Johnny, célèbre coiffeur de la jet-set de Belém et habitué de la presse people, est retrouvé mort à son domicile, visiblement d'un arrêt cardiaque dû à une overdose. Mais le jeune inspecteur chargé de l'enquête, Gilberto Castro, trouve sur les lieux des vidéos et des photos compromettantes des ébats du défunt, impliquant des enfants... Tâchant d'en apprendre plus, Gilberto se mêle aux amis de Johnny, tous issus de la classe supérieure de Belém, et commence à soupçonner que la mort du coiffeur n'a rien d'accidentel. Malheureusement, sa rencontre avec l'une des proches du défunt, Selma, oiseau de nuit assoiffée de fêtes et d'excès, risque bien de le détourner de son but et de le faire replonger dans son ancien vice, l'alcoolisme... Belém nous fait découvrir le côté sombre de la « cité des manguiers », métropole brésilienne située à l'estuaire de l'Amazone. Trafic de drogues, proxénétisme, pédophilie, corruption : avec un réalisme cru, Edyr Augusto peint le portrait terrible d'une classe supérieure sans scrupule qui se nourrit des plus faibles. Une critique sociale rageuse portée par une écriture directe et nerveuse.
Edyr Augusto é um escritor e jornalista paraense, vencedor do prêmio Caméléon. Nascido em Belém, em 1954, inicia sua carreira como dramaturgo no final dos anos 1970. Escritor e diretor de teatro, Edyr trabalhou como radialista, redator publicitário, autor de jingles além de produzir poesia e crônicas. Filho do escritor e radialista Edyr de Paiva Proença, sua estreia como romancista se dá em 1998, com a publicação de Os éguas. Quadro desolador da metrópole amazonense, o "thriller regionalista" mergulha no ritmo frenético da decadência e da violência urbana.
Muito apegado à sua região do Pará, Edyr Augusto ancora lá todas as suas narrativas. Em 2001 lança Moscow, seu segundo romance, seguido de Casa de caba, em 2004. Seu mais recente romance é Selva Concreta (2012). Os thrillers escritos por Edyr Augusto são conhecidos por representarem o que há de mais interessante na literatura contemporânea paraense, mas com temas identificáveis em qualquer cenário urbano. Sua linguagem é coloquial, típica da região, compondo um retrato perfeito da oralidade local. A temática urbana, com uma trama de suspense que se desenrola por bares, botecos, restaurantes, delegacias, clubes e motéis, ecoa a tradição policialesca noir. É nesse encontro que se configura o estilo singluar da obra de Edyr Augusto.
Em 2013, com a publicação de Os éguas em francês (sob o título Belém), a obra de Edyr ganhou grande destaque na cena literária parisiense. Amplamente aplaudido pela crítica, o romance recebeu, em 2015, o prêmio Camaléon de melhor romance estrangeiro, na Université Jean Moulin. Concorreram com ele Milton Hatoum (Orphelins de l’Eldorado), Adriana Lisboa (Bleu corbeau) e Frei Betto (Hôtel Brasil). No mesmo ano, Edyr participou do festival Quais du Polar, em Lyon. O evento é mundialmente conhecido por celebrar o gênero noir na literatura e no cinema e recebeu neste ano cerca de 65 mil visitantes e nomes consagrados como Michael Connelly e Harlan Coben. Em 2014, o escritor também participou como convidado e palestrante do festival Étonnants Voyageurs em Saint-Malo, e em 2015, foi convidado a participar do Salão do Livro de Paris. Desde então, seus romances vêm sendo traduzidos para o francês. Em 2014, foi a vez de Moscow (2014) e em 2015, Casa de caba (publicado com o título Nid de vipères).
O estilo marcante, a escrita alucinante e implacável de Edyr já havia chamado a atenção de editoras internacionais, a começar pelo romance Casa de Caba, publicado na Inglaterra com o título Hornets’nest pela Aflame Books, em 2007. O paraense também teve alguns contos traduzidos no Peru, pela editora PetroPeru, e também no México, pela editora Vera Cruz. E dois de seus livros estão sendo adaptados para o cinema.
Havia lido 'Pssica' antes deste e já tinha achado uma porrada, um livro tão foda que deixa você meio desnorteado e em desencanto com a vida e, por outro lado, faz agradecer por viver da forma que vive e tendo o que tem.
Acho que uma das funções da literatura é isso, servir de espelho de carne, mostrar sem medos ou dedos a crueza e natureza pouco honrosa da vida humana, Edyr cumpre isso com maestria. Sua escrita parece um desses folhetins policiescos, é concisa, bruta, direta, não tem floreios nem rodeios, quem busca fuga acha confronto com a realidade.
Pode até causar estranhamento, não é assim um mundo nosso, da cidade grande que constrói e destrói coisas belas mas faz pensar em quantos países existem dentro de um mesmo país. As frases curtas de Edyr são lanças certeiras, não buscam tecer o belo mas apenas mostrar o óbvio da vida miserável humana.
Há ecos de 'Pssica' aqui e ali, o tema é quase correlato mas aqui, temos um Quixote lutando contra os moinhos que, se não são de vento, lhe impõe derrota não menos amarga. Talvez o grande 'twist' da trama tenha roubado um pouco do brilho ao final da obra, fica meio parecendo solução fácil mas não deixa de surpreender e não desanima ao demolir a torcida que, inconscientes, fazemos.
Meu primeiro contato com o autor. Gostei muito do ritmo frenético. Gostei muito dos personagens multidimensional e da fragilidade do herói . E gostei mais ainda da imersão em Belém do Pará . Quero conhecer outros livros do Edyr, e quero voltar a Belém .