Diagnosticado com uma doença cardíaca grave, um jovem decide escrever o Livro da sua vida – e escrevê-lo literalmente com o coração. Sempre ao lado da mulher, leva trinta anos para completar a empreitada, passando fome e privações e vivendo a crédito, esperando pagar as dívidas quando o Livro for publicado. Assim que o termina, manda as folhas dactilografadas ao seu editor, mas este nunca as recebe. O desespero leva o casal e os amigos e vizinhos a uma busca desesperada em todas as estações de Correios do mundo, até que o editor dá a entender que finalmente recebeu o livro. Só que não era o Livro… Então, começam a chover livros assinados com o nome do escritor, e o povo começa a ler desenfreadamente, tornando a leitura um fenómeno à escala global.O Livro Que Me Escreveu é uma novela genial, um elogio maravilhoso à solidariedade e à leitura, essenciais na formação do ser humano.«O Livro tem magia e vida dentro, é um passeio pelo melhor que somos, um derrame de imaginação e de amor pela leitura, os leitores, os escritores, teu povo e toda nossa gente. Tem momentos de grande beleza poética, e mais, tem uma poética sustentada que não se perde nem quando acelera, às vezes com força demasiada. Gosto das imagens, tantas, por exemplo, que o mundo é uma biblioteca, que os livros podem ser deixados junto a jarras de água nas janelas das casas, e que o som da palavra cria caramelos na boca. É uma novela estupenda, para ser repartida pelo mundo.»Fragmentos de uma carta de Pilar del Río ao autor
Mário Lúcio Sousa (Lúcio Matias de Sousa Mendes) nasceu no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde, em 1964. Licenciado em Direito pela Universidade de Havana, foi deputado ao Parlamento Cabo-Verdiano e embaixador cultural do seu país antes de se tornar Ministro da Cultura, cargo que desempenhou de 2011 a 2016. Condecorado com a Ordem do Vulcão, ao lado de Cesária Évora, foi o artista mais jovem de sempre a receber tal distinção no seu país. É autor das seguintes obras: Nascimento de Um Mundo (poesia, 1990); Sob os Signos da Luz (poesia, 1992); Para Nunca Mais Falarmos de Amor (poesia, 1999); Os Trinta Dias do Homem mais Pobre do Mundo (ficção, 2000), prémio do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa; Vidas Paralelas (ficção, 2003); Saloon (teatro, 2004); Teatro (coletânea, 2008); O Novíssimo Testamento (romance, 2010), Prémio Literário Carlos de Oliveira; Biografia do Língua (romance, 2015), Prémio PEN Clube Português de Narrativa e Prémio Literário Miguel Torga.
Mágico. Nascido do amor ao livro, à leitura e à literatura esta novela é uma fascinante reflexão sobre esse amor. Mário Lúcio Sousa mais uma vez me fascina com a sua obra.
Deslumbre mágico. Ler devagar para apreciar a sonoridade das palavras que se sente quando interpretadas. Saborear a língua. O maior tributo aos livros que já li.
Lindo, lindo, lindo!... Um livro que se lê com um sorriso terno no rosto e que ainda arranca algumas gargalhadas. Mário Lúcio Sousa leva-nos para um universo de palavras e frase sublimes, numa escrita poética, profunda, envolvente, que explora a importância da escrita, dos livros, da leitura, de uma forma, para mim, completamente nova, que nos dá uma visão filosófica muito enriquecedora e transformadora da vida e da arte. Uma grande e bela homenagem aos livros! Um livro que não só se lê, também se contempla! Fica entre os meus preferidos de sempre.
Início da leitura: 8/1/25 Término da Leitura: 8/1/25 O primeiro livro do ano que me conquistou pela premissa, pela delicadeza e pela forma tão bela e, por vezes, original, ao depararmo-nos com frases que brincam com as palavras. Um livro que glorifica, reverencia a leitura e a literatura. 1° leitura do ano = 🩷🩷🩷🩷🩷 Um de muitos motivos para ler: A leitura amplia a nossa capacidade de reflexão.
