana na Natureza.
Mary Shelley (née Mary Wollstonecraft Godwin, often known as Mary Wollstonecraft Shelley) was an English novelist, short story writer, dramatist, essayist, biographer, travel writer, and editor of the works of her husband, Romantic poet and philosopher Percy Bysshe Shelley. She was the daughter of the political philosopher William Godwin and the writer, philosopher, and feminist Mary Wollstonecraft.
Mary Shelley was taken seriously as a writer in her own lifetime, though reviewers often missed the political edge to her novels. After her death, however, she was chiefly remembered only as the wife of Percy Bysshe Shelley and as the author of Frankenstein. It was not until 1989, when Emily Sunstein published her prizewinning biography Mary Shelley: Romance and Reality, that a full-length scholarly biography analyzing all of Shelley's letters, journals, and works within their historical context was published.
The well-meaning attempts of Mary Shelley's son and daughter-in-law to "Victorianise" her memory through the censoring of letters and biographical material contributed to a perception of Mary Shelley as a more conventional, less reformist figure than her works suggest. Her own timid omissions from Percy Shelley's works and her quiet avoidance of public controversy in the later years of her life added to this impression.
The eclipse of Mary Shelley's reputation as a novelist and biographer meant that, until the last thirty years, most of her works remained out of print, obstructing a larger view of her achievement. She was seen as a one-novel author, if that. In recent decades, however, the republication of almost all her writings has stimulated a new recognition of its value. Her voracious reading habits and intensive study, revealed in her journals and letters and reflected in her works, is now better appreciated. Shelley's recognition of herself as an author has also been recognized; after Percy's death, she wrote about her authorial ambitions: "I think that I can maintain myself, and there is something inspiriting in the idea". Scholars now consider Mary Shelley to be a major Romantic figure, significant for her literary achievement and her political voice as a woman and a liberal.
Um livro que aborda temas como o isolamento, o preconceito, a rejeição, o desejo de pertença e a ambição desmedida. Fiquei fascinada com a escrita de Mery Shelley, especialmente nas descrições detalhadas das paisagens. A obra faz-nos questionar quem é o verdadeiro monstro.
Aquele clássico que nunca tinha lido. Um livro lindo escrito por uma Mary Shelley de apenas 23 anos que o concebeu inicialmente como um conto. Frankenstein fala-nos da soberba do homem que quer ser Deus e da desgraça que cai sobre ele ao fazê-lo, mas também de compaixão, humanidade, da rejeição do outro que é diferente de nós, de solidão e sofrimento e do quanto estas nos podem lançar num precipício de loucura quando somos consumidos por elas. Nenhuma adaptação cinematográfica que tenha visto até hoje, por melhor que seja, é fiel ao livro e aquela que mais se aproxima é a deste ano com Jacob Elordi e Oscar Isaac e realização de Guillermo del Toro.
Genuinamente, um dos melhores livros que já li. Uma prosa inefavelmente poética junta-se a um enredo meticulosamente pensado, onde cada detalhe culmina numa oportunidade para desenvolver um dos temas principais da trama. Compreende-se porque é que a história escrita por Mary Shelley inspirou gerações de artistas em vários setores. Uma mulher com visões atemporais, tal como o enredo que criou.
(Sou fã da Criatura. Na minha casa, ela tomaria um cafézinho e depois passeávamos pelos passadiços labrujenses.)
