[3,9 estrelas]
Eu gostei muito da história, e principalmente da arte, mas sinto que algo ficou faltando. Me parece haver uma lacuna não preenchida no que diz respeito ao jogo das irmãs, das quais vemos apenas duas. Da que vemos, rival de Miwako, há uma frase bem importante sobre a maneira como ela se sente em relação à irmã mais nova, que diz algo como: "eu nunca vou conseguir perdoá-la pelo que você fez." E o que Miwako fez parece não vir à tona.
Fora isso, tive alguns problemas com alguns personagens. Embora eu não possa me esquecer de que se trata de uma sociedade japonesa, alguns comportamentos foram ingênuos demais, principalmente por parte de Chika, namorada de Hirota, no que diz respeito a Souichi. Enquanto ela apenas tentava ser sua amiga e retribuir com pequenos gestos o fato de ele tê-la salvado, não faz sentido para mim, como leitora mulher, que, após Souichi se mutilar na sua frente para se transformar em um Familiar e rasgar suas roupas, além de tocá-la em partes íntimas, seja desculpável que ela volte atrás, depois de começar a fugir - porque ele permitiu -, para tocar em sua cabeça e dizer que ele não é um monstro. Ainda que ela não saiba que Souichi era o principal personagem para atrair rapazes até a mansão de Miwako, não justifica. Ele ainda a abusou. Não chegou às vias de fato, mas abusou.
Há um apelo humanitário muito grande, no final das contas, mas que justifica crueldade com solidão, e não acho que esse seja realmente o ponto. Ainda assim, eu consegui me divertir com a leitura, embora ela não tenha me feito pensar tanto.