Ensaio final da trilogia dedicada ao momento existencial da Europa:
DEPOIS DA INVASÃO DA UCRÂNIA, ABRE‑SE UM NOVO CICLO.
Partindo da invasão da Ucrânia pela Rússia, O Ano Zero da Nova Europa analisa um conjunto de dinâmicas vitais para o nosso futuro colectivo, mais claras desde esse momento fatídico e marcante da história europeia — «trágica e magnífica», nas palavras de Jacques Delors — que fecha o ciclo da segurança continental iniciado no fim da Guerra Fria.
Esse ciclo foi definido por um certo espírito de inocência geopolítica que marcou as últimas três décadas da Europa, abrindo portas a um outro que, de acordo com Bernardo Pires de Lima, percorrerá quatro grandes áreas definidoras, por longos anos, das nossas vidas: defesa e longevidade das democracias; alargamento e indispensável coesão; autonomia e músculo geopolítico; ajustamentos ao exterior e capacidade para influenciar a globalização.
Depois de Portugal na Era dos Homens Fortes (2020) e da reedição de Putinlândia (2022), O Ano Zero da Nova Europa fecha assim uma trilogia ensaística.
Porque há um antes e um depois de 24 de fevereiro de 2022.
BERNARDO PIRES DE LIMA nasceu em Lisboa, a 19 de Julho de 1979. É investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (UNL), do Centro para as Relações Transatlânticas da Universidade Johns Hopkins, em Washington, e colunista de política internacional do «Diário de Notícias». Foi investigador do Instituto da Defesa Nacional, comentador residente da Rádio Renascença e TVI 24, e colunista do jornal «i». As suas opiniões têm aparecido com frequência na imprensa nacional e estrangeira, nomeadamente na SIC Notícias, RTP Informação, TSF, Antena 1, RFI, Deutsche Welle, «The Huffington Post», «The National Interest», «The Diplomat», «Hurriyet Daily News» e «Majalla Magazine». É autor de A Cimeira das Lajes: Portugal, Espanha e a Guerra do Iraque (Tinta-da-china, 2013); Blair, a Moral e o Poder (Guerra & Paz, 2008) e A Síria em pedaços (Tinta-da-China, 2015).
“Parece que de tempos a tempos somos tolhidos, na Europa, pela cobardia dos cínicos. Gente que prefere evitar grande aborrecimentos, exigindo soluções rápidas a terceiros, desde que nunca se apliquem aos próprios. São as mesmas pessoas que discorrem sobre abandonos territoriais pela Ucrânia em troca de paz podre com a Rússia, quais sudetas nas mãos de hitler”
"O Ano Zero da Nova Europa" de Bernardo Pires de Lima é um livro interessante com uma denso conjunto de reflexões sobre o novo papel da Europa no Mundo e omo Portugal se relaciona com essa nova realidade.
As transformações políticas, sociais e económicas, acentuadas pela resposta conjunta à pandemia da COVID-19, o contexto inflacionário, a crise migratória com os consequentes reacender dos nacionalismos e a emergência de conflitos na Ucrânia e em Gaza, colocam desafios ao relacionamento multilateral em que o poder já não se circunscreve em dois blocos.
Andava há meses a ruminar na leitura deste livro, e finalmente terminei-o não sem tomar um conjunto de notas para futuras leituras. São apenas 200 páginas, mas apresenta vários 'food for thought' que certamente terão desenvolvimentos fulcrais para a Europa nos próximos meses. Porém, uma certeza retemos em jeito de conclusão: o futuro do nosso projecto de uma Europa com valores humanistas e democráticos passa impreterivelmente pelo aprofundamento da cooperação e da unidade para enfrentar crises globais.
Ainda que o verão não seja convidativo ao consumo de assuntos políticamente mais sérios, ou não se chamasse "silly season', recomendo esta obra como uma viagem pela intrincada teia de caminhos na política geo-estratégicos global.