Catarina convive com a falta desde cedo: falta de mãe, de pai, de história. Após a infância no Residencial Paraíso, um condomínio de classe média onde sua avó trabalha como servente, Catarina adentra a adolescência em busca de seu passado. Ao se deparar com histórias mal contadas e muitos silêncios, Catarina percebe a necessidade de construir a sua própria versão de uma história que ela ainda está descobrindo. Prostituição, religião, sexualidade e identidade são temas que perpassam esta narrativa repleta de perdas e incertezas. “Todo mundo tem mãe, Catarina” é um romance sincero, delicado e voraz, que nos faz confrontar nossa própria solidão, relembrando a conturbada transição da infância para a vida adulta.
Uma história sensível sobre amadurecimento e descobertas da adolescência, com temas atuais e com um humor delicioso, como só a Carla sabe fazer!
Catarina tem 14 anos e um vazio: não tem mãe. Ela é criada pela avó e fervilha de curiosidade sobre suas origens. Movida por isso, decide descobrir a verdade. Mas essa trajetória é caótica e confusa, assim como a adolescência, período em que queremos entender nossa personalidade, nossos desejos.
É uma leitura fluida e muito interessante. Leitura coletiva do @nossolivrismo de junho ❤️
que nó na garganta, que aperto no coração! que gosto amargo deixa a história de Catarina, de Suzana, de Amélia, que também é, de certa forma, a história da minha mãe, de tantas primas, amigas dos tempos de colégio e tantas outras meninas que engravidam cedo e se tornam irremediavelmente mulheres-adultas precoce e bruscamente. me lembrou um pouco a escrita da Marina Salomão Carrara em "Se deus me chamar, não vou", talvez pela inocência inerente à infância misturada à crueza inescapável da existência, da vida, sendo mulher, sendo menina, filha, neta, mãe... quanta dor viveu Catarina! e Suzana, meu deus, que morreu em vida tantas vezes tentando voltar para casa, tentando voltar a ser filha e aprender a ser mãe. é uma história dolorosa, agridoce, feita de ausências e faltas e perdas — perdas de tudo, principalmente de si. nas palavras da própria Catarina, é "uma falta de tudo que me deixa sem saber como é que costura esse monte de ausência". e, de fato, Catarina tem razão, criança pequena é mesmo fácil de enganar, "porque se o mundo todo parece absurdo, qualquer absurdo parece normal".
todo mundo tem mãe, catarina foi uma das minhas leituras favoritas do ano. li no kindle unlimited e fiquei completamente tocada pela honestidade e delicadeza dessa história.
catarina tem 14 anos e um vazio enorme: não tem mãe. criada pela avó, ela fervilha de perguntas sobre suas origens, até que decide buscar respostas. mas essa trajetória é caótica e cheia de confusão, como a própria adolescência, quando a gente quer entender quem é, de onde vem, o que deseja. “de repente tão consciente de tudo o que eu devia saber e não sei”.
a narrativa da carla é simples e direta, mas carrega um peso gigante. a gente acompanha catarina mergulhando no passado, descobrindo que a mãe está viva, questionando as mentiras da avó, se apaixonando, tentando entender o abandono e, ao mesmo tempo, a própria sexualidade. é um livro sobre amadurecer e perceber que as certezas nunca são tão sólidas quanto parecem.
o que mais me marcou foi como o livro traz várias camadas de mulheres: a avó que cria, a mãe ausente, a adolescente perdida, a mulher que acolhe e entende, a amizade entre elas todas atravessadas por diferentes formas de abuso, abandono e silenciamento. e, ainda assim, existe amor, amizade e a força que nasce da vulnerabilidade.
"de repente tão consciente de tudo o que eu devia saber e não sei"
um livro delicado sobre as dores de amadurecer e de descobrir que as certezas não são certezas. a autora constrói uma história sobre o peso das escolhas por meio de uma narrativa simples, uma visão adolescente, e por isso é ao mesmo tempo, muito profunda.
- "a minha própria vida, que era tão pequena, parece grande demais para que eu cuide dela sozinha. eu não me sinto capaz. liberdade parece muito legal para quem não tem. para quem tem, nada mais é do que um excesso de opções que acaba sendo uma falta total de saídas. muito pouco se pode escolher. a maior parte já está escolhida e a gente precisa aceitar."
Gostei do livro, uma leitura bem fluida e rápida, mas acho que acabei tendo uma quebra de expectativas no final pois estava ansiosa para ver como seria descrito o encontro entre Catarina e Susana, o que acabou não ocorrendo.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Q descoberta maravilhosa! Amo livros com narradores crianças/adolescentes e esse foi mais um deles. Acompanhamos Catarinna, uma adolescente de 15 anos sem mãe, se descobrindo nesse período de tantas inquietações e completando buracos de sua história. Simples, mas com uma escrita linda!