Um elogio simples e despretensioso aos livros e à leitura. Uma história original, com passagens de muita beleza escrita. No meu caso, não alcança as 5 estrelas só e apenas pela minha falha de fluidez (a espaços) deste nosso português equatorial… “Era uma história literalmente contada com o coração (e, claro, com a ajuda dos sonhos).”
Sobretudo diria um livro doce. Faz um paralelo com o episódio da vida de Gabriel Garcia Marques ao terminar de escrever e entregar o "Cem Anos de Solidão". Como reli há pouco tempo, achei que era o momento certo para pegar nesse livro, mas a verdade é que não é preciso, podemos lê -lo a qualquer momento, pois é apenas uma história de vários amores, amor de casal, de pais, de amigos e sobretudo amor aos livros. Uma lufada de ar fresco, cheio delicadeza e ternura, meio fantástico e meio poético. Gostei, pequenino, lê -se num instantinho!
Maravilhoso. Uma escrita em que as palavras dançam de forma poética e as frases populares são substituidas magistralmente pela possibilidade que a escrita nos oferece. Um livro em que tudo é belo, mesmo o que pode ser doloroso está escrito de modo a aquecer-nos o coração. Um livro que celebra a leitura e que é muito mais do que o seu tamanho. É sem dúvida dos livros mais bonitas que li nos últimos tempos.
Livro fantástico que puxa pelo imaginário e pela criatividade, uma história tão bonita e complexa numa vivência tão simples onde se lêem os rostos e os cheiros. Maravilhosa a relação do casal. ♥️
Citação preferida: “O livro é uma flor, nasceu para estar fechado, ou enrolado, sua abertura é um acaso, um sublime encontro do presente, porque o livro tem uma ou duas páginas quando aberto, mas fechado é uma eterna beleza em botão.”
(PT) Um homem sai de casa depois do seu 18º aniversário, depois de lhe diagnosticarem um problema no seu coração. Decidido a deixar algo para trás, decide escrever o seu livro com o coração, esperando que seja o seu "magnum opus". Contudo, demora 30 anos a fazê-lo e quando finalmente o manda para a editora... o livro não chegou ao destino.
So Mario Lucio escreve desta forma - e a sua escrita é a sua presença. Uma história sobre o impacto mundial da literatura e do livro - físico - em simbolismo e em palavras - para que serve o livro como fator de união desenvolvimento e solidariedade humana.
Gostei da forma de escrever, algo elaborada, algo poética em algumas partes. Quanto ao enredo, é interessante, embora o livro não me tenha propriamente deixado extasiada de entusiasmo.
"O Livro que me Escreveu", de Mário Lúcio Sousa, é uma obra que se revela tanto uma celebração dos livros e da leitura quanto uma jornada pessoal e íntima. O autor, com sua escrita poética e envolvente, convida-nos a explorar o poder transformador das palavras e o papel fundamental que os livros desempenham nas nossas vidas.
A chegada deste livro às minhas mãos foi, curiosamente, única e pareceu um ato de uma energia intangível... Em maio, no meu aniversário, recebi-o como presente da minha professora de alemão. Ela pretendia dar-me um livro de um autor alemão, mas, não encontrando nada que a agradasse na livraria, escolheu este por se ter encantado com o título - e sem saber nada do autor. Mal sabia ela que este livro carregava uma conexão ainda mais profunda com a minha vida.
No mês seguinte, viajei para Cabo Verde para um estágio. Levei comigo quatro livros para ler durante a estadia, mas deixei “O Livro que me Escreveu” em casa. Devorei todos os livros que levei em apenas duas semanas e meia. Sem mais nada para ler, decidi procurar obras de autores cabo-verdianos, mas nunca cheguei a visitar a livraria/cafetaria que ficava perto do centro de saúde onde trabalhava para proceder à compra de outro livro. Voltei para casa sem ter lido nenhum livro de autor conterrâneo.
Ao retornar, o primeiro livro que peguei foi justamente aquele que a minha professora me havia dado meses atrás. Uma passagem inicial, “alinhou-me a cabeleira crespa de crioulo…”, despertou a minha curiosidade sobre o autor. Foi então que percebi que já havia pesquisado sobre Mário Lúcio Sousa enquanto estava em Cabo Verde e que ele teria sido o autor cujo livro eu havia pensado em comprar! Era como se o destino estivesse a conspirar para que eu lesse este livro, mais cedo ou mais tarde.