Julgo que o Frankenstein fala de muito mais do que das experiências de um homem, que queria criar um ser humano aprimorado, que acabam mal: trata essencialmente da temática da morte e da nossa condição humana incapaz de lidar plenamente com a morte de quem nos é querido. É um livro que está muito bem escrito, transmitindo muito bem o terror atmosférico ao longo da narrativa. Para mim existe sempre uma ligação, por vezes direta, outras vezes de clara oposição e contraste, entre todas as descrições das paisagens ou dos cenários e os sentimentos do narrador. Achei incrível, considerando a data em que foi escrito e o facto de ser uma jovem quem o escreve, a fluidez da narrativa, as noções científicas e toda a estrutura do romance. Na minha leitura o que me perdeu foram as grandes descrições de todos os cenários por onde Vítor ia passando. E talvez também não ajudou o facto de ser narrada na primeira pessoa, pois julgo que seria mais interessante ter outro ponto de vista. O que também não ajudou, pelo menos no meu caso, foi o facto de me encontrar de certa forma condicionada pela ideia popularizada do que é o monstro do Frankenstein, e estar sempre um pouco na expectativa que fosse acontecer alguma coisa mais brusca e aterrorizante. Claro que a certo ponto da leitura percebemos que não é esse o caminho da história, mas ainda assim sinto que essa "crença pop" do que é o Frankenstein acaba por "minar" a leitura.
Mary Shelley's Frankenstein is a haunting classic that captivated me with its vivid prose, though I found myself craving more detail on the actual creation of the monster.
Victor’s portrayal feels particularly nuanced, as he paints himself as a tragic victim - a lens colored by the fact that the story is told through the account of a companion he found near his end. This choice creates a subtle but distinct layer of bias that makes Victor's plight feel, at times, self-inflicted.
The most compelling part of the story, for me, was the monster’s observation of the family in the cabin. Through his careful watching, he learns language, human customs, and even compassion. These scenes highlight the creature's innate desire for connection and understanding, creating an unforgettable portrait of isolation and longing.
Para minha sorte, nunca tive contato com o Frankenstein da cultura pop e li o livro no breu de sua história. De início, desdenhei dos comentários de Mary Shelley sobre o horror que essa obra proporcionaria — até chegar às páginas finais e ficar totalmente perturbada.
A escritora soube desenvolver tão bem seu monstro que não pude deixar de me compadecer com sua história e lamentar seu fim, enquanto nutria certo desprezo pelo seu criador.
Este livro conseguiu que eu odiasse uma personagem de uma forma muito intensa…
“Frankenstein” é o clássico de Mary Shelley que suscita muita curiosidade entres leitores que amam clássicos e ficção gótica. A era vitoriana, a exploração da mente humana (e da sua obscuridade) e a sede de saber próprios da época encontram-se muito bem ilustrados nesta história.
Porém, embora seja uma obra excelente e com uma atmosfera muito semelhante a épicos como “Drácula” e “O Retrato de Dorian Gray”, que fazem uma analogia entre o sobrenatural e a mente humana, a sua narrativa faz-nos sentir muita tristeza e frustração, especialmente para com o protagonista (daí ter dado 3 estrelas ao enredo, pois apesar de muito bem delineado, faz-nos sofrer e desesperar um pouco… Também faço notar que gostava que a narrativa fosse um pouco mais longa e explorasse certos aspetos, mas é apenas uma perspetiva pessoal.
Após ter lido um comentário de alguém a dizer que “Carrie”, de Stephen King, se assemelhava muito a “Frankenstein”, fiquei ainda com mais vontade de ler a história. De facto, consigo ver a semelhança entre os dois enredos e o foco em personagens que não nascem monstros, mas que são repudiados e por isso, no final, transformam-se num.
é surreal que esse livro exista. que tenha sido escrito quando foi escrito, como foi escrito e por quem foi escrito — uma jovem de 19 anos.
apesar de um clássico muito famoso, acho esse livro subestimado pelo o que ele realmente entrega: mais do que uma obra-prima gótica, um estudo filosófico profundo sobre a humanidade.
a recente adaptação do guillermo del toro só melhorou o trabalho de shelley. aposto em dizer que construiu a história que ela poderia ter escrito em outras circunstâncias.
pra além da obra, tudo o que contorna a vida de mary e a criação de sua obra-prima é fascinante e gótico e intrigante e literário. edição incrível da pinguim!