"Liberdade parece muito legal pra quem não tem. Pra quem tem, nada mais é do que um excesso de opções que acaba sendo uma falta total de saídas. Muito pouco se pode escolher. A maior parte já está escolhida e a gente precisa aceitar."
Todo mundo tem mãe, Catarina, de Carla Guerson, me pegou de surpresa, tanto pela força da narrativa quanto pela profundidade emocional que alcança. Com uma narradora criança/adolescente, o livro me remeteu a grandes obras como O Beijo na Parede, de Jeferson Tenório, A Vida pela Frente, de Romain Gary, e Se Deus me chamar, não vou, de Mariana Carrara. São todas histórias que exploram, de maneiras distintas, o ponto de vista da juventude de maneira sensível e crua. Entretanto, embora estas obras compartilhem esse aspecto, o que me surpreendeu aqui foi o tom singular que Carla Guerson emprega à sua mais recente obra.
Enquanto muitos desses livros utilizam a ingenuidade da narradora para desenvolver narrativas cruas, duras e poéticas — algo que admiro profundamente —, Todo mundo tem mãe, Catarina tem um diferencial. O livro não apenas nos comove com suas cenas belas e impactantes, mas, de alguma forma, nos coloca ao lado da protagonista em sua jornada. É quase como se estivéssemos vivendo aquilo com ela, imersos nas suas descobertas, em vez de apenas observadores emocionados à distância. Não faço essa observação criticando outros livros ou estabelecendo comparações; é apenas um paralelo que traço para destacar a experiência de leitura que este livro proporciona.
Confesso que me surpreendi ao saber que o livro veio de uma editora independente. Embora haja um movimento crescente de valorização das editoras pequenas, e embora muitas vezes encontremos verdadeiras joias, é raro, ao menos para mim, como leitor, deparar-me com uma preparação tão cuidadosa e com um romance tão impecável quanto este. Carla Guerson entrega uma obra sólida, com uma narrativa envolvente que é difícil de largar.
Deixo aqui meus parabéns à autora, e o incentivo para quem está em dúvida: dê uma chance a este livro. É uma leitura fluida, tocante e difícil de parar, que certamente vale o tempo investido
Escrita por Carla Guerson, a história acompanha Catarina, uma jovem criada pela avó, Amélia, em um condomínio onde o cotidiano se entrelaça com segredos, dores antigas e o desejo profundo de pertencimento.
Desde pequena, Catarina convive com a ausência da mãe, cuja única lembrança é uma fotografia antiga. Do pai, ela nunca soube nada. Ao lado do amigo (e mais tarde namorado) Gustavo, ela inicia uma busca por suas origens, motivada por pequenas pistas e muitas perguntas. A vida, no entanto, dá uma guinada inesperada quando Catarina descobre que sua mãe está viva. Por que a avó mentiu?
Carla constrói uma narrativa potente, com linguagem sensível e direta, que nos conduz pela descoberta da sexualidade, pelos caminhos tortuosos do amor, pelas dores do abandono e pelos nós afetivos que persistem na garganta. A transição da infância para a adolescência, o peso de crescer sem respostas e a força que nasce da vulnerabilidade tornam Catarina uma personagem imensa e inesquecível.
A escrita é envolvente, fluida, com trechos que doem e curam ao mesmo tempo. É um livro que não pede licença para emocionar, que nos convida a revisitar nossas próprias histórias familiares, nossas lacunas, nossos afetos.
☕️ “Todo mundo tem mãe, Catarina” é sobre ser filha, sobre buscar o lugar de onde viemos e sobre seguir, mesmo quando tudo parece pesado demais. É, sobretudo, um tributo à resistência feminina e às memórias que nos moldam.
A estreia de Carla Guerson no romance traz Catarina, uma garota cheia de relações conflituosas. Aos 16 anos, somos todas cheias de conflitos, não? É por isso que Catarina nos cativa de saída, ela é tão, assim, como nós fomos (e somos). Mas Guerson não quer nos entregar uma história rotineira de adolescência e choque de gerações. A autora reflete e explora diferentes características que tornam a personagem única. Catarina, sua avó, sua mãe e sua futura sogra desarmam os clichês que conhecemos. E, o mais importante: mesmo atravessando caminhos dolorosos, a personagem nunca assume o papel de vítima. A boa literatura ilumina diferentes facetas das personagens.
Aos cinco anos, na sala de aula, Catarina ouve uma frase que irá acompanhá-la por toda infância e boa parte da adolescência: “todo mundo tem mãe, Catarina”. A revelação da professora, dita sem qualquer cuidado, faz com que o que lhe falta, uma mãe, seja escancarado. A partir daí, Catarina parte em busca dessa mãe que, inicialmente, lhe diz sua avó, está morta. Já adolescente, ela percebe que todo mundo tem um pai - e cabe a ela descobrir quem é o seu. Uma história sobre abandonos, escolhas, mães que nos escolhem e avós que são mães. Um retrato de muitas infâncias e muitas famílias no Brasil.
Colossalmente destruída, esse livro tocou dentro da minha alma e sem dizer “posso entrar? por favor?” senti cada linha, cada letra e cada pausa. fui criada por uma tia idosa, por qual sinto tamanha saudade pois partiu infelizmente, me deixando uma dor sem explicação. não sou mais criança e me limito aos meus sentimentos e ao meu agir e não me permiti sofrer tanto, ao ler cada página entre catarina e sua avó me vi nos momentos com minha tia raimunda, que amo grandemente e que sempre irei amar. carla, obrigada por catarina e por amélia pois nelas encontrei cristina e raimunda novamente.
Que livro maravilhoso! Um olhar infantil/juvenil de uma vida um tanto quanto mirabolante, realmente digna de livro, mas que facilmente poderia ser baseada em fatos reais ( e talvez seja sem a autora saber) diante da imensidão de realidades brasileiras.
Uma grande lição sobre amadurecimento feminino e a importância e o poder da instrução nessa fase tão delicada. “Todo Mundo Tem Mãe, Catarina” futuca seus incômodos, brinca com as desventuras, te faz rir e chorar a beça.
É verdade, todo mundo tem mãe, Catarina. Mas tem mãe que não é mãe, e não mãe que é mãe.
O título é a frase que a protagonista ouve da professora na escola quando os alunos estão fazendo um presente de Dia das Mães, e ela diz que não tem mãe, só avó. Em seu processo de comprovar essa máxima, encontra diversas histórias iguais ou parecidas, de mulheres que só podem contar umas com as outras, ou muitas vezes nem isso. Em comum, aquilo que talvez seja outra máxima: onde tem uma mãe sofrendo, tem um pai fingindo que não é com ele.
É uma historia tão cheia de histórias. Somos apresentados de forma bem simples a narrativas de várias mulheres, todas elas se entrelaçam, se completam e se explicam. Vários segredos, muitas ausências? É um livro simples sem ser simplório. Não sei se consigo ter empatia por adolescentes, mesmo já tendo sido uma, não consigo me colocar no lugar e não julgar. Porém, sofri. Sofri com Catarina, com D. Amélia, com Susana, com D. Luiza, Tereza, Marilena? Ser mulher é muito complicado!
Catarina me cativou desde as primeiras páginas. Uma menina que não tem mãe, só tem avó e, até os 14 anos, não se dá conta de que tem direito a saber da própria história. O livro é bonito, delicado, tece uma crítica ao comportamento da sociedade diante das realidades das mulheres. A história de Luisa, sogra de Catarina, também é de tristeza. Uma rica leitura!
4.5 ⭐ Gostei muito da história da Catarina. É uma escrita que te prende e te faz querer saber o que vai acontecer em seguida. Por mais que seja uma adolescente, ela age com muita maturidade diante dos problemas e ela só deseja descobrir o máximo de coisas sobre sua vida, sobre sua mãe. Recomendo a leitura.
Lindo! Um livro sobre o luto. Luto sobre quem desejamos ser e não somos, luto sobre quem éramos e não somos mais. Sobre passado, presente e futuro.
Catarina é jovem no começo do livro que só percebe a falta da mãe, quando a professora comenta sobre. É um coming of age então crescemos junto com Catarina, e o vazio cresce junto.
A coisa é: As vezes queremos ter tudo e não damos valor ao real.
A história é muito interessante. A escrita é redondinha, mas o livro seria maior e mais poderoso se a autora refletisse de forma profunda os temas que aborda. De qualquer forma é uma boa leitura.
esse livro é total o sentimento de quando a gente percebe que nossa mãe já foi uma menina e é uma mulher com vontades, sonhos e uma vida que provavelmente foi abdicada em algum momento entre a descoberta da gravidez e o agora.
Fiquei impressionada com o ritmo da narrativa, muito envolvente! Além disso, me impressionou também o fato de existirem tantas Catarinas no Brasil, várias conhecidas por mim, inclusive, e a estória ainda parecer inédita, com gostinho de novidade: bati palma para a delicadeza.
Gostei! Não conhecia a autora e foi mais uma feliz descoberta do Kindle Unlimited. Aliás, a assinatura do KU Brasil melhorou tanto tanto tanto nos últimos anos! Muita coisa boa, literatura clássica mas moderna também. Um arraso!
“A falta é uma pinta que você nunca tinha visto. Uma mancha na roupa, que alguém aponta. Um defeito na parede. Depois que você percebe, depois que se dá conta, não consegue voltar a não ver. Fica ali incomodando pra sempre.”