Esta experiência reforçou a minha crença de que a minha viagem a Cabo Verde estava "destinada" a acontecer. O livro chegou a mim quase por acaso, mas carregava consigo uma mensagem pessoal e íntima que se conectava profundamente com a minha jornada e a minha busca por compreensão e pertencimento.
Arcanjo de Deus, a personagem principal, destaca numa passagem: “Nunca há-de haver livros suficientes para satisfazer toda a gana de ler e de aprender a ler que se livra sobre o nosso mundo (…) o livro ensina-te a escutares-te, e se praticares com afinco, um ouvido no centro da testa chamado terceiro olho desabrocha, e com ele aprendes a ouvir o próximo, o longínquo, a camomila, o lagarto, a espuma do mar, a estrela cadente, o nó da água, o nascimento do raio, a chuva de Deus.”
Esta citação encapsula a essência deste livro: uma ode à leitura como uma experiência de transformação e iluminação pessoal. Ao mergulhar nas páginas, somos convidados a abrir o nosso "terceiro olho" e escutar o mundo e a nós mesmos de novas maneiras.
No final, "O Livro que me Escreveu" não é apenas uma obra literária, mas um lembrete poderoso de que os livros têm a capacidade de nos encontrar no momento certo, guiando-nos por caminhos inesperados e conectando-nos de volta a nós mesmos e a experiências que transcendem fronteiras e culturas.
Excelente Livro de Mario Lúcio Sousa. Durante sua escrita leve, penetrante e fluida, nos faz acompanhar a trajetória de um homem vivendo em condições financeiras absolutamente precárias, entretando com a parceria de sua mulher amada o tempo todo. O livro é um grande ensaio sobre o poder da leitura e que, no fim, o que importa é apenas isso. O fato de ter ficado famoso por escrever livros que nao escreveu, não o diminui, pois o impacto disso foi ter todos lendo e consumindo a escrita. Pralém da história, é a maneira com a qual Mario Lúcio escreve que cativa. Trechos favoritos a seguir:
"toda a história do Homem, pode ser contada pela história do riso, a começar pela primeira gargalhada, acto coincidentne com o nosso distancialmento irrecuperável da estupidez."
"Os humanos bem que podem ser classificados pela maneira como desmaiam; há gente que colapsa breve, flutua: outras se descoroçoam arrrombadas e moles; algumas preferem dizer que tiveram uma lipotomia e sorriem; há as pesadas que, toscas e espudasa e também aquelas que caem segundo um roteiro e curtem a ocasião desde o pré-desmaio até junho, como se diz na minha aldeia. "
Lindo, lindo, lindo!! Segundo livro que li de Mário Lúcio Sousa e é um reforço da ideia de que se trata de um genial autor. Já tinha achado excelente A Última Lua de Homem Grande, mas este é (em minha opinião) ainda mais extraordinário. Deslumbrante e mágico, um derrame de imaginação, de humor e de paixão pelos livros, leitura e literatura. “... ler é uma doença humana que só tem extinção quando o último livro sucumbir, cenário de per si contra-natura, porque os próprios livros ajudam a perceber a doença e, logo, a cura..." “... refugiámo-nos na leitura, essoutro modo de fugir do mundo com o mundo nas mãos, aliás, é a melhor maneira de enfrentar o medo sem falar dele." “... cada trabalhador e cada trabalhadora com o seu livro debaixo do braço, ..., fazendo do Leracaminhar e Caminharaler uma só palavra conjugada com a planta dos pés..."
Demorei algum tempo a entrar no livro, e depois fui gostando em crescendo. No início não estava a conseguir integrar a inspiração na escrita do Cem Anos de Solidão, mas a verdade é que o livro se lê bem e fui insistindo. Seria um 3 estrelas se não fosse pelas últimas páginas - ao longo do livro gostei de alguns trechos, sorri várias vezes, mas estava a ser o suficiente para continuar a ler mas não estava a adorar. Achei o fim de uma ternura muito bonita.
É um livro que se lê bem, rápido, com passagens bonitas. Não é um livro que “mexa coisas cá dentro”. :)
Uma ode aos livros e ao poder da leitura. Escrita de grande beleza, com passagens que farão qualquer ávido leitor dar por si a assentir em concordância. Fluído, fácil de ler, mas que dá vontade de saborear lentamente este é sem dúvida um livro que nos escreve uma nova entrada na memória das grandes leituras, sem tentar ser mais do que um companheiro de viagem. "Refugiámo-nos na leitura, essoutro modo de fugir do mundo com o mundo nas mãos"
Que livro delicioso, cheio de outros livros e histórias dentro, bem como uma vénia a Gabriel Garcia Marquez e sua esposa Mercedes e a José Saramago, por ele fica demonstrado que a criação de utopias na terra é possível sim, através das palavras.
«(...) o livro chegara e ponto inicial, era a descoberta da leitura, cada um à sua maneira; os habitantes criaram o seu pr´prio jeito de usufruir do livro (...)», p. 97
Um livro muito lindo. Levei algum tempo para terminar, porque a linguagem é dotada de expressões especificas cabo-verdianas e isto fez o desenvolvimento da história não tão fluido na minha mente considerando que não sou falante nativa. Não entanto, achei a história muito bonita, em particular o tema do amor que envolve literalmente tudo. Um amor que não só salva a vida, mas representa a vida toda.
Um pequeno-grande livro! Uma história fabulosa, escrita com uma imaginação fértil e sempre inesperada, e uma extraordinária substância literária. Um livro escrito com o mesmo Coração que está na contracapa. Um dia, O Livro Que Me Escreveu terá o merecidíssimo reconhecimento à escala global.
Um livro rico em trocadilhos deliciosos. Uma história de amor, de dedicação. Este livro relembra a todos nós a importância de ter uma comunidade que nos apoie, lamente o nosso infortúnio e festeje o nosso sucesso.
Consta na sinopse que “𝑶 𝑳𝒊𝒗𝒓𝒐 𝑸𝒖𝒆 𝑴𝒆 𝑬𝒔𝒄𝒓𝒆𝒗𝒆𝒖 é uma novela genial, um elogio maravilhoso à solidariedade e à leitura, essenciais na formação do ser humano.” Depois desta afirmação, com a qual concordo plenamente, pouco saberei acrescentar para vos recomendar a leitura deste livro encantador.
O livro transporta magia, transpira paixão pelos livros, acrescenta poesia às palavras, às frases. De forma divertida acompanhamos o desaparecimento misterioso do manuscrito e as peripécias resultantes na procura alucinante do livro que demorou trinta anos a ser escrito. Todo o leitor amante de bons livros, não ficará imune a esta narrativa, e a título de exemplo, partilho este excerto do primeiro capítulo: “A única motivação da minha vida era escrever, cutucar palavras; e, com sua força invencível, a palavra, curiosamente amante, brotou a nadar como vacuidade no nada ainda nada, placentou, por assim dizer, apareceu e tiniu de vez o meu palpite de que estava a escrever o livro da minha vida.”
Com uma escrita sensível e emocionante, o autor constrói a sua narrativa em torno da paixão pela escrita, da solidariedade humana, do impacto da leitura na formação do indivíduo. “ A Humanidade só se salva pelo acesso ao livro”. (p. 173)
Foi um prazer enorme saborear as palavras cutucadas; intensificar a descoberta, sempre presente, do encantamento da leitura; renovar a capacidade de fantasiar, de sonhar, de viajar e concluir, ou melhor, exaltar a convicção de que vale a pena ler, partilhar leituras e livros e “eternizar-me num livro”.
“Demorei a interiorizar a seriedade de algumas loucuras sem as quais ninguém é completamente são. Inovar é uma delas.” (p. 167)
‘O Livro Que Me Escreveu’ é um deslumbramento da primeira à última linha. Escrevo sobre ele na rubrica Cata-livros (páginas 29 a 32), que assino na revista INFO, disponível aqui: